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Bloco quer adiar "apagão" da tv analógica

O Bloco de Esquerda vai propor ao parlamento que o apagão do sinal analógico de televisão seja adiado, para que ninguém fique excluído do acesso à tv. E quer que a Televisão Digital Terrestre cubra de facto toda a população, ao contrário do que pretende a PT.
A reconversão para a TDT deixa 1,3 milhões de pessoas sem acesso por via terrestre, sobretudo nas zonas rurais mais isoladas. Foto .reid/Flickr

O Bloco de Esquerda esteve reunido com um grupo de autarcas da Região Centro, preocupados com a exclusão dos cidadãos mais carenciados das zonas rurais em todo este processo. Na sequência deste encontro, a deputada bloquista Catarina Martins anunciou que irá tomar a iniciativa no parlamento "para evitar que fiquem excluídos os que já hoje são excluídos", nomeadamente a população rural idosa "que muitas vezes tem como  única companhia e ligação ao mundo a televisão". A data limite para este "apagão" está marcada para 26 de abril, mas o Bloco e os autarcas entendem ser preciso mais tempo para não deixar muitos milhares de pessoas sem acesso à televisão.

O Bloco aponta responsabilidades à Portugal Telecom pela exclusão da população rural pobre. O conceito de cobertura assumido pela empresa é de 87% da população e não, como seria suposto à partida, 87% do território, o que equivaleria a toda a população. Mas há mais: os deputados bloquistas entendem que há conflito de interesses por ter sido dada à PT a tarefa da reconversão do sinal, quando a empresa está também interessada em comercializar o seu produto de tv por subscrição, a Meo.

Ao todo serão 1,3 milhões de espectadores obrigados a adquirir parabólicas para continuarem a ver televisão. Para isso terão de gastar 120 euros, a somar aos 2,25 que já pagam mensalmente na taxa de audiovisual incluída na conta da eletricidade. A grande maioria reside nas zonas rurais mais pobres do país e o Bloco defende que a PT seja obrigada a reconverter os retransmissores analógicos para digital, fornecendo o sinal terrestre em vez de obrigar à aquisição das antenas.

Os autarcas também querem que o Governo adie o apagão até encontrar uma solução que proteja os mais pobres e não aceitam as explicações da Anacom. Para o vice-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, elas "são um escândalo, nomeadamente quando passa a mensagem de que o Estado subsidia toda a operação, mas é mais fácil obter o rendimento social de inserção que os descontos para ter a TDT via satélite".

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