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Última maioria absoluta de Jardim teve sabor a derrota

Pela primeira vez desde o 25 de abril, o PSD/Madeira não conquistou os votos da maioria dos madeirenses. Depois duma campanha marcada pela descoberta da dimensão do buraco das contas da Região, Jardim conservou por escassa margem a maioria absoluta no parlamento.
Alberto João perdeu oito deputados e mandou mudar o regimento parlamentar para que um deles possa votar por todos.

Com a dívida da Madeira no topo das atenções e o governo da República a esconder até depois das eleições regionais o plano de austeridade que irá afetar a população do arquipélago, o PSD/Madeira teve o pior resultado de sempre e perdeu oito deputados.

O partido de Alberto João Jardim passou de 64% nas eleições de 2007 para 48% nas eleições do passado dia 9 de outubro. O CDS tornou-se a segunda força política na Madeira, superando os 17%, com o PS a perder um deputado graças aos 11% alcançados. E o Bloco de Esquerda perdeu o único deputado eleito em 2007, conseguindo apenas 1,7% dos votos, um recuo em relação aos 3% alcançados nas eleições regionais anteriores.

O mal estar do PSD com o resultado ficou bem patente logo na noite eleitoral, com Alberto João Jardim a criticar membros do Governo de Passos Coelho, acusando-os de terem andado a "espetar facas nas costas dos madeirenses". Nos festejos na baixa do Funchal, praticamente deserta, um autocarro repleto de 'jotas' laranjas atacou com "very lights" a entrada do edifício do Diário de Notícias da Madeira, o mais influente órgão de imprensa independente do poder de Alberto João Jardim. No autocarro seguia o líder da JSD/Madeira e deputado regional José Pedro Pereira, que incitou à violência através do seu megafone, enquanto os seus apoiantes gritavam "Nós só queremos o Diário a arder".

Logo após a tomada de posse do novo parlamento, o PSD Madeira aprovou uma alteração ao regimento da Assembleia Regional para impedir que a maioria absoluta pudesse desaparecer em caso de ausência dos dois deputados necessários para a assegurar.

Na proposta do PSD, passaria a bastar um único deputado presente na sala para votar pela bancada inteira, o que foi imediatamente considerado "um absurdo" por toda a oposição e vários constitucionalistas. E para não correr o risco das sessões parlamentares ficarem inviabilizadas por falta de quórum, o PSD propôs ainda que este passasse de metade dos deputados para apenas um terço. No mesmo debate, a bancada laranja chumbou as propostas da oposição que pretendiam realizar debates mensais com Jardim no parlamento, à semelhança do que acontece na Assembleia da República.

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Resto dossier

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