You are here

Cortes nos transportes públicos em Lisboa

O estudo encomendado pelo governo prevê o fim de 23 carreiras da Carris, incluindo a rede da madrugada, das ligações da Transtejo para a Trafaria e Seixal e acaba com a do Montijo ao fim de semana. As outras, assim como pelo menos algumas estações do metro, vão fechar mais cedo. Os utentes falam em "recolher obrigatório" para a Margem Sul e o Bloco diz que é "um ataque sem precedentes" ao direito à mobilidade da população.
Foto de Paulete Matos

O documento prevê um corte brutal na oferta de transportes públicos na AML. Na Carris, está previsto o fim de 22 carreiras de autocarros (ver lista no fim) e da carreira do elétrico 18, bem como o encurtamento de outras 13, para além da redução da frequência de autocarros a circular nalgumas carreiras.

No Metro de Lisboa, a linha Verde passa a ter apenas comboios com três carruagens, tal como toda a rede a partir das 21h30. Esta proposta também defende que o Metro ande mais devagar, passando a velocidade máxima de 60 kms/h para 45 kms/h fora dos períodos de ponta.

No transporte fluvial, a situação repete-se, com os dois cenários propostos pelo grupo de trabalho a acabarem com a ligação da capital à Trafaria/Porto Brandão. Num dos cenários, a ligação ao Seixal também é suprimida. No outro, mantém-se nos dias úteis, tal como acontece com a do Montijo, mas com tarifas mais caras. Para os utentes das ligações a Cacilhas e ao Barreiro, a proposta é de encerrarem mais cedo e reduzir a frequência ao fim de semana. A estação fluvial do Terreiro do Paço pode encerrar, concentrando-se todas as ligações no Cais do Sodré.

“Este plano representa um retrocesso de muitos e muitos anos na possibilidade de uma mobilidade das populações de forma sustentada, organizada e com opções de escolha”, defendeu Luísa Ramos, da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul. “É quase como um decretar de recolher obrigatório para quem vive na margem sul do Tejo e não pode ou não quer ter transporte individual”, acrescentou a porta-voz da Comissão de Utentes.

O documento também propõe a simplificação tarifária, com a criação dum passe Cidade e um bilhete Cidade e da tarifa plana, que permita usar a Carris e Metro pagando o mesmo. Nos serviços da CP, é proposta a criação de "tarifas por zona, independentemente da linha ou percurso", mas deve manter-se o passe CP. Ao todo, o grupo de trabalho prevê a eliminação de 114 passes combinados da CP, Carris, Metro, Rodoviária de Lisboa, Transtejo, TST e Vimeca.

Apesar da negação do ministro da Economia, não está claro se o horário de encerramento do metro passa da 1h da madrugada para as 23h, com as estações dos troços Campo Grande - Odivelas e Pontinha - Amadora Este a encerrarem às 21h30. O presidente da Câmara de Lisboa já veio dizer que acha um "absoluto disparate" a ideia de encerrar o metro à noite e um grupo de cidadãos reagiu à notícia do encerramento da rede da madrugada e das estações de Metro com uma petição online dirigida aos órgãos do município. "Uma Capital de um país, não morre nem de dia nem de noite", dizem os mais de 3.700 signatários da petição.

Na sequência das notícias sobre este estudo, o Bloco de Esquerda entregou um requerimento dirigido ao Ministro da Economia na Assembleia da República. "A ser verdade, a proposta do grupo de trabalho representa um ataque sem precedentes ao direito à mobilidade da população portuguesa e que penaliza mais as populações que mais necessitam de transporte coletivo", diz a deputada Catarina Martins, que defende que "o transporte colectivo é uma peça fundamental do desenvolvimento e da cidadania; é um garante de mobilidade, aumenta a produtividade social, diminui importações e é uma exigência da responsabilidade ambiental".


Lista de carreiras a suprimir, divulgada pelo Público:

10: ISEL-Pç. Chile
21: Saldanha-Moscavide Centro
22: M. Pombal-Portela
25: Est. Oriente-Prior Velho
201: Cais do Sodré-Linda-a-Velha
202: Cais do Sodré-Linda-a-Velha
203: ISEL-Boa Hora
205: Cais do Sodré-Bairro Padre Cruz
206: Cais do Sodré-Sr. Roubado (Metro)
207: Cais do Sodré-Fetais
208: Cais do Sodré-Estação Oriente
210: Cais do Sodré-Prior Velho
49: ISEL-Est. Entrecampos
76: Algés-Cruz Quebrada-Fac. Motricidade Humana
79: Olivais (circ.)
753: Pr. José Fontana-Centro Sul
797: Sapadores-Arco do Cego
799: Colégio Militar (Metro)-Alfragide Norte
745: Terreiro do Paço-Prior Velho
764: Cidade Universitária-Damaia de Cima
777: Campo Grande (Metro)-Ameixoeira
790: Gomes Freire-Príncipe Real
------------------
18 (Elétrico) R. Alfândega-Cemitério da Ajuda

(...)

Resto dossier

Plano governamental contra transportes públicos

O objetivo do Governo de Passos Coelho é a privatização das principais empresas públicas de transportes. Por isso, e em particular nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, encerram linhas e carreiras, aumentam drasticamente preços, preparam despedimentos. Procuram fazer o trabalho sujo para a entrega aos privados. Dossier organizado por Carlos Santos

A Resposta Socialista à política neoliberal nos transportes do Governo PSD/CDS

O Governo Passos Coelho/Paulo Portas prepara a maior ofensiva de sempre no pós 25 de Abril contra o transporte público: a privatização de todos os principais operadores de transporte público no país e, em particular, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Para tornar essas empresas mais “apetecíveis” o Governo vai-se encarregar, em 2012, de fazer o “trabalho sujo”, isto é, despedir trabalhadores, reduzir a oferta de transportes e voltar a aumentar o preço dos transportes.

A insustentabilidade da dívida das empresas de transportes públicos

Os encargos com juros da dívida já representam 76% dos prejuízos das empresas de transportes públicos. Apesar disso, foram despedidos 37% dos trabalhadores nos últimos 10 anos. Será legítimo despedir e cortar nos serviços prestados à população para garantir as taxas de rentabilidade às instituições financeiras?

A ferrovia está a sangrar

A CP no último ano perdeu 3,3% dos seus passageiros. Os números são da empresa. Partamos deste número, na atual conjuntura económica e social, para perceber como o Governo pretende destruir a empresa e reduzir drasticamente o transporte ferroviário no nosso país.

O Metro do Porto e o caminho para a privatização

O que a Empresa de Transportes do Porto vem anunciar é o novo modelo de privatizações que aí vem: o modelo do Metro do Porto, investimento público / lucro privado, é alargado a todas as empresas de transporte público do Porto e Lisboa sob a capa das fusões.

O transporte público e a exclusão social

Se forem limitadas as ligações entre as duas margens e entre os concelhos limítrofes de Lisboa, prejudica-se de forma muito penalizadora os trabalhadores e trabalhadoras e “fecha-se o centro” isolando-o da periferia.

Passe sub23, gordura do Estado?

O Governo vai acabar já em Janeiro com essa gordura do Estado que é o Passe Escolar sub23, para estudantes universitários.

Cortes nos transportes públicos em Lisboa

O estudo encomendado pelo governo prevê o fim de 23 carreiras da Carris, incluindo a rede da madrugada, das ligações da Transtejo para a Trafaria e Seixal e acaba com a do Montijo ao fim de semana. As outras, assim como pelo menos algumas estações do metro, vão fechar mais cedo. Os utentes falam em "recolher obrigatório" para a Margem Sul e o Bloco diz que é "um ataque sem precedentes" ao direito à mobilidade da população.

Petição contra o fecho da carreira 18 dos elétricos de Lisboa

De acordo com o documento “Simplificação Tarifária e reformulação da Rede de Transportes da Área Metropolitana de Lisboa” o elétrico 18 vai acabar. Uma petição contra o fim da carreira já recolheu mais de 1.100 assinaturas.

Redução de comboios na linha de Sintra

As novas escalas, introduzidas a 11 de dezembro, reduzem substancialmente a frequência e número de comboios na linha de Sintra, especialmente nas horas de ponta. Sindicato diz que o acordo da empresa não está a ser respeitado. Bloco questiona ministro da Economia e Emprego.

Utentes vão pagar ainda mais por menos serviços, objetivo é o fim do passe social

O estudo encomendado pelo governo sobre a ‘Simplificação Tarifária e Reformulação da Rede de Transportes da Área Metropolitana de Lisboa’ prevê, a par da redução de serviços, o fim dos passes respeitantes a um só transporte, o que poderá levar a um acréscimo da despesa mensal de 41%. O objetivo do Governo é o fim do passe social.

Trabalhadores marcam semana de luta em janeiro

Os trabalhadores dos transportes vão realizar uma semana de luta com greves na segunda quinzena de janeiro. Protestam contra: A redução dos salários; o despedimento de trabalhadores no sector público de transportes; o fim dos Acordos de Empresa e da negociação coletiva; o fim do serviço público de transportes e a entrega das concessões a empresas privadas; a redução da oferta de transporte e o aumento das tarifas.

O direito à greve e as bilheteiras da CP

O que assistimos é inqualificável, a porta-voz de uma empresa do sector empresarial do Estado, ameaça com o não pagamento dos salários caso se realizem mais greves.

Metro Mondego: Bloco exige apuramento de responsabilidades e compromisso com as obras

O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou a suspensão do Sistema de Mobilidade do Mondego e a avaliação da extinção da Sociedade Metro Mondego. O Bloco de Esquerda de Coimbra exige que o Governo honre, de uma vez por todas, os compromissos assumidos pelo Estado Português, ao longo dos anos, com as populações dos concelhos de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo.

Bloco apresenta projeto de resolução para evitar encerramento da linha do Vouga

O Plano Estratégico de Transportes (PET) afirma a: “Desativação, até ao final de 2011, do serviço de passageiros da linha do Vouga”. Os deputados do Bloco de Esquerda apresentaram na Assembleia da República um projeto de resolução para evitar o encerramento da linha do Vouga.

Aeroporto do Porto: fim da ANA, começo de quê?

A propósito do anunciado desmantelamento da ANA, entidade pública gestora dos aeroportos portugueses, convém ter em conta as experiências desastrosas de outras operações de privatização de aeroportos. O caso inglês é muito elucidativo.