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Lothar Bisky: “Pôr ladrões a apanhar ladrões”

“O melhor exemplo de falta de confiança e de democracia é a instalação de governos de tecnocratas”, declarou Lothar Bisky eurodeputado do Die Linke, durante o debate no PE sobre as decisões do último Conselho Europeu.
“É irónico constatar que os banqueiros responsáveis pela crise estão hoje no comando – escolhem-se ladrões para apanhar ladrões” frisou Lothar Bisky

“É irónico constatar que os banqueiros responsáveis pela crise estão hoje no comando – escolhem-se ladrões para apanhar ladrões; a única dúvida é saber quanto tempo a paciência e a resistência dos cidadãos vão durar”, frisou o eurodeputado alemão.

O debate parlamentar foi efetuado durante a sessão plenária em Estrasburgo na presença do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e do presidente da Comissão, Durão Barroso.

Lothar Bisky, eurodeputado do Partido da Esquerda da Alemanha declarou que não tem dúvidas sobre o facto de as decisões da última cimeira europeia “não resolverem a crise financeira mundial”. “A confiança dos mercados tão procurada pressupõe que os mercados são racionais e não consideram a avidez dos lucros a curto prazo como o principal motor da sua atividade”, disse.

Bisky afirmou que a falta de controlo e de vigilância dos mercados financeiros “é o principal motor da crise”. Daí, acrescentou, que a o imposto sobre transações financeiras deva ser instituído o mais rapidamente possível; e que os produtos financeiros mais perigosos “devam ser pura e simplesmente interditos”.

A União Europeia deve dar o exemplo a nível mundial no relacionamento com os bancos, defendeu o presidente do grupo da Esquerda Unitária. Mesmo que fujam à regulamentação nas outras partes do mundo, na União os bancos deverão ter que enfrentar a realidade de não serem salvos em tempo de crise. Por isso, acrescentou Bisky, “o seu trabalho deve ser efetuado sob controlo do Estado, ou então serão nacionalizados”.

O eurodeputado alemão realçou ainda que “a eliminação do Parlamento Europeu da instauração de uma união fiscal e o facto de os representantes eleitos pelos povos terem de se sujeitar apenas a observar o processo de redação do acordo é uma desgraça; é mais uma pedra no edifício da frustração e da desilusão crescente com as políticas”.

Paul Murphy, eurodeputado irlandês igualmente do grupo da Esquerda Unitária, pediu a Durão Barroso explicações sobre “o chinês europeu” utilizado na redação do acordo da última cimeira.

“Este acordo”, disse, “não é mais do que a continuação do ataque contra os direitos democráticos que provocou golpes na Grécia e em Itália impondo governos dos banqueiros para os banqueiros”.

Continuando a dirigir-se diretamente ao presidente da Comissão, Murphy acrescentou que “apesar da sua evidente falta de respeito pela democracia peço-lhe que garanta que não interfere com o direito legal e político do povo irlandês de reclamar um referendo sobre a questão”.

Artigo do portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

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