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Bloco quer prolongar discussão pública da reforma curricular

Dos sindicatos aos partidos da oposição o alerta é unânime, a nova reforma curricular resultará em despedimentos em massa na educação. Chamando a atenção para a forma apressada como foi apresentada, o Bloco de Esquerda defende o alargamento do prazo para a discussão pública de uma proposta que deve ser “pensada a 10 anos”.
Foto de Paulete Matos

"Esta reforma curricular é exatamente o que parece. Despedimentos massivos ao nível da nossa escola pública e do nosso sistema educativo, sem que verdadeiramente toda a matriz curricular tenha sido pensada", afirmou hoje Ana Drago. Salientando que é "fundamental" que "haja um debate também alargado na sociedade portuguesa que permita pensar o que é uma reforma e uma estrutura curricular para os próximos dez anos", a deputada anunciou que o Bloco irá apresentar um projeto de resolução para prolongar o período de discussão até ao final do mês de Fevereiro.

Os sindicatos de professores também têm chamado a atenção para os riscos de milhares de profissionais ficarem sem posto de trabalho, numa reforma mais feita a pensar na troika do que nas necessidade do sistema educativo português.

A deputada do Bloco elencou algumas contradições entre o discurso público do ministro Nuno Crato e a proposta de revisão curricular no ensino básico e secundário. “Fala-nos daquilo que é focar nas disciplinas centrais, nomeadamente conhecimento colectivo, mas o fim do desdobramento de turmas que permitia o trabalho experimental dos professores com os seus alunos, vai ficar inviabilizado porque vamos ter turmas de 30 alunos num laboratório com um único professor”. Também "disse que queria combater a dispersão curricular, e esse parecia-nos ser um bom objectivo, mas acaba por fazer o desdobramento de disciplinas como é o caso da Educação Visual e Tecnológica”, concluiu.

A proposta ontem apresentada por Nuno Crato reduz a carga horária na maior parte dos anos. Para o conseguir corta em disciplinas como Formação Cívica e acaba com a segunda opção anual no secundário. História e Geografia, no 7.º e 9.º anos, e Físico-química e Ciências Naturais, no 7.º, 8º e 9º anos, têm direito a mais uma aula por semana.

A disciplina de Educação Visual e Tecnológica termina e é dividida em duas, dando origem à Educação Visual e a uma nova de Educação Tecnológica. É nesta última disciplina que passará a estar integrada a de TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) – que é eliminada do 9.º ano e passa para os 5.º e 6.º. 

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