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Nissan cancela fábrica de 156 milhões em Portugal

Foi anunciado como um dos maiores investimentos em Portugal nos últimos anos, mas a Nissan fez ontem saber que a fábrica de baterias em Cacia nunca vai sair do papel. O Bloco pretende saber que contrapartidas foram fornecidas à Nissan e que dinheiro público foi já investido no negócio.

A Nissan anunciou a suspensão da construção da fábrica de baterias em Cacia. Este investimento, do qual a primeira pedra foi lançada em Fevereiro de 2011, previa a criação de 200 postos de trabalho e um montante de 156 milhões de euros. A fábrica a construir em Portugal teria capacidade para produzir 50 mil baterias de iões de lítio por ano que seriam utilizadas para equipar os carros eléctricos do consórcio Renault-Nissan.

Foi apenas há nove meses, em Fevereiro, que foi lançada a primeira pedra deste complexo industrial, numa cerimónia montada com pompa e circunstância e que contou com a presença do, então, primeiro-ministro José Sócrates.

A Nissan "decidiu suspender a fábrica de baterias eléctricas em Portugal porque, após análise detalhada do plano de negócios, chegou à conclusão que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes para os objectivos", declarou ontem o porta-voz da empresa em Portugal.

Em declarações ao Jornal de Negócios, e embora tudo faça para parecer que não está a criticar o actual governo, esta empresa diz que o "fim dos incentivos aos veículos eléctricos é grave”. Com o Orçamento de Estado para 2012, PSD e CDS puseram fim ao apoio à aquisição de carros eléctricos. Este programa previa concessão de um montante de cinco mil euros aos primeiros cinco mil compradores destes veículos, um valor acrescido de mais 1.500 euros caso o comprador desse o seu carro poluente para abate.

O Bloco de Esquerda quer saber (ler requerimento) que contrapartidas foram fornecidas à Nissan e que dinheiro público foi já investido num negócio que nunca chegou a sair do papel. “É necessário que se tornem públicas as contrapartidas que foram dadas à Nissan para que o investimento ocorresse em Aveiro”, considera Pedro Filipe Soares. O deputado do Bloco lembra que “segundo o ministro da Economia da altura, haveria ‘apoios financeiros, fiscais ou apoios do QREN, pelo que é necessário esclarecer os portugueses de que apoios se falava”. 

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