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Saúde: Governo também vai além da troika na dança das cadeiras

Embora o acordo assinado com a troika refira explicitamente que os lugares de topo das administrações hospitalares devem estar reservados a “pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar", PSD e CDS estão a preencher os lugares com conhecidos dirigentes dos dois partidos.

Poucos meses depois de terem chegado ao governo, e mesmo depois do memorando de entendimento com a troika ter exigido contenção na mudança de cadeiras nas administrações hospitalares, CDS e PSD estão a “varrer” estes lugares com dirigentes dos dois partidos.

A escolha dos administradores hospitalares no Hospital de Viseu está a originar polémica até no seio da coligação de direita. Depois da nomeação de dois dirigentes locais do PSD, um dos quais dirigido a unidade hospitalar durante os mandatos de Durão Barroso e Santana Lopes, o vice-presidente do grupo parlamentar do CDS, Hélder Amaral, declarou ao Diário de Notícias “não estar "disponível para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado".

Três dos cinco novos gestores do Centro Hospitalar do Médio Tejo, militantes do PSD sem formação na área da saúde, vieram de uma empresa de tubos de plástico do Cartaxo. Em Aveiro e Coimbra o padrão mantém-se

O texto do acordo é explícito. Os presidentes e responsáveis das administrações hospitalares "deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar". Esta medida seria uma das primeiras aplicar, ainda este ano, mas o governo, em declarações ao jornal Público, diz que apenas diz respeito aos “institutos públicos e das direções-gerais", deixando de fora as entidades públicas empresariais tuteladas pelos ministérios das Finanças ou da Saúde.

Uma distinção sem sentido, diz João Semedo, lembrando que o Governo até já dispõe de enquadramento legal para o efeito. "O Governo passa os dias a louvar a sua isenção e contenção nas nomeações para os lugares de topo, mas estando a lei das nomeações por concurso na Função Pública aprovada, é uma falácia dizer que se aplica apenas à administração direta do Estado”, considera o deputado do Bloco que salienta o reforço da promiscuidade entre os partidos do poder e as nomeações que são feitas para os cargos públicos.

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