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Passe sub23, gordura do Estado?

O Governo vai acabar já em Janeiro com essa gordura do Estado que é o Passe Escolar sub23, para estudantes universitários.

Vivemos hoje num Portugal muito diferente do país que tínhamos há um ano atrás. O novo regime que está a ser imposto pelo PSD e CSD, com o consentimento do PS, é um regime de violência social extrema, de destruição da economia nacional que, no final das contas feitas, nos deixará em 2015 com ainda mais dívida do que agora. A austeridade cria recessão e aumenta a dívida.

Foram feitos cortes generalizados em setores essenciais, como na Educação, em que já 6 mil alunos universitários desistiram formalmente de estudar desde o início do ano. Numa histeria neoliberal, Nuno Crato corta tudo o que vê como inútil, como os sonhos de milhares de jovens que querem estudar e são obrigados a emigrar. Um Governo que corta em tudo, mas aumenta o subsídio às escolas privadas, diz tudo do seu fanatismo ideológico. A austeridade é contra cidadãos cientes e críticos, qualificados e dignos.

Além disso, o Governo vai acabar já em Janeiro com essa gordura do Estado que é o Passe Escolar sub23, para estudantes universitários. Este é o mesmo PSD que, quando estava na oposição, propôs alargar o passe aos sub25. Sem vergonha de ter a incoerência e a mentira como imagem de marca, o Governo lembra-se de cortar em todo o lado, mas esquece-se do passe sub25. E já que não há assim tanto protesto, que tal cortar o sub23? E os autocarros da noite. E fechar o metro às 23h. E 23 carreiras da Carris, grande parte delas importantíssimas para o direito à mobilidade em Lisboa. A austeridade corta onde há mais dificuldades.

O PSD e o CSD, com a abstenção (violentíssima) do PS, estão a dizer-te que se hoje pagas 15 euros pelo teu passe, em Janeiro vais passar a pagar cerca de 35 euros mensais. Estão a dizer-te que se trabalhas à noite, ou queres beber um copo, não tens transportes públicos que te levem a casa. Estão a dizer-te que a partir das 23h, mais vale ficar fechadinho em casa, porque o Metro já está fechado. E portanto também dizem aos empresários de diversão noturna, que mais vale fecharem mais cedo, porque os clientes não têm como chegar ao seu estabelecimento. Estão a dizer-te que quem pode mover-se em Lisboa é quem ainda pode pagar um carro. É quem pode apanhar táxi. O resto que fique quietinho e caladinho em casa. A austeridade tem recolher obrigatório.

Como sou incapaz de, como os nossos governantes, dizer que só há um caminho, digo-vos que há dois: um é ajoelhar-se e pagar. Pagar com cortes em áreas tão essenciais a uma vida digna, uma dívida que não é nossa. Baixar a cabeça e fingir que não é nada connosco. Ajoelhar-se e, pela insistência, admitir uma culpa de gasto acima das possibilidades que não é verdadeira. Mas há outra hipótese: não obedecer. É sair de casa. É dizer o que pensamos sobre a destruição do nosso país. É protestar quando nos tiram direitos. É divulgar as alternativas silenciadas pela Comunicação Social. É chamar a austeridade pelo seu verdadeiro nome: destruição generalizada.

Sobre o/a autor(a)

Gestor de redes sociais, investigador em comunicação política.
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