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Passos já prevê mais cortes nos salários

Em entrevista à SIC, Passos Coelho admitiu que em 2012, com a recessão a agravar-se e o país ainda mais pobre, o Governo poderá estender os cortes ao sector privado. José Gusmão criticou a "descontração" com que o PM já discute novos ataques ao salário, passadas apenas poucas horas da aprovação do "Orçamento mais violento e injusto da história da nossa Democracia".
A receita dos cortes é para continuar, admite Passos Coelho. Foto Andre Kosters/Lusa

Na entrevista televisiva desta quarta à noite, Passos Coelho admitiu o risco de haver um "declínio económico" em 2012 maior que o Governo previu. "Perante uma circunstância dessas, claro que nós teríamos de adotar novas medidas. Não quero nesta altura dizer que medidas poderão ser. Julgo que não é a altura adequada para estar a falar disso", declarou o primeiro ministro, que tinha sido questionado pelo editor de economia da SIC, José Gomes Ferreira, se não apresentará em 2012 um imposto extraordinário sobre os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do sector privado.

"Isto mostra que temos um governo que está a navegar à vista, que não compreende a crise que está a afetar a zona do euro e que tem um absoluto desprezo pelas dificuldades que está a impor à generalidade das pessoas", declarou o dirigente bloquista José Gusmão, reagindo às declarações de Passos Coelho, a quem acusou de "leviandade" e "descontração" por vir ameaçar à noite os trabalhadores com mais cortes após ver aprovado à tarde o "Orçamento mais violento e injusto da história da nossa Democracia".

José Gusmão lembrou ainda que há seis dias atrás, a Fitch reduziu o rating de Portugal, o que não cola com a justificação da "credibilidade" para cortar os salários. "O que o governo nos diz hoje é que quando esta intervenção da troika terminar e o PIB estiver mais pobre, o desemprego tiver atingido níveis recorde e a dívida pública também tiver subido para níveis nunca antes vistos em Portugal, aí sim a nossa economia terá credibilidade junto dos mercados", concluiu o dirigente do Bloco de Esquerda.

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