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"Governo e FMI são os maiores promotores da Greve Geral"

"A Greve Geral de dia 24 é a primeira vez que o país se levanta para responder à troika" que tem ocupado os telejornais nos últimos dias, afirmou Francisco Louçã numa sessão pública em Lisboa. O dirigente bloquista diz que as pessoas sabem que "a gravata deles vale mais que um salário mínimo nacional".
A mobilização para a Greve Geral é a prioridade do Bloco para responder à política do empobrecimento. Foto Paulete Matos/Flickr

Além da Greve Geral, o debate do Orçamento de Estado e a visita da troika esta semana foram os temas fortes dos discursos da noite de sexta-feira no Cineteatro Gymnasium. Recordando as palavras de Passos Coelho na campanha eleitoral, Louçã afirmou que agora "eles já chegaram ao pote e com este Orçamento de Estado querem transferir para si uma boa parte dos recursos públicos". E contrariou a versão dos banqueiros de que o dinheiro da recapitalização servirá para nacionalizar bancos. O que se passa é que "os acionistas desses bancos querem privatizar para si o dinheiro dos contribuintes porque não estão dispostos a arriscar o seu dinheiro" para recapitalizá-los. “Talvez não seja por acaso” que Dante, na sua obra-prima, a Divina Comédia, “reservava o círculo mais fundo do inferno para os banqueiros florentinos do Papa”, ironizou Louçã antes de referir que outro dos exemplos da "chegada ao pote" é a operação de transferência dos fundos de pensões da banca, um desejo antigo da banca de "passar as suas responsabilidades para a Segurança Social".

"Não aceitamos esta banha da cobra de que os sacrifícios estão a ser distribuídos por todos", afirmou Louçã antevendo que "2012 será um ano de lutas quentes" e que esta Greve Geral, de que "o Governo e a troika são os maiores promotores" terá uma adesão superior à do ano passado, segundo as indicações que os dirigentes do Bloco têm recolhido em vários encontros com direções sindicais e Comissões de Trabalhadores nos últimos dias.

Louçã referiu-se ainda à evolução recente da crise europeia para defender que a "emissão de eurobonds já não é suficiente" para travar a especulação. "Ou o Banco Central Europeu financia a economia e a resposta à recessão ou o euro não sobreviverá a esta crise", concluiu. Quanto ao debate sobre a dívida, Louçã saudou o lançamento esta semana duma iniciativa por uma auditoria em Portugal e lembrou também que "a Europa cresceu a partir da dívida". "Só a França deixou de a pagar 13 vezes, a Espanha 19 vezes" e "só nos últimos dois séculos, os países mais poderosos entraram em bancarrota 250 vezes e em incumprimento interno outras 68", e viu semelhanças com o atual cenário em que "existe um terço dos países desenvolvidos com uma crise bancária sistémica".

A recente mudança dos governantes de Itália e Grécia sem eleições foi o pretexto para o coordenador do Bloco sublinhar uma coincidência reveladora. “Há algo em comum entre todas as recentes nomeações para o poder de decisão, seja do BCE, seja do governo de Itália, seja do da Grécia, o que há de comum entre todos chama-se Goldman Sachs. O banco mais poderoso do mundo tem hoje os seus funcionários à frente do BCE e de dois dos governos onde o protesto, ou a crise, ou a divisão, levou a esta exigência de intervenção europeia”, disse, referindo-se a Mario Draghi, Mario Monti e Lucas Papademos.

Na sessão pública interveio também a deputada bloquista Mariana Aiveca, que deu exemplos de alguns dos ataques mais violentos aos direitos dos trabalhadores "conquistados em muitas décadas de luta", como a redução das indemnizações por despedimentos que o Governo quer aplicar a todos os contratos. "De uma penada, destroem as expectativas de tantos anos de trabalho", denunciou Mariana Aiveca ao falar de "gente que trabalhou vinte, trinta anos para a mesma empresa e agora é confrontado com um teto de 12 meses nas indemnizações". A redução do pagamento das horas extraordinárias, com o "corte de 25% na primeira hora e 37% na segunda" farão sofrer "quem ganha 700 ou 800 euros e conta com esse trabalho para pagar as despesas de educação dos filhos, são pessoas que vão ficar mais pobres", acrescentou a deputada do Bloco.

Mariana Aiveca concluiu que o está em marcha é um autêntico "ajuste de contas" da direita com as conquistas dos trabalhadores. "Querem que os nossos filhos e netos vivam pior que os seus pais e avós", o que para a deputada bloquista são razões de sobra para o reforço da mobilização para a Greve Geral.

Deolinda Martin, dirigente sindical dos professores, recordou que "o progresso social na história dos povos deve-se a muitas lutas difíceis" e o que hoje está em causa "não são interesses particulares, mas um projeto de sociedade. "A Greve Geral far-nos-á sentir dignificados e unidos", defendeu Deolinda Martin antes de afirmar que é com a mobilização para a greve que se poderá mostrar que "não deixaremos mais que nos tratem como descartáveis".

A abertura da sessão pública do Bloco coube a Belandina Vaz, professora contratada, que referiu alguns dos efeitos que os cortes na Educação estão a produzir: "mais alunos por turma e redução de professores", numa altura em que "muitos milhares de professores continuam à espera de vinculação porque não existe neste setor a mesma obrigatoriedade de entrada no quadro após três anos de trabalho". "É preciso fazer greve porque o roubo e a austeridade não são inevitáveis, como nos querem fazer crer", concluiu Belandina Vaz.

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