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Contracção do PIB mostra "efeitos catastróficos" da política do Governo

A recessão agrava-se com o PIB a contrair-se mais 0,4% no terceiro trimestre. Estes dados revelam que a política do Governo está a ter “efeitos catastróficos” na economia e anuncia o “avolumar do desemprego” em 2012, defende a deputada bloquista Ana Drago.
Este é o terceiro trimestre consecutivo em que a economia portuguesa encolhe em comparação com o ano anterior. Em cadeia (face ao trimestre anterior), também se registou uma quebra, de 0,4 por cento. Foto de Paulete Matos.

O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,7 por cento no terceiro trimestre deste ano face ao mesmo período do ano anterior, anunciou esta segunda-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é o terceiro trimestre consecutivo em que a economia portuguesa encolhe em comparação com o ano anterior. Em cadeia (face ao trimestre anterior deste ano), também se registou uma quebra de 0,4 por cento.

O INE explica o agravamento do ritmo de queda do PIB pela desaceleração das exportações, "que ainda assim mantiveram um crescimento elevado", cita a Lusa. A estimativa rápida do INE explica ainda a aceleração do ritmo de queda do PIB pela "redução mais expressiva do investimento", enquanto o consumo das famílias "manteve uma acentuada diminuição".

O PIB português caiu estagnou em 2008 e caiu 2,5% em 2009, na sequência da crise financeira e económica desse ano, e subiu 1,4% em 2010. O actual Governo e a Comissão Europeia prevêem uma queda de 1,9% este ano. Para o ano, as suas previsões são de respectivamente -32,8% e -3,0%.

Também os indicadores avançados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) dizem que a economia portuguesa vai continuar a deteriorar-se nos próximos meses. Aliás, foi o oitavo mês consecutivo em que os indicadores para Portugal caíram.

São os "efeitos catastróficos" da política do Governo

“Estes números vêm provar que a estratégia agora desenvolvida pelo Governo e aprovada no Orçamento do Estado [para 2012]está a ter efeitos catastróficos ao nível do sistema económico. O Orçamento do Estado não tem qualquer política ou estratégia para fomentar o crescimento económico e o nosso receio é que estejamos a caminhar, no ano de 2012, para um avolumar do desemprego e para uma contracção económica muito maior”, disse à Lusa a deputada Ana Drago.

A deputada referiu-se ainda às declarações do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que disse, esta segunda-feira, no Parlamento que 2012 “será o ano do fim da crise”.

“Já vários ministros da Economia tiveram a mania de vir anunciar o fim da crise, mas a verdade é que não há nenhuma estratégia para o crescimento económico e a criação de emprego na política orçamental do Governo”, afirmou Ana Drago.

Para a deputada do Bloco, os números conhecidos esta segunda-feira denunciam uma “economia doente” e com “enormes dificuldades em reagir a esta política de austeridade”. Ana Drago sublinhou ainda “a enorme diminuição do consumo das famílias”, com um “enorme impacto sobre as pequenas e médias empresas, que são o sustentáculo do emprego em Portugal, anunciando o crescimento acelerado do desemprego.”

Esta contracção do PIB, para o Bloco, “mostra também como o sector das exportações, anunciado pelo Governo como aquele que permitiria salvar e reconverter a economia portuguesa, está também em desaceleração no quadro de austeridade e estagnação económica que existe no quadro europeu”.

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