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Diálise: Bloco acusa Governo de ceder à chantagem dos privados

A empresa NephroCare anunciou que vai deixar de fazer diálise a portadores de vírus de hepatite B. “O ministro da Saúde veio dizer que esta é uma decisão unilateral e inaceitável, mas também já disse que estavam a ser estudadas alternativas no SNS para acolher esses doentes, ora, isto significa que já aceitou a chantagem”, acusou o deputado João Semedo.
Diálise – Foto de jimforest/Flickr

“A mim não me descansa nada que o ministro considere que esta é uma decisão unilateral e que faça críticas e depois diga que já está a tratar da situação, porque assim já cedeu”, afirmou o deputado João Semedo à agência Lusa.

O deputado do Bloco questionou (aceda à pergunta na íntegra) nesta terça feira o ministério da Saúde sobre a decisão da empresa NephroCare de deixar de fazer diálise a doentes renais portadores de infecção pelo vírus da Hepatite B e requerendo às ARS que transfiram esses doentes para outros centros de diálise, já no próximo mês de Novembro.

João Semedo pergunta ao ministério se “a passagem para o SNS da responsabilidade e dos encargos pela hemodiálise dos portadores de hepatite B foi admitida e aceite pelo Governo durante as negociações que conduziram à diminuição [em 12,5%] do valor a pagar aos convencionados”, se “o Governo vai aceitar a decisão da Nephrocare” e, “a concretizarem-se as intenções da Nephrocare como vai o governo garantir a continuidade da hemodiálise” aos 65 doentes referidos pela empresa.

Na pergunta do Bloco refere-se que “a urgência da empresa em libertar-se daqueles doentes é tão grande que, nas cartas enviadas às ARS, anunciando a sua decisão, a Nephrocare trata logo de identificar, pelo seu nome completo, todos os 65 doentes que vai deixar de tratar, numa prática que viola grosseiramente o dever de respeitar e proteger a privacidade daqueles doentes e a confidencialidade da informação clínica que lhes diz respeito”.

O Bloco de Esquerda diz que “são afectados os doentes renais com hepatite B até agora tratados nas clínicas daquela empresa em Faro, Coimbra, Guarda, Viseu, Lisboa, Lumiar, Barreiro, Ponte da Barca, Braga, Gaia, Feira e Maia” e alerta: “Se outras clínicas tomarem a mesma decisão, serão mais de 100 os doentes que ficam privados de hemodiálise”.

À Lusa, o deputado João Semedo salienta que ao acautelar a diminuição do preço pago aos privados, “que é bom para o Estado”, a tutela devia ter garantido também que a prestação de cuidados “não seria alterada”, concluindo: “Das duas, uma, ou os convencionados não foram sérios ou foi o Governo que não foi sério com os portugueses, ao não dizer que tinha aceite essas condições”.

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