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ETA anuncia o fim da luta armada

Comunicado põe fim a 43 anos de conflito violento e afirma o início de um novo ciclo de diálogo e de acordo. Zapatero destaca a importância do anúncio e afirma que caberá ao "governo e ao Parlamento que saírem das eleições" a gestão da nova etapa.
“Estamos perante uma oportunidade histórica", afirma a ETA

A organização independentista basca ETA anunciou esta quinta-feira que “decidiu cessar definitivamente a sua acção armada”, num comunicado divulgado pela edição online do diário Gara. As acções armadas da organização duraram 43 anos.

“A ETA faz um apelo aos governos de Espanha e de França para abrir um processo de diálogo directo que tenha por objectivo a resolução das consequências do conflito e, assim, a superação da confrontação armada. A ETA, com esta declaração histórica, mostra o seu compromisso claro, firme e definitivo”, diz a organização, que se define a si mesma como “organização socialista revolucionária basca de libertação nacional” .

No comunicado, a ETA refere-se à Conferência Internacional que decorreu segunda-feira em San Sebastián que considerou “uma iniciativa de grande transcendência política”.

A resolução aprovada no final desta conferência “reúne os ingredientes para uma solução integral do conflito e conta com o apoio de amplos sectores da sociedade basca e da comunidade internacional”, considera a ETA, considerando que no País Basco se está a abrir “um novo tempo político”.

“Estamos perante uma oportunidade histórica para dar uma solução justa e democrática ao secular conflito político. Contra a violência e a repressão, o diálogo e o acordo devem caracterizar o novo ciclo”, sublinha.

“A luta de longos anos criou esta oportunidade. Não foi um caminho fácil. A crueza da luta levou muitos companheiros e parceiros para sempre. Outros estão a sofrer o cárcere ou o exílio”, sublinha. “Para eles e elas o nosso reconhecimento e a mais sentida homenagem”.

Finalmente, a ETA “faz um apelo à sociedade basca para que se implique neste processo de soluções até construir um palco de paz e liberdade”.

O chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, destacou a "importância e transcendência" do anúncio da ETA e assinalou que caberá ao "governo e o Parlamento que saírem das eleições" a gestão desta nova etapa.

Conferência de paz

O presidente do Sinn Féin da Irlanda do Norte, Gerry Adams, aplaudiu o "decisivo" comunicado e apelou aos governos espanhol e francês a iniciar conversações que abordem “exclusivamente as consequências do conflito”.

Recorde-se que a conferência de paz realizada em San Sebastián, na segunda-feira, promovida pelo movimento social Lokarri, apoiada pela esquerda abertzale e apadrinhada pelo grupo internacional de contacto formado em Março do ano passado pelo advogado sul-africano Brian Currin, pediu à ETA o fim definitivo da violência. Na conferência participaram, entre outros, o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o líder do Sin Fein irlandês, Gerry Adams, e Gro Harlem Bruntland, antiga primeira-ministra da Noruega.

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