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“O Governo está a impor um novo regime social”

Num debate marcado pelas medidas de choque do Orçamento de Estado para 2012, Francisco Louçã lembrou o discurso do PSD na oposição e as suas propostas eleitorais. Tudo o que o primeiro-ministro prometeu na campanha eleitoral "passou a ser mentira", resumiu o deputado do Bloco.
Foto de Tiago Petinga/Lusa

 

 

Num debate marcado pelas medidas de austeridade ontem anunciadas, Francisco Louçã questionou a natureza do desvio orçamental ontem invocado por Pedro Passos Coelho, recordando que nenhum dos indicadores do Instituto Nacional de Estatística corrobora os números invocados pelo Governo. Tudo o que se conhece, aliás, comprova que foram as medidas recentemente implementadas que "já fazem cair as receitas fiscais", declarou o deputado do Bloco de Esquerda.

O Governo está “escrever uma nova Constituição, um novo pacto da relação com o cidadão, e é por isso que não pode responder por aquilo que disse durante a campanha eleitoral”. A campanha tornou-se uma mentira”, considerou Francisco Louçã. o deputado do Bloco acusou o Governo de não ter nenhuma proposta para fazer crescer a economia e de estar a atirar o país, com estas medidas, para uma recessão superior a 4% no próximo ano.

 “Os portugueses já começam a saber a resposta. Trabalha-se mais para sermos mais pobres. É a economia das piranhas, mais 15 dias de trabalho gratuito para a economia cair mais, menos dois meses de salário para a economia ficar pior, tirar dois meses de pensões aos nossos pais para melhorar a vida social”. Estas medidas “só podem dar errado”, concluiu o deputado do Bloco de Esquerda.

Francisco Louçã acusou ainda o primeiro-ministro por, depois de ter tirado metade do subsídio de Natal de 2011, retirar agora a totalidade dos de férias e Natal dos próximos dois anos, navegar de medidas provisórias em medidas provisórias que vão permanentemente diminuindo os salários e direitos dos portugueses.

Na resposta ao Bloco de Esquerda, Pedro Passos Coelho desvalorizou o impacto recessivo da brutal diminuição de rendimentos imposta aos pensionistas e funcionários públicos, dizendo que uma estimativa de 4% de recessão para 2012 só pode ser um “lapso”.

Recorde-se que, desde que a nova maioria de direita tomou posse, as previsões económicas para 2012 já foram revistas em baixa duas vezes. Partindo de uma estimativa de recessão de 1,8%, o Banco de Portugal fala agora numa diminuição do produto nunca inferior a 2,2%.. Todos estes indicadores são anteriores ao anúncio das medidas recessivas propostas no Orçamento de Estado para o ano que vem.

Louçã vs. Passos I: "Com este governo, trabalha-se mais para sermos mais pobres"

Louça vs. Passos II: "O Governo está a impor um novo regime social"

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