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O banquete das privatizações

É um fartar vilanagem…à custa de recursos públicos que são de todos os portugueses. O Estado vai deixar de receber milhões em dividendos de empresas que vão ser vendidas a preço de saldo.

O plano de privatizações do governo de Passos Coelho é um verdadeiro banquete para os interesses económicos que se perfilam para abocanhar sectores estratégicos da economia portuguesa. É um fartar vilanagem…à custa de recursos públicos que são de todos os portugueses. O Estado vai deixar de receber milhões em dividendos de empresas que vão ser vendidas a preço de saldo.

Está em perspetiva a saída do Estado de importantes sectores e empresas estratégicas para o desenvolvimento do país nomeadamente nas áreas da energia, das comunicações, do transporte aéreo e ferroviário ou na comunicação social, a que se junta a abdicação das golden share na PT, EDP e GALP.

O que está em causa é a delapidação do erário público, dado que querem vender a qualquer preço um património que é de todos. Contabilizando apenas oito das vinte empresas e dois anos de operação, constata-se que geraram mais de 11 mil milhões de euros de resultados líquidos para os seus accionistas.

Trata-se de um plano de extorsão, com a entrega de empresas de referência, como os CTT, a ANA e a TAP, a EDP e a REN, o ramo segurador da CGD, dando passos na entrega total do sector financeiro aos grandes grupos económicos, ao mesmo tempo que se introduzem medidas que descaraterizam a função social e o funcionamento da CARRIS, da STCP e do Metro de Lisboa e Porto, com vista à alienação/concessão das carreiras e linhas mais rentáveis.

Estamos perante um plano irresponsável, que prevê a privatização das Águas de Portugal, num quadro de mercantilização da água, bem público essencial à vida, e a entrega das áreas mais rentáveis da CP ao sector privado, como a CP – carga, a EMEF, única empresa em Portugal de reparação e construção de material ferroviário, e a exploração das linhas ferroviárias.

Com este plano perdem as populações, que pagarão mais por menos e piores serviços públicos. Ficam sem transportes públicos, nas regiões do interior do país, bem como das grandes áreas metropolitanas com menos carreiras e cada vez mais caras e inacessíveis. Sem distribuição diária do correio em muitas zonas do país, a par da deterioração da qualidade do serviço prestado em termos nacionais. Com a perspetiva de aumento das tarifas de eletricidade para garantir os escandalosos lucros dos acionistas da EDP.

Nos seus Cadernos de Lanzarote, José Saramago dá a melhor resposta a estes políticos público-privados do rotativismo que nos governa:

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
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