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CGTP: programa de estágios para desempregados é propaganda

Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, considera que o programa anunciado na noite desta segunda-feira pelo governo para dar apoio a estágios profissionais de desempregados é uma forma de esconder o fundamental: o combate à recessão.
Carvalho da Silva: ‘Com bolos se engana o povo’. Foto de Paulete Matos

“Há um velho ditado que diz: ‘Com bolos se engana o povo’”, aponta o secretário-geral da CGTP. “Muito dinheiro foi entregue ao longo dos anos em nome de formação a empresas, e a maior parte dos empresários – houve excepções positivas, com certeza –, mas a maior parte, em nome de estar a fazer formação, usa mas é o trabalho das pessoas disponíveis e não há formação nenhuma, não há nenhuma perspectiva de envolvimento futuro no emprego”, disse à rádio TSF.

O ministro da Economia e Emprego anunciou na noite de segunda-feira que o governo vai lançar um programa, no valor de cerca de 100 milhões de euros, com o objectivo de dar trabalho a desempregados há mais de seis meses. Álvaro Santos Pereira disse no programa “Prós e Contras” da RTP1 que o programa visa pedir às empresas que empreguem trabalhadores desempregados há mais de seis meses. Estes trabalhadores receberão formação e cerca de 420 euros. No total, o programa envolveria 35 mil desempregados de longa duração.

Esconder o que é fundamental

Mas Carvalho da Silva recordou que “a generalidade das empresas andam aí dizer que têm de reduzir o emprego, o Estado anda a reduzir o emprego. Estamos cheios de propaganda para esconder o que é fundamental: o combate à recessão económica e a criação de emprego.”

Já João Proença, da UGT, considerou positiva a medida, mas sublinhou o seu carácter pontual. “Aliás, também não se percebe como é que se liga com o anúncio que foi feito que vão ser criadas medidas ligadas à diminuição da Taxa Social Única para as empresas que criam postos de trabalho”, afirmou. E acrescentou: “Tal como é anunciada, aparece como uma espécie de programa de estágios. Não é dito como é que vai ser verificada a qualidade do emprego, não é dito qual é o tipo de estabilidade do emprego que é garantido a esses trabalhadores que fazem a formação, se é um posto de trabalho permanente ou se é um posto de trabalho temporário, propondo-se uma verba relativamente avultada”.

Empresas já têm isenção da TSU quando empregam desempregados de longa duração

Por seu lado, o presidente da CIP, António Saraiva, afirmou que “todas as medidas são de aplaudir mas têm de ser enquadradas num plano ambicioso de crescimento para a competitividade das empresas. Subscrevo todas as medidas que visem a criação de emprego, mas a eficácia da medida, se desgarrada de um enquadramento mais global será insuficiente”, falando à agência Lusa.

António Saraiva recordou que as empresas já usufruem de isenção da Taxa Social Única quando empregam jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, e nem por isso o combate ao desemprego tem sido eficaz.

“Não é porque as medidas não são virtuosas, é porque as condições em que as nossas empresas se encontram não permitem a situação líquida do emprego. Estamos num mercado interno recessivo, num enquadramento internacional complexo e competitivo", lembrou.

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