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Passos e Cavaco em silêncio sobre buraco da Madeira

Reunião entre primeiro-ministro e presidente durou duas horas, mas não houve declarações à saída. Público fala de um terceiro buraco. Bloco de Esquerda-Madeira pede responsabilização criminal dos autores do “desvario financeiro da Madeira”, em primeiro lugar do próprio presidente do governo regional.
Passos e Cavaco em silêncio sobre este "desvio colossal". Foto de MIGUEL A. LOPES / LUSA

O presidente da República esteve reunido na segunda-feira por mais de duas horas com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho para discutir a situação das contas da Madeira, mas o encontro terminou sem declarações.

O primeiro-ministro, que defendeu durante a campanha eleitoral que os responsáveis por gastar muito mais do que estava orçamentado deveriam ser “responsabilizados civil e criminalmente” pelos seus actos, cala-se agora diante dos buracos “colossais” nas finanças públicas causados pelo presidente do PSD-Madeira.

Buracos que, aliás, não param de crescer. Segundo o Público desta terça-feira, o Tribunal de Contas está a investigar um novo buraco de 220 milhões de euros na Madeira, o que levaria as dívidas ocultas a perto de 1.891 milhões. O buraco foi contraído na sequência de um empréstimo pela Empresa de Electricidade que o Governo regional “desviou” para pagar despesas de funcionamento, incluindo salários e subsídios de férias de pessoal da Administração Pública Regional.

Assediado pelos jornalistas, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, desvalorizou a importância das novas revelações, afirmando que os impactos no défice orçamental de 2011 das derrapagens madeirenses deverão ser "muito limitados".

13 mil milhões desde 2000

Na viragem do século, as dívidas da Madeira estavam quase a zero, porque o governo de António Guterres as tinha assumido na sua maior parte. A partir daí, segundo números compilados por Carlos Pereira, deputado socialista na assembleia regional madeirense e citados pelo Diário Económico, o Estado entregou à Madeira 3.576 milhões de euros em transferências. A essa quantia, é preciso somar cerca de dois mil milhões de euros vindos de fundos comunitários e uma verba aproximada de 7,7 mil milhões referentes às receitas fiscais da própria região autónoma. No total, mais de 13 mil milhões de euros que não impediram Alberto João Jardim de gastar tudo e ainda criar um défice “colossal”, que financiou as inaugurações que agora, em época eleitoral, está a fazer à razão de três por dia.

Punir os responsáveis

“Os responsáveis por este verdadeiro crime têm de ser punidos”, reagiu Roberto Almada, cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições regionais de 9 de Outubro. “Não aceitamos desculpas de mau pagador de que isso estava tudo aí à vista desarmada e qualquer pessoa poderia dar com esta dívida escondida com o rabo de fora. Não, estava bem escondida”, acusou o dirigente bloquista, para quem o povo da Madeira tem agora uma oportunidade de ouro “para derrotar quem desbarata os nossos recursos”. E insistiu: “A Madeira é uma verdadeira tragédia grega, é uma Grécia no meio do Atlântico”.

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