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Só um Primeiro-ministro com medo ameaça as pessoas

No mesmo dia, Passos Coelho anunciou o fim da crise para 2012 e ameaçou quem se manifestar contra as suas políticas injustas. Já se sente o cheiro a medo.

No seu discurso da Universidade de Verão do PSD, Passos Coelho informou os portugueses que tinha “escolhido fazer do ano de 2012 o ano do princípio do fim da emergência nacional” e acrescentou que no Governo “vamos respeitar o que foi acordado” para o país “superar estas dificuldades”.

Logo depois, o Primeiro-ministro apontou baterias ao movimento social e disse que “pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal”, acrescentando ainda que “nunca iremos por aí”.

Seguidamente, disse não confundir o direito de manifestação e o direito à greve com “aqueles que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal”.

Já esta terça-feira, o seu parceiro de coligação, Paulo Portas, reforçou que uma “onda de greves sistemáticas não teria outra consequência se não empobrecer mais o país e tornar mais difícil a vida de quem já tem uma vida muito difícil”.

Estas declarações destes líderes dos partidos do Governo deixam no ar a clara impressão de que a coligação teme essencialmente duas coisas: 1) que as pessoas comecem a acordar do discurso da inevitabilidade da austeridade quando se tornar claro que as políticas recessivas e anti-sociais só irão piorar a situação; 2) que seja nas ruas que irão encontrar o maior obstáculo à imposição de novas medidas de austeridade.

Passos Coelho, aliás, usa no seu discurso a velha técnica do pau e da cenoura, pois se por um lado diz que o fim está próximo, por outro avisa que quem se manifestar terá de enfrentar a “decisão” do Governo.

De facto, o Primeiro-ministro veicula uma mensagem propositadamente confusa, entrelaçando as mobilizações sociais que incendeiam as ruas em sentido figurativo, com as imagens de carros a arder que vimos nos motins de Londres. Depois, ainda remata apelando ao sentido patrioteiro e dizendo que isso seria “queimar Portugal”, mais uma vez usando a imagem dos incêndios para assustar a população. Para além disso, o chefe de Governo fala ainda das redes sociais e avisa que não permitirá tumultos.

Estas são afirmações de uma coligação que já começou a ser atacada pelos próprios partidos que a compõem, que sabe que se acabou o seu estado de graça, que tem consciência que a situação não irá melhorar e que sente que o protesto das pessoas nas ruas será intenso e potencialmente letal para o Governo.

Já sabemos que, ao contrário do que diziam na oposição, o Governo não consegue cortar em nenhumas “gorduras” do Estado e que, pelo contrário, corta onde dói mais e aumenta os impostos só sobre os que trabalham, esquecendo-se das grandes fortunas. Este Governo tem medo que se perceba que não tem soluções para o país.

Assim, após analisarmos as frases de Passos e Portas, cabe-nos entrar com ambos os pés na mobilização para parar as políticas de austeridade. Se o Governo teme as mobilizações nas ruas e tenta criminalizá-las, é nosso dever criar mobilizações que transportam alternativa e política e que refutam os argumentos do Primeiro-ministro.

As pessoas de esquerda têm de se mobilizar para os combates que aí vêm e não aceitar a ameaça do Governo, e já há vários motivos para sair à rua: este Sábado, dia 10 de Setembro, haverá uma manifestação de professores desempregados; a 16 de Setembro a Fenprof saí à rua; dia 1 de Outubro a CGTP convocou uma manifestação nacional; e a 15 de Outubro haverá uma manifestação internacional contra as políticas de austeridade. Está na hora de fazer a luta toda.

Sobre o/a autor(a)

Engenheiro e mestre em políticas públicas. Dirigente do Bloco.
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