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Despedimentos a saldo

No meio de tanta hipocrisia ainda há alguém que fala verdade: os patrões querem despedir, e querem despedir baratinho.

Daqui a dois dias o despedimento entra em saldo. A coligação PSD/CDS vai aprovar sozinha a flexibilização do despedimento, em concreto: a redução da indemnização perante despedimento para apenas 20 dias por ano de trabalho - novas regras aplicáveis a todos os novos trabalhadores, na prática extensíveis a todos os actuais trabalhadores.

Há aqui vários problemas, um problema ideológico, um problema constitucional, e um problema laboral e económico. Todos levantam questões. Discutir a constituição e direitos adquiridos parece que não está na moda, por isso vamos a aquilo que interessa: a flexibilização do despedimento promove a criação de emprego? Espero pacientemente há anos que me mostrem provas da relação entre as duas variáveis mas elas insistem em não aparecer. Aliás, perante a crise financeira e económica não deixa de ser engraçado que as economias europeias com maior proteção laboral criam mais emprego e mais crescimento económico do que qualquer outra.

Deveria portanto concluir que a ideia é simplesmente tonta mas João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e dos Serviços vai mais longe e admite tudo o que deveria ser inadmissível: "Evidentemente, porque queremos baixar os custos das restruturações das empresas". Agradeço a honestidade, é agradável saber que no meio de tanta hipocrisia ainda há alguém que fala verdade: os patrões querem despedir, e querem despedir baratinho, o crescimento económico e a criação de emprego são coisa de rico, nós aqui em Portugal somos especializados no despedimento do indígena, qualquer dia entramos no outsorcing do despeding.

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