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Risco de “calotes” americanos abre receio de "cataclismo" nos mercados

Os Estados Unidos da América estão a uma semana de se tornarem incumpridores de pagamentos à sua administração pública, aos veteranos de guerra, a credores estrangeiros se a Administração Obama e o Partido Republicano não resolverem o braço de ferro em torno do limite da dívida pública.
Visualização da dívida norte-americana em notas de 100 dólares. Foto Christopher Rasch/Flickr

Existe a convicção de que as duas partes não irão até à ruptura mas reina o nervosismo nos mercados financeiros e respectivos símbolos, desde a directora geral do FMI a Wall Street, que não hesitam em recorrer à palavra “cataclismo” de âmbito mundial se o cenário se concretizar.

São muitas as divergências entre Obama e os democratas de um lado e os republicanos, que dominam a Câmara dos Representantes, do outro. No entanto, que impede verdadeiramente o acordo é o calendário para integração do limite do défice no orçamento. A Casa Branca insiste que a alteração deve fazer-se de uma só vez, válida até 2013, portanto já depois das eleições presidenciais do próximo ano. Os republicanos, através do presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, pretendem que a operação seja a dois tempos: um aumento até Fevereiro ou Março de 2012 e o outro até 2013.

Obama contesta porque, em seu entender, uma crise do mesmo tipo seria reaberta dentro de nove meses, praticamente já em plena campanha eleitoral; Boehner argumenta que o presidente “quer um cheque em branco”. Analistas políticos norte-americanos consideram que o duelo é um verdadeiro braço de ferro com um conteúdo eleitoral em que ambas as partes testam reacções perante as suas próximas linhas económicas e orçamentais.

Na sequência de uma mensagem televisiva presidencial pedindo aos cidadãos para que façam sentir aos seus representantes a necessidade de se entenderem, Washington tem estado nas últimas horas sob uma tempestade de chamadas telefónicas e mails, sufocando comunicações, websites de representantes e agitando o Twitter através da campanha “Fuck You Washington”.

A dívida pública norte-americana é de 14300 biliões de dólares, equivalente a cerca de 100 por cento do PIB, e, mais do que a definição do limite da dívida, o que divide os dois partidos do sistema de poder norte-americano são os conteúdos das reduções de gastos que devem acompanhar esse aumento. Os republicanos pretendem cortes entre 2700 e três mil biliões e os democratas vão até aos mil biliões contando com mais 1200 biliões que venham a resultar das retiradas do Afeganistão e do Iraque.

Os números nem sempre dão uma ideia da envergadura dos montantes envolvidos, o que levou um website a defini-la graficamente a partir da acumulação de notas de cem dólares de modo a perfazerem o total da dívida do Estado federal norte-americano. Os resultados podem ser encontrados aqui .

As agências de notação, que mantêm a dívida norte-americana sob pressão, consideram que sem cortes de despesas de quatro mil biliões não haverá condições para travar a “indisciplina orçamental”.

A imprensa norte-americana recorda que desde que o aumento da dívida norte-americana se tornou vertiginoso, a partir das administrações Reagan nos anos oitenta, os limites já foram alterados cerca de 40 vezes, o que torna inusitado o prolongamento da resistência republicana em relação ao tecto. Alguma imprensa europeia lembra também que os alargamentos dos limites das dúvidas públicas são frequentes em Estados da União Europeia, inclusivamente na Alemanha, que em 1949 estabeleceu na sua Constituição um limite para o défice e logo deixou de cumprir essa norma.

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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