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Júlia Lopes de Almeida

 

Júlia Valentina da Silveira Lopes de Almeida (1862-1934) estreou a sua carreira de escritora em 1881, escrevendo na Gazeta de Campinas. Desde cedo mostrou forte inclinação pelas letras, embora no seu tempo de moça não fosse de bom-tom nem do agrado dos pais, uma mulher dedicar-se à literatura.

Numa entrevista concedida a João do Rio entre 1904 e 1905, confessou que adorava fazer versos, mas os fazia às escondidas. Em 28/11/1887 casou-se com um jovem escritor português, Filinto de Almeida, à época director da revista A Semana, editada no Rio de Janeiro, que recebeu a colaboração sistemática de Dona Júlia por anos.

A sua produção literária foi vasta, mais de 40 volumes abrangendo romances, contos, literatura infantil, teatro, jornalismo, crónicas e obras didácticas. Na sua coluna no jornal O País, durante mais de 30 anos, discutiu variados assuntos e fez diversas campanhas em defesa da mulher. Participou das reuniões de formação da Academia Brasileira de Letras, da qual ficou excluída por ser do sexo feminino.

A sua colectânea de contos Ânsia Eterna, 1903, sofreu influência de Guy de Maupassant e uma das suas crónicas veio a inspirar Artur Azevedo ao escrever a peça “O dote”. Em colaboração com Felinto de Almeida, seu marido, escreveu, em folhetim do Jornal do Comércio o seu último romance “A casa verde”, 1932.