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Seguro contra o Bloco

António José Seguro escreveu sem margem para dúvidas na Moção que sustenta, e vem insistindo no tema, que PS e PSD devem acercar-se de um entendimento em matéria de leis eleitorais.

Num momento em que reagimos ao governo PSD/CDS, o executivo que vai estabelecendo uma deriva austeritária e conservadora a todos os níveis da sociedade e do Estado, é até estranho ter que chamar a atenção para o PS, cujas responsabilidades na crise e no acordo com a troika são bem conhecidas e julgadas. Mas acontece que no debate interno do PS, à procura de um líder,o candidato mais plausível de se sagrar vencedor tem defendido um conjunto de acordos com o PSD, muito para além do rol das medidas da troika.

António José Seguro, é das suas opiniões que falo, escreveu sem margem para dúvidas na Moção que sustenta, e vem insistindo no tema, que PS e PSD devem acercar-se de um entendimento em matéria de leis eleitorais. Com total desprezo pela proporcionalidade como critério de conversão de votos em mandatos, Seguro recupera a proposta, que o PS já tinha deixado cair, da criação de círculos uninominais para a eleição de deputados à Assembleia da República. É sabido que esse mecanismo serve apenas para facilitar a formação de maiorias, atribuindo aos maiores partidos mais deputados com bastante menos votos. Seguro implora, ao mesmo tempo, um acordo ao PSD para a lei eleitoral autárquica, em nome de executivos homogéneos, para acabar com a eleição directa das câmaras municipais, votando-se apenas para as assembleias municipais onde se forma o executivo, liquidando vereadores da oposição. Não há quem não saiba, com um mínimo de atenção à política, que os principais prejudicados destas manigâncias de engenharia eleitoral são os partidos à esquerda, prejudicados fortemente no número de eleitos para a Assembleia da República, Câmaras Municipais e Assembleias Municipais.

Esta posição de Seguro, e a confirmar-se do próprio PS, são uma declaração grave de hostilidade do PS à sua esquerda e, em particular, ao Bloco de Esquerda. Em tudo isto, o outro candidato à sucessão de Sócrates é omisso. Como se percebe, o silêncio é também fraca desculpa em matéria de regime democrático para o golpe que há muito os partidos do centrão pretendem submeter ao voto das pessoas, ao voto popular.

Falando de namoro com o governo de Passos, vá-se lá saber porquê os média fizeram passar a ideia que António José Seguro rejeitaria uma revisão da Constituição com o PSD... Não é isso que se pode ler na Moção "Novo Ciclo", onde se abre a porta a acordos que estariam na calha na legislatura anterior(?). Isto é, mesmo agora, o PS amarra-se ainda mais ao PSD, não fosse a troika coisa pouca. Fiquem certos:a hostilidade será bem denunciada aos eleitores socialistas e democratas, quem quer roubar votos?

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, professor.
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