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Por trás do G20 está sempre o G8!

O G20 vai reunir a 2 de Abril em Londres para discutir o nosso futuro e o do mundo. Poderá o G20 salvar o planeta dos efeitos da crise? Isto não está verdadeiramente na sua ordem de trabalhos. Não se espera que ele se ocupe, por exemplo, com a redistribuição da riqueza, com as taxas sobre as transacções financeiras e com as ecotaxas sobre o CO2, com as normas sociais. Vai sobretudo discutir a crise financeira, um pouco da crise económica e provavelmente da crise monetária. Vai endossar as questões comerciais à OMC e as questões ambientais à reunião de Copenhaga.

Artigo de Gustave Massiah, publicado em Alterinter.

Na preparação de Londres, os países do G20 estão divididos em três grupos. Uns, anglo-saxões, atrás da Grã-Bretanha, pensam que não é preciso discutir senão programas de relançamento e que a refundação do sistema internacional não é prioritária. Para esses é urgente esperar e beliscar os grandes interesses apenas no mínimo indispensável. O neoliberalismo está suspenso, mas continua a ser a referência. A posição dos Estados Unidos vai igualmente neste sentido, ainda que a nova administração, que ainda não está completa, possa reservar surpresas. Os conselheiros de Obama fazem constar que este G20 chega muito cedo.

Os outros, como os europeus do continente, defendem, pelo menos em palavras, a regulação e a reforma do sistema internacional. Propõem uma lista negra reforçada dos paraísos fiscais e judiciários. Mas a França que quer estar na vanguarda, pelo menos pelas suas declarações, evitou condicionar a ajuda aos bancos ao fim destas práticas, contrariamente à administração norte-americana que atacou o sigilo bancário suíço. A recapitalização do FMI, que custará algumas centenas de milhares de milhões, não se traduzirá por uma reforma consistente desta instituição. Mesmo a dupla maioria, completando os votos em capital com o peso do número de países, caiu no esquecimento.

Os terceiros, os países emergentes, novos convidados para a mesa, indicam, justamente, que não são responsáveis pela crise e que os países do G8 apenas têm de assumir as medidas necessárias. Estão preocupados que essas medidas afectem as suas economias.

O G20 é certamente mais apresentável que o G8 pois os 20 países representam dois terços da população mundial. No entanto, enquanto directório auto-proclamado continua a ser ilegítimo. E a sua evolução desde a sua criação em 1999 não é convincente. Lembremo-nos que em 1977, o precursor do G8 tinha criado a crise da dívida apelando aos países petrolíferos a que reciclassem os petrodólares e aos bancos a que lhes emprestassem sem muitas reservas. Tinha assim quebrado a frente dos países do Sul construída em Bandung, lançando os países petrolíferos contra os países mais pobres. Hoje tentam o mesmo golpe com os países emergentes, e o seguidismo destes em relação às propostas dos ocidentais leva a temer o pior. O G20 é de momento uma camuflagem para o G8, que também continua a ser ilegítimo. De facto, é sempre o G8 que comanda. Ou antes o G7, já que a Rússia continua a não fazer parte da família plenamente. Quanto aos outros, prontos para avançar com os seus valores comuns, acham por bem apresentar-se como o clube das democracias industriais; que é a etiqueta que os mais ricos colam sempre na sua pele. É a sua posição dominante, apoiada na supremacia militar que os une na pretensão de decidirem pelo mundo. O que eles têm em comum é o seu passado não verdadeiramente ultrapassado de potências coloniais. Os países pobres e os pobres dos países mais ricos não fazem parte das suas preocupações.

Restam portanto as Nações Unidas! Certamente contestáveis, mas apesar de todos os seus defeitos, as Nações Unidas, mesmo sem uma indispensável reforma radical, continuam a ser superiores a todos os directórios.

Gustave Massiah é economista, fundador de Attac, presidente do CRID (Centre de recherche e d' information pour le developpement - centro de investigação e informação para o desenvolvimento) e membro de Alterinter.

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Resto dossier

Cimeira do G20

No 2 de Abril de 2009 encontraram-se em Londres os chefes de Estado e do governo do G20. A cimeira debateu a crise global. No Sábado, 28 de Março,realizou-se em Londres uma grande marcha, convocada por sindicatos, ONG's e movimentos sociais, sob o lema: "Ponham as pessoas em primeiro lugar".

G20: O que é

O G20 é um fórum económico criado em 1999, que junta os ministros das finanças e governadores de bancos centrais de 19 países mais a União Europeia. A iniciativa da sua criação pertenceu ao G8, o grupo dos 8 países mais ricos do mundo, após as sucessivas crises financeiras dos anos 90.
Em Novembro de 2008, pela primeira vez, realizou-se em Washington uma cimeira do G20 juntando os presidentes ou primeiros-ministros do grupo. Em 2 de Abril de 2009, em Londres, realizar-se-á a segunda cimeira.

O capitalismo que pague - as pessoas em primeiro lugar

Com milhões de empregos e lares sob ameaça, e o planeta à beira de uma catástrofe ambiental, não podia ser mais clara a necessidade urgente de uma acção global sobre a economia. Mas as discussões da cimeira dos líderes do G20 em Londres não vão dar soluções.

Sindicatos ao G20: meias-medidas não resolvem a combalida economia global

Numa pressão internacional sobre os governos do G20 para tirarem a economia global da recessão e empreenderem um novo curso para a criação de empregos, a regulação financeira e a governança global, os sindicatos de todo mundo estão a apresentar um conjunto comum de reivindicações aos seus governos nacionais. O plano sindical de cinco pontos, que inclui propostas políticas detalhadas, inclui as acções necessárias para combater a crise e construir uma economia mundial mais sustentável e justa para o futuro.

Do fim dos paraísos fiscais às taxas globais (relatório de Attac de França)

Um relatório da organização Attac de França, de que apresentamos aqui um resumo, aponta duas medidas urgentes a tomar para enfrentar a crise global: a supressão dos paraísos fiscais e a criação de taxas globais.

Acções perante a cimeira do G20: As pessoas em primeiro lugar

Para os próximos dias, nomeadamente entre 28 de Março e até 2 de Abril, quando tem lugar a cimeira do G20, estão convocadas dezenas de acções para exigir ao G20 mudanças sociais, económicas e ambientais.
A mais importante parece ser a Marcha pelo emprego, pela justiça e pelo clima convocada para Londres para Sábado, 28 de Março.

Por trás do G20 está sempre o G8!

O G20 vai reunir a 2 de Abril em Londres para discutir o nosso futuro e o do mundo. Poderá o G20 salvar o planeta dos efeitos da crise? Isto não está verdadeiramente na sua ordem de trabalhos. Não se espera que ele se ocupe, por exemplo, com a redistribuição da riqueza, com as taxas sobre as transacções financeiras e com as ecotaxas sobre o CO2, com as normas sociais. Vai sobretudo discutir a crise financeira, um pouco da crise económica e provavelmente da crise monetária. Vai endossar as questões comerciais à OMC e as questões ambientais à reunião de Copenhaga.

Apelo internacional

A partir de debates nos seminários do Fórum Social Mundial 2009, um conjunto de associações aprovou o apelo internacional: "Por um novo sistema económico e social: Coloquemos as finanças no seu devido lugar!".
Nele as organizações apelam a associações, sindicatos e movimentos sociais para que criem uma rede cidadã a favor de um novo sistema e a multiplicar as mobilizações em todo o mundo perante o G20, a partir de 28 de Março de 2009.