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Mulheres sauditas desafiam proibição de conduzir

As corajosas mulheres sauditas que nesta sexta-feira se sentaram atrás de um volante, desafiando os éditos que as proíbem de conduzir, fizeram-no para exigir o fim de uma das muitas barreiras à sua autonomia.
“Este não é um dos nossos principais direitos. Mas mesmo que nos reconheçam todos os direitos básicos por que lutamos, não os poderíamos gozar porque não temos mobilidade”, disse uma saudita, sob anonimato, à BBC.

Várias mulheres sauditas responderam esta sexta-feira ao apelo lançado por activistas para desafiar a proibição das mulheres conduzirem na Arábia Saudita. A campanha Women2drive, lançada há dois meses nas redes sociais Facebook e Twitter, deverá manter-se "até à publicação de um decreto real que autorize as mulheres a conduzir", refere a página do Facebook dos organizadores.

O grupo de mulheres sauditas desafia décadas de opressão sobre a proibição de conduzir ao pedir às cidadãs do país que possuam carta de condução para aderirem ao protesto.

“Este não é um dos nossos principais direitos. Mas mesmo que nos reconheçam todos os direitos básicos por que lutamos, não os poderíamos gozar porque não temos mobilidade”, disse uma saudita, sob anonimato, à BBC.

É impossível saber quantas foram as que ousaram guiar o seu próprio carro – o correspondente do "Guardian" Jason Burke apontava para 30 a 40 em várias cidades do país –, mas na Internet foi colocada mais de uma dezena de vídeos mostrando mulheres, umas de rosto descoberto outras de niqab, a conduzir.

O apelo à desobediência estava a ser preparado há semanas nas redes sociais, mas foi a prisão de Manal al-Sharif que deu visibilidade à iniciativa, que os organizadores garantem não ser um protesto (ilegal no reino). Apanhada a conduzir pela polícia de costumes, passou dez dias na prisão até assinar um documento prometendo não repetir o feito.

A proibição, única no mundo, não consta de nenhuma lei escrita, baseando-se antes em fatwas (éditos) emitidos por líderes religiosos wahhabitas, corrente rigidamente puritana muito influente junto do rei. Sem conduzir, as mulheres, já impedidas de viajar ou de trabalhar sem autorização masculina, dependem de motoristas ou familiares para as deslocações. 

Women2Drive (Saudi Arabia)

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