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Presidente eleito defende maior presença estatal na economia

O imposto sobre os grandes lucros mineiros é umas das principais medidas do programa de Humala, junto com o pagamento de uma reforma a idosos excluídos, melhorias salariais, creches infantis e diminuição do preço do gás. Pela Prensa Latina.
Manifestação contra a privatização do património histórico. Foto de Distra, FlickR

Lima, 9 de Junho – O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, ratificou hoje a decisão de buscar uma maior presença do Estado na economia mediante uma reforma constitucional e aplicar com urgência medidas sociais.

Ollanta, eleito no domingo 5 de Junho e que assumirá funções no próximo dia 28 de julho, disse em declarações à imprensa local que o Estado deve ter faculdades para promover investimentos na medida que seja necessário.

Citou o caso do transporte comercial aéreo, no qual se propõe promover uma linha de forte concorrência – espaço que ocupa a linha aérea chilena LAN.

Para isso, indicou, há conversas com empresários para formar uma empresa mista "que permita ampliar a cobertura do espaço comercial aéreo e também baratear os custos das passagens".

Acrescentou que, na medida que falte investimento privado em algum sector, o Estado deve ingressar. Para isso, propôs a necessidade de alterar um artigo na eventual reforma da Constituição, de corte neoliberal, a qual restringe a actividade empresarial do Estado.

Humala disse, também, que o imposto aos grandes lucros mineiros, proposto por ele na campanha eleitoral e que outros candidatos assumiram, será aplicado de qualquer jeito, por ser uma medida de consenso e só faltar fixar a percentagem em função da competitividade.

Sobre as pressões empresariais, políticas e mediáticas para que anuncie quem será seu ministro de Economia, preferiu chamá-las de expectativas e esclareceu que não deve actuar em função das aspirações de determinados sectores.

Depois de considerar prematura e inusual a exigência, assinalou: "como presidente eleito, darei os nomes quando considerar pertinente e sem nenhum tipo de pressão".

Em função disso, recordou que depois da eleição do último domingo deixou claro o seguinte: "não temos nenhum compromisso com nenhum grupo económico, e o nosso único compromisso é com quem nos pôs na Presidência da República, o povo peruano".

O presidente eleito declarou que está decidido a pôr em marcha o seu projecto de fazer com que o crescimento chegue a todos e se combata a desigualdade para integrar e reconciliar o país, bem como pôr em marcha medidas sociais.

Entre essas medidas mencionou o pagamento de uma reforma a idosos excluídos, as melhorias salariais, as creches infantis e a diminuição do preço do gás doméstico, entre outras.

Em um balanço da actuação da maioria dos meios de comunicação, que o combateram durante a campanha eleitoral, descartou represálias e disse que receberam a lição de que não estão em possibilidades de fazer com que um candidato seja presidente, em alusão à derrotada Keiko Fujimori.

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