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"Parabéns Barack! Agora, fora de Cabul e do Iraque!"

A antiga chefe do serviços de informações britânico afirmou que, na sua opinião, todo o conceito de "guerra ao terrorismo" foi mal conduzido desde o início, que foi uma reacção exagerada a um ataque terrorista.

Por Tariq Ali

Se é esta a opinião partilhada pelos seus colegas da CIA e da Agência de Informações da Defesa, então talvez possamos começar a ver algumas mudanças na política externa americana sob a administração Obama, particularmente, um regresso à forma testada e comprovada de defender os interesses americanos confiando nas relações locais.

Isto implicaria usar o governo paquistanês para "guardar" o Afeganistão, o mesmo relativamente ao Irão pós-Ahmadinejad em relação ao Iraque. A razão para esta situação é que ambas as guerras foram um desastre.

A visão de Obama sobre o Afeganistão/Paquistão está, usando um eufemismo, seriamente distorcida. O facto de os EUA estarem a encetar (desde há algum tempo) conversações directas com a resistência neo-taliban é uma indicação séria de que consideram a guerra perdida.

Os neo-taliban disseram aos enviados de Washington que não participariam em nenhuma coligação se não houver retirada das tropas do território afegão. Depois disso, estão abertos a ofertas. Com certeza que Obama sabia que isto estava a acontecer. Expandir a guerra para o Paquistão desestabilizaria ainda mais este país. O é que isso poderia ajudar seja a quem for?

A política externa dos EUA na América Latina tem sido caracterizada por uma grande confusão. Sob discussão estão os planos para que se repita uma viagem como a de Nixon a Pequim, com uma visita de Obama a Havana. O problema aqui é que soaria um pouco vazio pregar as virtudes do capitalismo neoliberal depois do seu colapso no Ocidente.

Continuar a linha de Cheney para a Venezuela e a Bolívia, o Equador e o Paraguai, seria totalmente contraproducente, uma vez que aquilo que falhou até agora não iria resultar apenas por se ter uma cara mais humana no governo.

Desde o primeiro dia da vitória de Obama, que liberta uma onde de altas expectativas sobre problemas internos e globais, a pressão dos activistas será crucial para se atingir alguma coisa. Acho que os activistas anti-guerra deveria aparecer em grande número na sua tomada de posse com faixas a dizer: "Parabéns Barack! Agora, fora de Cabul e do Iraque!".

Historiador e romancista, Tariq Ali é um activista veterano dos movimentos sociais das décadas de 60 e 70. Os seus livros incluem títulos como The Duel: Pakistan on the Flight Path of American Power e Os Piratas das Caraíbas: o Eixo da Esperança.

Tradução Manuel Sá

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Resto dossier

Obama depois da vitória

O jornal e site Socialist Worker, dos Estados Unidos, reuniu um painel de militantes e activistas de esquerda que escrevem sobre o que esperar do presidente eleito Barack Obama, e o que a esquerda deve fazer. Os depoimentos são de activistas de diversas áreas, da imigração, da saúde, do movimento anti-guerra.

Por que a América não fará uma viragem à esquerda

A eleição de Barack Obama como 44º Presidente dos EUA - e o seu primeiro líder negro - tem sido celebrada como uma revolução e uma transformação. A ala direita dos republicanos teme que o seu país esteja a aderir ao presidente mais radical desde Roosevelt. Mas a análise dos votos e da própria personalidade de Obama revela muito menos mudança do que se pensa.

"Parabéns Barack! Agora, fora de Cabul e do Iraque!"

A antiga chefe do serviços de informações britânico afirmou que, na sua opinião, todo o conceito de "guerra ao terrorismo" foi mal conduzido desde o início, que foi uma reacção exagerada a um ataque terrorista.

Temos de readaptar-nos à nova realidade política

Numa administração Obama, a esquerda política americana terá de se readaptar à realidade política. Uma avaliação honesta da nossa situação revelará muito trabalho para fazer em termos de educação política, organização, activismo e alcance dos recentemente envolvidos na candidatura de Obama - o que pode ser extremamente difícil, dado o grau elevado de ilusões.

Vai ser preciso um movimento social renovado para empurrar Obama

Confesso que estou entusiasmado com a ideia de Obama ser presidente, mesmo tendo um doloroso conhecimento das suas limitações - a sua suave e articulada inteligência, que abrange uma abordagem tradicional à política externa e doméstica, ajudada por um grupo de conselheiros reciclado da administração Clinton e de outras partes do establishment.

O novo governo tem de assegurar que vai parar as rusgas e as deportações de imigrantes

Penso que esta eleição é histórica; é um grande momento estar aqui em Chicago, pois pela primeira vez temos um presidente que está contra todas as políticas que a administração Bush promoveu nos últimos oito anos. Penso que há esperança, não apenas para o movimento pelos direitos dos imigrantes, mas também para as pessoas que são contra a guerra e para todos os movimentos progressistas.

Não deve haver lua-de-mel com Obama

A primeira coisa a dizer é que não devia haver lua-de-mel. Os democratas já detêm a maioria na Casa e no Senado há dois anos, e no entanto continuam a financiar a ocupação do Iraque, a permitir escutas telefónicas sem mandatos, a expandir o orçamento militar.

Insatisfação de classe ficou patente nestas eleições

Vale a pena recordar que, há apenas 50 anos, era negado a afro-americanos o direito de votar em eleições presidenciais, quanto mais candidatar-se a esse lugar. Esses direitos apenas foram conquistados depois da luta de massas do movimento pelos direitos civis ter finalmente afastado o Partido Democrático do seu legado segregacionista.

O movimento anti-guerra tem de continuar a luta pela paz

Durante o debate eleitoral final para a Presidência dos EUA, na Universidade de Hofstra, em Hempstead, Nova York, membros dos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW) solicitaram ao moderador, Bob Schieffer, que lhes permitisse colocar uma questão a cada um dos candidatos.