You are here

O movimento anti-guerra tem de continuar a luta pela paz

Durante o debate eleitoral final para a Presidência dos EUA, na Universidade de Hofstra, em Hempstead, Nova York, membros dos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW) solicitaram ao moderador, Bob Schieffer, que lhes permitisse colocar uma questão a cada um dos candidatos.

Por Camilo Mejía

A questão dirigida ao senador McCain era sobre as regalias dos veteranos, uma vez que este candidato é um antigo veterano e prisioneiro de guerra e esperava-se da sua parte uma intervenção mais participativa ao nível político nesta matéria, no que concerne ao bem-estar dos veteranos de guerra. A questão dirigida ao senador Obama indagava se o candidato estaria disposto a apoiar militares que desejassem tornar-se objectores de consciência, dado ter votado contra a invasão do Iraque, denominando-a, em determinada altura, de invasão ilegal.

Não só não foi permitido à IVAW colocar as perguntas, como nós, os activistas, sofremos uma investida da Polícia Montada de Hempstead. Dez membros da IVAW, bem como alguns activistas civis, foram detidos e dois dos nossos membros feridos, um deles sofrendo uma fractura na face. Nenhum dos candidatos mencionou quer o Iraque, quer o Afeganistão durante os 90 minutos de debate.

A promessa de uma nação melhor, em que os seus recursos se destinem a melhorar as condições sociais e em que a riqueza seja distribuída para melhorar as classes trabalhadoras da sociedade, parece esvaziada de sentido, quando aos militares veteranos não lhes é sequer permitido colocar uma questão, sem que sejam reprimidos violentamente. Tudo isto para dizer que, independentemente de quem seja eleito, o labor de construir um mundo melhor permanece nas mãos das pessoas, e na nossa capacidade de nos afirmarmos como verdadeiros arquitectos e arquitectas do nosso futuro.

Obama é olhado como o candidato anti-guerra, devido ao seu voto contra a invasão do Iraque e à promessa de retirada progressiva e gradual das tropas daquele país. Contudo, quer ele quer McCain têm referido o sucesso da decisão de George W. Bush, de 2007, de "reforçar" as tropas no Iraque.

Mas para lidar seriamente com a situação no Iraque e a eventual saída deste país, Obama deveria referir as 180 mil empresas privadas no Iraque, as bases militares permanentes e o complexo empresarial e diplomático a partir do qual os EUA pretendem gerir o país. E claro, o "sucesso" do envio de reforços em 2007 que não logra reconhecer que mais de metade da população do Iraque se encontra quer deslocada, quer com necessidade de receber ajuda humanitária, quer morta.

A "guerra global contra o terror", designação empregue pelas administrações no passado e no presente para justificar invasões e ocupações geradas pela necessidade de lucro, necessitam de um novo cerne. A guerra do Iraque tornou-se demasiado impopular para justificar a sua continuação na agenda imperial norte-americana.

Não poderemos permitir a nenhum presidente que passe a concentrar-se no Afeganistão, de forma a continuar a beligerância americana. O presidente Obama prometeu continuar a enviar tropas para aquele país e ver a guerra estender-se ao Paquistão, se considerar necessário.

O movimento anti-guerra tem de assumir a necessidade de continuar a luta pela paz e pela justiça uma luta que começa em casa, onde, opondo-nos a guerras ilegais e caras, levamos a cabo batalhas contra a pobreza, o racismo e a exploração das classes trabalhadoras pela elite dominante.

Apenas construindo verdadeiros movimentos de base, para combater um governo controlado pelas grandes empresas, é que poderemos criar um mundo onde a paz, a justiça e a igualdade social possam prevalecer. Esta é a tarefa do povo e não dos políticos, independentemente de quem seja o presidente. Tem estado a acontecer, continua e não poderá nunca parar, nem por um só minuto.

Camilo Mejía é o presidente da direcção da organização Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW), e foi o primeiro militar no activo a exprimir publicamente a decisão de recusar a sua reincorporação para a guerra do Iraque.

Tradução de Cláudia Belchior

(...)

Resto dossier

Obama depois da vitória

O jornal e site Socialist Worker, dos Estados Unidos, reuniu um painel de militantes e activistas de esquerda que escrevem sobre o que esperar do presidente eleito Barack Obama, e o que a esquerda deve fazer. Os depoimentos são de activistas de diversas áreas, da imigração, da saúde, do movimento anti-guerra.

Por que a América não fará uma viragem à esquerda

A eleição de Barack Obama como 44º Presidente dos EUA - e o seu primeiro líder negro - tem sido celebrada como uma revolução e uma transformação. A ala direita dos republicanos teme que o seu país esteja a aderir ao presidente mais radical desde Roosevelt. Mas a análise dos votos e da própria personalidade de Obama revela muito menos mudança do que se pensa.

Temos de readaptar-nos à nova realidade política

Numa administração Obama, a esquerda política americana terá de se readaptar à realidade política. Uma avaliação honesta da nossa situação revelará muito trabalho para fazer em termos de educação política, organização, activismo e alcance dos recentemente envolvidos na candidatura de Obama - o que pode ser extremamente difícil, dado o grau elevado de ilusões.

Vai ser preciso um movimento social renovado para empurrar Obama

Confesso que estou entusiasmado com a ideia de Obama ser presidente, mesmo tendo um doloroso conhecimento das suas limitações - a sua suave e articulada inteligência, que abrange uma abordagem tradicional à política externa e doméstica, ajudada por um grupo de conselheiros reciclado da administração Clinton e de outras partes do establishment.

"Parabéns Barack! Agora, fora de Cabul e do Iraque!"

A antiga chefe do serviços de informações britânico afirmou que, na sua opinião, todo o conceito de "guerra ao terrorismo" foi mal conduzido desde o início, que foi uma reacção exagerada a um ataque terrorista.

O novo governo tem de assegurar que vai parar as rusgas e as deportações de imigrantes

Penso que esta eleição é histórica; é um grande momento estar aqui em Chicago, pois pela primeira vez temos um presidente que está contra todas as políticas que a administração Bush promoveu nos últimos oito anos. Penso que há esperança, não apenas para o movimento pelos direitos dos imigrantes, mas também para as pessoas que são contra a guerra e para todos os movimentos progressistas.

Não deve haver lua-de-mel com Obama

A primeira coisa a dizer é que não devia haver lua-de-mel. Os democratas já detêm a maioria na Casa e no Senado há dois anos, e no entanto continuam a financiar a ocupação do Iraque, a permitir escutas telefónicas sem mandatos, a expandir o orçamento militar.

O movimento anti-guerra tem de continuar a luta pela paz

Durante o debate eleitoral final para a Presidência dos EUA, na Universidade de Hofstra, em Hempstead, Nova York, membros dos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW) solicitaram ao moderador, Bob Schieffer, que lhes permitisse colocar uma questão a cada um dos candidatos.

Insatisfação de classe ficou patente nestas eleições

Vale a pena recordar que, há apenas 50 anos, era negado a afro-americanos o direito de votar em eleições presidenciais, quanto mais candidatar-se a esse lugar. Esses direitos apenas foram conquistados depois da luta de massas do movimento pelos direitos civis ter finalmente afastado o Partido Democrático do seu legado segregacionista.