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Temos de readaptar-nos à nova realidade política

Numa administração Obama, a esquerda política americana terá de se readaptar à realidade política. Uma avaliação honesta da nossa situação revelará muito trabalho para fazer em termos de educação política, organização, activismo e alcance dos recentemente envolvidos na candidatura de Obama - o que pode ser extremamente difícil, dado o grau elevado de ilusões.

Pelos editores da SleptOn.com

A chegada de Obama ao mais alto cargo do país provar-se-á principalmente simbólica, como a maior parte dos militantes de esquerda devem saber quando encaram a questão honestamente, tornando portanto necessário fazer um desafio directo e promover um confronto em relação àquelas coisas a que damos valor - justiça, paz, solidariedade e igualdade - tomadas de forma alargada.

Os militantes de esquerda terão de lutar por uma relevância política renovada - basicamente ausente no estado actual - sob a forma de coisas tais como salários dignos, o direito de se organizar, formar sindicatos e negociar colectivamente, abolindo a pena de morte, pondo fim à guerra e à ocupação assassinas e brutais, libertando os presos políticos, adquirindo a cobertura de cuidados de saúde universal para o contribuinte - entre demasiadas coisas para serem mencionadas agora.

Este é o tipo de reformas necessárias a curto prazo, enquanto trabalhamos para mais mudanças estruturais fundamentais, para que as pessoas possuam e controlem um dia as instituições que governam as suas vidas, os seus locais de trabalho e os corpos governantes.

Com o advento de uma administração Obama, os militantes de esquerda deveriam reconhecer que estaremos a organizar e a impulsionar estas iniciativas entre muitos optimistas satisfeitos com a perspectiva do fim da terrível era Bush.

Os militantes de esquerda devem ampliar as expectativas de todos os envolvidos - e até as suas. O nosso papel deve ser fortalecer as pessoas com a informação e a organização de apoio, e trabalhar para que o país não fique impassível - de facto indignado - diante dos políticos manipulados pelas grandes empresas e as suas promessas vagas "de mudança" para seu proveito.

KT e Billy são os co-editores do SleptOn.com, um jornal independente, online criado para promover a consciência e facilitar a discussão e a organização, fornecendo comentários sobre a política, entretenimento e cultura.

Tradução de Ana Palma

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Resto dossier

Obama depois da vitória

O jornal e site Socialist Worker, dos Estados Unidos, reuniu um painel de militantes e activistas de esquerda que escrevem sobre o que esperar do presidente eleito Barack Obama, e o que a esquerda deve fazer. Os depoimentos são de activistas de diversas áreas, da imigração, da saúde, do movimento anti-guerra.

Por que a América não fará uma viragem à esquerda

A eleição de Barack Obama como 44º Presidente dos EUA - e o seu primeiro líder negro - tem sido celebrada como uma revolução e uma transformação. A ala direita dos republicanos teme que o seu país esteja a aderir ao presidente mais radical desde Roosevelt. Mas a análise dos votos e da própria personalidade de Obama revela muito menos mudança do que se pensa.

Temos de readaptar-nos à nova realidade política

Numa administração Obama, a esquerda política americana terá de se readaptar à realidade política. Uma avaliação honesta da nossa situação revelará muito trabalho para fazer em termos de educação política, organização, activismo e alcance dos recentemente envolvidos na candidatura de Obama - o que pode ser extremamente difícil, dado o grau elevado de ilusões.

Vai ser preciso um movimento social renovado para empurrar Obama

Confesso que estou entusiasmado com a ideia de Obama ser presidente, mesmo tendo um doloroso conhecimento das suas limitações - a sua suave e articulada inteligência, que abrange uma abordagem tradicional à política externa e doméstica, ajudada por um grupo de conselheiros reciclado da administração Clinton e de outras partes do establishment.

"Parabéns Barack! Agora, fora de Cabul e do Iraque!"

A antiga chefe do serviços de informações britânico afirmou que, na sua opinião, todo o conceito de "guerra ao terrorismo" foi mal conduzido desde o início, que foi uma reacção exagerada a um ataque terrorista.

O novo governo tem de assegurar que vai parar as rusgas e as deportações de imigrantes

Penso que esta eleição é histórica; é um grande momento estar aqui em Chicago, pois pela primeira vez temos um presidente que está contra todas as políticas que a administração Bush promoveu nos últimos oito anos. Penso que há esperança, não apenas para o movimento pelos direitos dos imigrantes, mas também para as pessoas que são contra a guerra e para todos os movimentos progressistas.

Não deve haver lua-de-mel com Obama

A primeira coisa a dizer é que não devia haver lua-de-mel. Os democratas já detêm a maioria na Casa e no Senado há dois anos, e no entanto continuam a financiar a ocupação do Iraque, a permitir escutas telefónicas sem mandatos, a expandir o orçamento militar.

O movimento anti-guerra tem de continuar a luta pela paz

Durante o debate eleitoral final para a Presidência dos EUA, na Universidade de Hofstra, em Hempstead, Nova York, membros dos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW) solicitaram ao moderador, Bob Schieffer, que lhes permitisse colocar uma questão a cada um dos candidatos.

Insatisfação de classe ficou patente nestas eleições

Vale a pena recordar que, há apenas 50 anos, era negado a afro-americanos o direito de votar em eleições presidenciais, quanto mais candidatar-se a esse lugar. Esses direitos apenas foram conquistados depois da luta de massas do movimento pelos direitos civis ter finalmente afastado o Partido Democrático do seu legado segregacionista.