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O novo governo tem de assegurar que vai parar as rusgas e as deportações de imigrantes

Penso que esta eleição é histórica; é um grande momento estar aqui em Chicago, pois pela primeira vez temos um presidente que está contra todas as políticas que a administração Bush promoveu nos últimos oito anos. Penso que há esperança, não apenas para o movimento pelos direitos dos imigrantes, mas também para as pessoas que são contra a guerra e para todos os movimentos progressistas.

Por Rosi Carrasco

Haverá um espaço aberto para continuar a luta pelos imigrantes, contra a guerra e por muitas questões que afectam as nossas comunidades. Não quer dizer que com esta eleição tudo vá mudar como que por magia, quer dizer que temos a oportunidade de mudar as coisas na América.

No ano passado foi derrotada legislação para a imigração, por ser racista. Os principais alvos dos racistas são os imigrantes sem documentos. É histórico ter um presidente afro-americano. Vai tornar o racismo mais difícil. É isso que acho que devemos celebrar.

Temos de continuar a organizar as nossas comunidades porque este é o único caminho para podermos mudar alguma coisa aqui - sem luta não haverá mudança.

Também significa que as políticas de Bush estão a ser rejeitadas por muita gente neste país, mas também pelo mundo fora - a guerra no Iraque, invadir outros países, contra os direitos dos imigrantes. As políticas promovidas por este governo têm sido terríveis para os povos da América Latina. O governo tem estado empenhado em ajudar apenas os mais ricos.

Estou muito surpreendida por ver como a juventude está activa e a esperança de mudança que ela tem. Penso que este será um novo momento em que teremos a oportunidade de abrir novos espaços para as nossas questões. O movimento pelos direitos dos imigrantes ficou desmoralizado no ano passado, mas agora estamos prontos para começar a lutar novamente. Teremos um novo governo e uma nova direcção neste país.

O novo governo tem de nos assegurar que irá parar com as rusgas e as deportações. É uma exigência que todos apoiam. Precisamos de exigir uma reforma na imigração. Não é claro que tipo de reforma o governo estará disposto a oferecer, porque até agora os democratas não tiveram políticas muito claras a favor da imigração.

Temos de manter bem claro que a nossa luta é pelos direitos civis e humanos. Temos de ter maturidade suficiente para perceber que precisamos de trabalhar em conjunto com uma grande diversidade de pessoas, com diferentes pontos de vista.

Penso que precisamos de um movimento muito aberto e alargado que inclua todo aquele que acredita nos direitos civis e humanos.

Há trabalhadores que foram despedidos por causa de problemas com a documentação, não recebem bons salários porque não têm todos os documentos, os seus direitos não estão a ser respeitados por causa da situação em que se encontram. Por isso temos de continuar a organizar as pessoas nos seus locais de trabalho e nas suas comunidades. Se esquecermos essa parte, não teremos o tipo de movimento que poderá avançar com uma proposta forte e defender as pessoas. Todos concordam que precisamos de nos manifestar nas ruas.

No dia 1 de Maio temos de voltar à rua, mas também precisamos de organizar as pessoas nos seus locais de trabalho e nas suas comunidades para que fiquem a saber os seus direitos e se possam defender.

Esta eleição é um momento histórico e uma grande oportunidade para desafiar e mudar as políticas neste país. É uma grande oportunidade para nós nos organizarmos, mas é apenas uma oportunidade. Temos de trabalhar com afinco para organizar as nossas comunidades. De outro modo perderemos esta oportunidade.

Acho que as pessoas estão prontas para lutar - vejam o grande número de pessoas envolvidas no movimento anti-guerra, no movimento pelos direitos dos imigrantes, na questão da habitação, a favor do direito à saúde, de bons salários, dos direitos dos trabalhadores, de tantas coisas. Agora espero que possamos mudar estas coisas.

Estou realmente entusiasmada com esta eleição. Estou realmente entusiasmada por ter Obama como presidente. Espero que possamos celebrar este momento histórico. Isto irá mudar radicalmente as políticas, mas não irá acontecer por si só. Temos de ter pessoas a organizar-se e prontas para aproveitar esta nova abertura.

Rosi Carrasco é activista dos direitos dos imigrantes em Chicago e dedica-se à organização de actividades da Latino Organization of the Southwest.

Tradução de Júlia Garraio

(...)

Resto dossier

Obama depois da vitória

O jornal e site Socialist Worker, dos Estados Unidos, reuniu um painel de militantes e activistas de esquerda que escrevem sobre o que esperar do presidente eleito Barack Obama, e o que a esquerda deve fazer. Os depoimentos são de activistas de diversas áreas, da imigração, da saúde, do movimento anti-guerra.

Por que a América não fará uma viragem à esquerda

A eleição de Barack Obama como 44º Presidente dos EUA - e o seu primeiro líder negro - tem sido celebrada como uma revolução e uma transformação. A ala direita dos republicanos teme que o seu país esteja a aderir ao presidente mais radical desde Roosevelt. Mas a análise dos votos e da própria personalidade de Obama revela muito menos mudança do que se pensa.

Temos de readaptar-nos à nova realidade política

Numa administração Obama, a esquerda política americana terá de se readaptar à realidade política. Uma avaliação honesta da nossa situação revelará muito trabalho para fazer em termos de educação política, organização, activismo e alcance dos recentemente envolvidos na candidatura de Obama - o que pode ser extremamente difícil, dado o grau elevado de ilusões.

Vai ser preciso um movimento social renovado para empurrar Obama

Confesso que estou entusiasmado com a ideia de Obama ser presidente, mesmo tendo um doloroso conhecimento das suas limitações - a sua suave e articulada inteligência, que abrange uma abordagem tradicional à política externa e doméstica, ajudada por um grupo de conselheiros reciclado da administração Clinton e de outras partes do establishment.

"Parabéns Barack! Agora, fora de Cabul e do Iraque!"

A antiga chefe do serviços de informações britânico afirmou que, na sua opinião, todo o conceito de "guerra ao terrorismo" foi mal conduzido desde o início, que foi uma reacção exagerada a um ataque terrorista.

O novo governo tem de assegurar que vai parar as rusgas e as deportações de imigrantes

Penso que esta eleição é histórica; é um grande momento estar aqui em Chicago, pois pela primeira vez temos um presidente que está contra todas as políticas que a administração Bush promoveu nos últimos oito anos. Penso que há esperança, não apenas para o movimento pelos direitos dos imigrantes, mas também para as pessoas que são contra a guerra e para todos os movimentos progressistas.

Não deve haver lua-de-mel com Obama

A primeira coisa a dizer é que não devia haver lua-de-mel. Os democratas já detêm a maioria na Casa e no Senado há dois anos, e no entanto continuam a financiar a ocupação do Iraque, a permitir escutas telefónicas sem mandatos, a expandir o orçamento militar.

O movimento anti-guerra tem de continuar a luta pela paz

Durante o debate eleitoral final para a Presidência dos EUA, na Universidade de Hofstra, em Hempstead, Nova York, membros dos Veteranos do Iraque Contra a Guerra (IVAW) solicitaram ao moderador, Bob Schieffer, que lhes permitisse colocar uma questão a cada um dos candidatos.

Insatisfação de classe ficou patente nestas eleições

Vale a pena recordar que, há apenas 50 anos, era negado a afro-americanos o direito de votar em eleições presidenciais, quanto mais candidatar-se a esse lugar. Esses direitos apenas foram conquistados depois da luta de massas do movimento pelos direitos civis ter finalmente afastado o Partido Democrático do seu legado segregacionista.