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Socialismo 2008: dos biomateriais na medicina à Europa que temos

A primeira manhã do Socialismo 2008 foi preenchida com debates sobre Educação, políticas urbanas, ambiente e jornalismo. À tarde, Miguel Portas falou da Europa de hoje, das suas políticas de imigração e dos conflitos que lhe estão próximos.
 

Os debates arrancaram às 10h30 com Fernando Jorge Monteiro a apresentar a importância actual dos biomateriais - metais, cerâmicos e polímeros - em aplicações na medicina e equiparou a investigação nesta área da medicina regenerativa à da genética, no que respeita ao potencial de ambas no "grande salto futuro da medicina", prevendo-se mesmo que o investimento nos EUA na medicina regenerativa nos próximos 15 anos seja semelhante ao valor dos medicamentos consumidos naquele país.

As aplicações dos biomateriais vão desde os implantes mamários, à reconstrução maxilofacial, às lentes intra-oculares, próteses e muitos outros. "Muitos destes materiais são hoje utilizados para reconstituir partes do nosso corpo" e o seu desenvolvimento permite aplicações mais eficazes do que há alguns anos.  A possibilidade de induzir um órgão do corpo humano a reconstruir-se traz soluções novas para problemas de saúde óssea, do fígado ou os diabetes, afirmou este catedrático de engenharia dos materiais da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Na sessão sobre o "Espaço Europeu de Educação: Mercado ou Cosmopolitismo", Fátima Antunes criticou a falta de democracia e discussão pública que pautaram a assinatura da declaração de Bolonha e a sua aplicação em cada país. A oradora sublinhou que "tudo foi feito com uma informalidade que escapa ao controlo democrático", como se de decisões técnicas se tratassem, "apesar de serem decisões políticas". E esclareceu também que uma das referências do processo de Bolonha continua a ser o Acordo Geral de Comércio e Serviços da OMC.

Censurando a inspiração mercantil e não democrática do processo de Bolonha, a professora do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho não deixou contudo de valorizar as vantagens de se investir num verdadeiro projecto cosmopolita, com intercãmbio académico e cultural entre professores e estudantes de toda a Europa.

No debate "Educação e Exclusão", Luísa Cortesão, presidente do Instituto Paulo Freire, apresentou as estatísticas que colocam Portugal como o segundo país da Europa com a maior taxa de abandono escolar precoce (38%), só ultrapasado por Malta (40%). A oradora enumerou múltiplas formas de exclusão escolar hoje existentes e preconizou a urgência de uma escola que atenda à diversidade cultural e às diferenças dos alunos, contra um ensino feito à medida do aluno da classe média ou alta.  

Luísa Cortesão denunciou ainda o "papel perverso dos rankings", até porque há escolas privadas que seleccionam à partida os alunos com base em testes de QI e indicadores económicos.

Jornalismo e manipulação da informação

O jornalismo e a manipulação da informação foi o tema da apresentação de Daniel Oliveira, que apontou a recente onda mediática sobre criminalidade e a cobertura das medalhas (ou da falta delas) da delegação portuguesa dos Jogos Olímpicos como exemplos de duas narrativas alimentadas pela televisão nas últimas semanas e de como o discurso dominante foi legitimado pela informação.

Daniel Oliveira defendeu que o poder da imagem, em casos como os da Quinta da Fonte ou do assalto ao BES, tem todos os condimentos essenciais para o entretenimento televisivo que pode ser alimentado dias ou semanas a fio. Os colunistas e comentadores "repetem o senso comum" e esse discurso dominante legitima a continuação do tratamento do tema com o maior destaque na televisão e propaga-se rapidamente aos restantes órgãos de comunicação.  

O papel dos jornalistas torna-se assim ao mesmo tempo o de manipulador e manipulado: "Manipulam as nossa consciências, mas não têm o poder para alterar o discurso dominante, apenas o repetem". Para o blogger e jornalista, "esta ética do entretenimento é mais forte que o interesse comercial pelas audiências", porque invade toda a comunicação, seja nas aulas escolares ou no discurso político, usando técnicas para evitar que se possa tornar aborrecido para quem o ouve.

"O resultado deste processo mediático é que conduz à decisão política", como se viu nas reacções de governo, presidente, procurador e polícia à onda mediática do crime violento, quando as estatísticas mostram que esses crimes não acontecem mais nos dias de hoje do que há dois ou três anos. "Mas há alturas em que o processo faz curto-circuito, como aconteceu com as medalhas olímpicas".  

Depois de alimentarem a crítica "à falta de disciplina" dos atletas portuguesas, a conquista de uma medalha de ouro veio inverter tudo e até a atleta que no meio dessa onda mediática tinha sido levada a criticar o empenho dos companheiros, acabou por ser ela própria o alvo das críticas pelos que mais se tinham destacado em atacar o desempenho da comitiva. "A passagem da depressão à euforia de forma rápida" é outro dos sintomas da "ética do entretenimento". Daniel Oliveira disse mesmo que "hoje não há verdadeira escolha para os consumidores de informação nos canais generalistas", dada a semelhança do tratamento e a omnipresença do discurso hegemónico.

O descrédito da informação televisiva nos EUA durante a presidência de Bush foi o mote para Jorge Campos apresentar o tema do documentário político nos EUA. A partir de excertos de vários filmes, o realizador mostrou que existe cada vez maior interesse da sociedade por este género cinematográfico, ao que não terá sido alheio o comportamento do jornalismo televisivo na cobertura da guerra do Iraque e do fabrico da aceitação dos motivos dessa guerra por parte dos norte-americanos com base em elementos que se provaram falsos.

"Como estamos de Europa?"

A tarde de debates do Socialismo 2008 em painéis simultâneos foi interrompida por uma sessão comum para todos os participantes. "Como estamos de Europa?" foi o tema da apresentação de Miguel Portas, que começou por apontar as políticas erradas quanto à imigração

"Existem mais de 200 milhões de migrantes no Mundo, e destes mais de 50 milhões na Europa. A grande maioria chegou à Europa como os portugueses chegaram a França ou à Alemanha nos anos 60" e o fenómeno da imigração não abranda por causa das políticas repressivas nos países de destino. Para o eurodeputado bloquista, a UE está a investir "barbaridades de dinheiro" em planos de repressão e deportação de imigrantes, planos que só afecta uma percentagem ínfima da imigração para a Europa. As péssimas condições nos centros de detenção (como em Lampedusa ou no aeroporto de Bruxelas) para imigrantes são outro dos elementos duma política que, para Miguel Portas, não tem futuro.

O conflito armado entre a Geórgia e a Rússia, bem como os planos norte-americanos de instalar o escudo anti-míssil no leste da Europa são outros exemplos do fracasso da Europa enquanto portadora de uma política de paz. "O atlantismo não responde aos problemas da paz, só aos da guerra. A Europa deve ser o espaço político para iniciativas de paz, e por isso é necessário o fim das bases militares estrangeiras". A tensão política criada com a construção do escudo anti-míssil "está a criar uma nova linha divisória, que recordamos de outros tempos, e com os perigos que isso necessariamente comporta", afirmou o eurodeputado.

"Somos a favor da dissolução da NATO e por uma política de segurança mundial que seja capaz de poder atacar as verdadeiras causas das guerras: a pobreza, e os efeitos das alterações climáticas sobre uma fatia cada vez maior do planeta", afirmou Miguel Portas, assegurando que esta proposta definirá o programa das esquerdas nas eleições europeias de 2009.

Miguel Portas fez também críticas ao Orçamento da UE e disse não compreender "como é que pode haver federalistas que defendem um orçamento federal que afinal representa menos de 1% da riqueza criada na UE"?

Recuando no tempo algumas décadas para o início do projecto europeu, Miguel Portas recordou que o motor da Europa foi o mercado e os grandes grupos económicos, que desenvoveram o capitalismo no contexto do mercado interno. Com Maastricht há o momento da clivagem e os responsáveis são os governos socialistas, já que eram 14 em 15. "Agora há cada vez mais gente a perder, com a globalização dos mercados. E a parte do mercado que não aguentou a globalização, exige políticas proteccionistas, afirma o deputado".

"O problema da esquerda é saber se, tendo a Europa perdido este motor, que outro motor é que vamos lá pôr". Um motor que assente no combate social e organizado à precarização do trabalho tem de ser internacional para abalar a relação de forças, concluiu o deputado.

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Resto dossier

Dossier Socialismo 2008

Pelo segundo ano consecutivo o Bloco de Esquerda organizou um Fórum de Ideias sobre política, arte, cultura, ciência, ambiente, história, economia e literatura. O Socialismo 2008, realizado no último fim de semana de Agosto na cidade do Porto, juntou mais de 300 pessoas e contou com quase 40 debates e sessões, sempre muito participados. O Esquerda.net compilou as notícias, os vídeos, as fotos e os textos das conferências, para facilitar o contacto dos leitores com as principais ideias que vão animar um ano de muitas lutas. 

Entrevista com o Maestro Vitorino D`Almeida

O esquerda.net entrevistou o Maestro Vitorino d´Almeida sobre as propostas do Governo para o Ensino Artístico Musical em Portugal.

Entrevista a Laura Santos sobre Morte Assistida

Ajuda-me a morrer", foi o tema abordado pela professora Laura Santos da Universidade do Minho no Fórum de Ideias - Socialismo 2007. As leis sobre a eutanásia no mundo e a situação em Portugal foram algumas das questões colocadas pelo esquerda.net.

Entrevista a Luíza Cortesão sobre "Escola e Exclusão"

"Educação e exclusão" foi o tema da conferência no Fórum de Ideias - Socialismo 2008, apresentada por Luiza Cortesão, professora na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Em entrevista ao esquerda.net, a oradora fala-nos de exclusão, dos rankings e dos imigrantes na escola.

O ar é de todos

O "Ar é de Todos: recursos naturais e propriedade privada" foi o tema da conferência de Nélson Peralta, no Socialismo 2008. "A acumulação e concentração de capital estende-se à apropriação de património colectivo não resultante da esfera produtiva, em prejuízo do interesse público. E esta é exactamente a maior vitória do capitalismo: fazer-nos crer que aquilo que ninguém produziu e que é essencial à vida é propriedade sua, pronta a ser comercializada ao melhor preço."

Identidade, Arte e quotidiano

No Fórum de Ideias Socialismo 2008, Catarina Martins, actriz e encenadora, apresentou o tema "Construir o impossível - Identidade, Arte e quotidiano". Como ponto de partida para a sua intervenção, assinalou um estudo recente que revela a preocupante falta de hábitos culturais dos portugueses: 90% não tinha visto ópera, ballet ou dança, 81% não tinha ido uma única vez ao teatro, 76% não assistira a qualquer concerto, ou visitara qualquer museu ou galeria, 75% não tinha entrado numa biblioteca. 

Ritos de Subversão na tradição portuguesa

"A face do caos: ritos de subversão na tradição portuguesa" foi o tema da conferência de Aurélio Lopes, professor da Escola Superior de Educação de Santarém, no Fórum de Ideias Socialismo 2008. O orador analisou o carácter subversivo, exótico e pagão das personagens mascaradas que durante todo o ciclo natalício povoam as tradições do nordeste transmontano. Apesar de o cristianismo as diabolizar, elas saem à rua como um escape inevitável em "sociedades especialmente conservadoras e disciplinadas". 

Entrevista a Celso Cruzeiro sobre a Esquerda

"Esquerda Política: saída da encruzilhada", foi o tema da conferência apresentada pelo advogado Celso Cruzeiro no Fórum de Ideias Socialismo 2008. Nesta entrevista ao esquerda.net o orador resume o essencial.

Políticas para a infância

A invisibilidade das crianças enquanto sujeitos políticos, decisores e capazes de construção colectiva, foi o mote para a conferência apresentada por Manuel Sarmento, professor da Universidade do Minho. A partir dessa evidência foram propostas várias políticas públicas para a Infância, recorrendo a vários projectos de intervenção e de investigação sobre a participação das crianças, em curso no Norte de Portugal.

Pierre Bourdieu e a democratização da política

"Na verdade, a grande questão que percorre a obra de Bourdieu é uma questão fundamental para quem acha que a libertação (e portanto o socialismo) não é apenas a conquista do poder de Estado ou a alteração das relações de propriedade e de produção, mas também a alteração de todas as relações sociais: o que é a dominação? Como é que ela se exerce e se reproduz? Por que é que os sistemas de dominação são tão duráveis? Quais as condições da acção transformadora?".

Entrevista com Gaspar Martins Pereira sobre a Linha do Tua

O esquerda.net entrevistou o professor universitário Gaspar Martins Pereira da Faculdade de Letras do Porto sobre a linha ferroviária do Tua e o projecto de barragem para aquela zona.

Entrevista com Padraig Mac Lochlainn do Sinn Féin

Entrevista com Padraig Mac Lochlainn, director da Campanha do Não ao Tratado de Lisboa pelo Sinn Féin, sobre o referendo na Irlanda.

Socialismo 2008: o mercado, a propriedade e o jazz

No segundo dia do "Socialismo 2008", Celso Cruzeiro defendeu a necessidade de pensar o marxismo à luz da ciência que existe hoje e José Castro Caldas recuou às referências fundadoras do liberalismo para discutir a propriedade privada, assunto banido dos cursos de economia em Portugal. As influências socialistas na história do jazz foi outro dos temas deste fórum de ideias, no debate conduzido por José Carlos Santos.

Socialismo 2008: A luta não é precária

O primeiro dia de debates do Socialismo 2008 encerrou com as palavras de Luís Fazenda e José Soeiro sobre a precariedade como modo de vida e a necessidade de a encarar e combater com políticas e activismo de esquerda.

Louçã: "Não há justiça se o povo não confia nela"

No encerramento do Socialismo 2008, Francisco Louçã apresentou propostas para dar mais eficácia à justiça e criticou o "dominó de desculpas" que os agentes da justiça e os partidos empurram entre si. O dirigente do Bloco anunciou ainda a próxima grande iniciativa do Bloco, uma Marcha contra a Precariedade que vai percorrer o país para "levantar a voz" dos trabalhadores vítimas do "modelo Sócrates de emprego".

Socialismo 2008: dos biomateriais na medicina à Europa que temos

A primeira manhã do Socialismo 2008 foi preenchida com debates sobre Educação, políticas urbanas, ambiente e jornalismo. À tarde, Miguel Portas falou da Europa de hoje, das suas políticas de imigração e dos conflitos que lhe estão próximos.

"A esquerda deve rejeitar o culto do poder"

Na abertura do fórum de ideias Socialismo 2008, João Semedo reafirmou a necessidade de "continuar a construir um pólo à esquerda do PS que assuma a responsabilidade política de transformar a sociedade". Em seguida, Alda Macedo falou de "um mundo cada vez mais perigoso", com o aumento da pobreza, a crise alimentar e o surgimento de novos conflitos armados que mostram a face da barbárie capitalista.

Fotogaleria Socialismo 2008

Fotos de André Beja

Abertura do Socialismo 2008

A deputada Alda Macedo dá as boas vindas ao Socialismo 2008, que arrancou na sexta-feira.
A sessão política deu em seguida lugar à festa com um concerto de música reggae com a banda Kikongo Vibrations.

Debate sobre “A morte assistida em Portugal” no Socialismo 2008

Uma pessoa gravemente doente, vivendo num sofrimento insuportável e sem perspectivas de melhoras, que deseja antecipar a sua morte, deve ser impedida porque a ninguém é permitido que a ajude? Ou pelo contrário, deve haver legislação que regulamente a morte assistida, como acontece já em alguns países? Laura Ferreira dos Santos, professora da Universidade do Minho, equaciona estas questões numa comunicação no Socialismo 2008 .

A Medicina e a regulação das sexualidades no Socialismo 2008

Quais são, hoje, os instrumentos que a moralidade conservadora encontra para controlar a emancipação social? E de que forma a medicina e o próprio conhecimento científico podem servir estes interesses? São algumas das questões levantadas pelo médico Bruno Maia no Fórum de Ideias "Socialismo 2008", que se realiza na Faculdade de Psicologia do Porto de 29 a 31 de Agosto.

Socialismo 2008: A Propriedade é um Roubo?

"E a propriedade, afinal é ou não um roubo?" é o tema da conferência do economista José Maria Castro Caldas no próximo domingo, dia 31, no Fórum de Ideias "Socialismo 2008", que se realiza na Faculdade de Psicologia do Porto. O autor tem vindo a desenvolver o tema no blog Ladrões de Bicicletas, onde continuará a publicar textos sobre o assunto.

Touradas em debate no Socialismo 2008

Além das sessões habituais, o fórum de ideias Socialismo 2008 conta também com Mesas de Polémica, onde será possível ouvir os argumentos de dois oradores com opiniões contrárias. São todas no Sábado às 18h e uma delas aborda o tema das touradas. A contestá-las teremos o Maestro Vitorino de Almeida, e para defendê-las contamos com a presença do colunista Daniel Oliveira.

Corpo e política em debate no Socialismo 2008

"O Corpo como plataforma política de resistência" é mais um tema em discussão no Fórum de Ideias Socialismo 2008. Salomé Coelho, activista na área dos direitos sexuais, é a oradora convidada. A repressão sexual, a forma como o poder político investe nas concepções da sexualidade, a normalização imposta pela sociedade e a emergência de novos movimentos de desconstrução (como o Queer), serão algumas das questões em debate.

Regiões e interioridade em debate no Socialismo 2008

Gaspar Martins Pereira, professor de História Contemporânea e um dos nomes associados à preservação da história e da memória do Douro, participa no Socialismo 2008 com uma comunicação sobre regiões e interioridade, um tema que regressa ao debate político e às propostas da esquerda.

Mercado europeu de educação em debate no Socialismo 2008

"Processo de Bolonha e o mercado europeu de ensino" é o tema da conferência de Fátima Antunes, mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, no Fórum de Ideias Socialismo 2008. Para onde caminha a educação no espaço europeu? Será possível resistir à mercadorização do conhecimento? Como potenciar o intercâmbio cultural entre estudantes e professores no espaço europeu? Estas são algumas das polémicas lançadas pela conferencista. 

Documentário político em debate no Socialismo 2008

"O documentário político na era de George W. Bush e a crise de credibilidade da televisão americana" é o tema da conferência de Jorge Campos, professor universitário e antigo jornalista da RTP, no fórum de Ideias Socialismo 2008. Porque é que as notícias na televisão americana são o que são e já não são só o que eram? Os consensos e ilusões necessários de que fala Chomsky ou as propagandas silenciosas de Ramonet continuam a fazer o seu percurso. Mas, a novidade, com a guerra do Iraque, é a propaganda agressiva e ultra-conservadora de canais como a Fox News. Face ao descrédito da informação televisiva, o documentário americano volta a ser uma arma.