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O voto certo» é no MPLA

Em suma, a hora não é para experiências. No nosso contexto e na actual conjuntura do país, nacional e internacional, o voto certo é o voto no MPLA. Para isso, não é preciso ser do MPLA. Os próprios militantes ou simpatizantes da UNITA poderão fazê-lo. Como se sabe, o voto é secreto.

Artigo de João Melo, jornalista e escritor angolano, director da Revista África21, colunista no Jornal de Angola e membro do MPLA.

Qualquer eleição é sempre uma escolha entre as opções disponíveis. Portanto, e além do tipo de eleição, a conjuntura e o contexto são factores decisivos a levar em conta pelos eleitores. Nas democracias consolidadas, por exemplo, é comum os eleitores votarem num partido nas legislativas, no candidato de outra formação, nas presidenciais, e ainda numa terceira organização, nas autárquicas. Em todas essas eleições, as melhores opções podem variar consoante o partido.

As actuais eleições em Angola são para escolher os deputados ao parlamento e, consequentemente, o futuro governo do país. Embora, constitucionalmente, caiba ao presidente da República a escolha do governo, ele fá-lo sempre de acordo com o partido que vencer as legislativas. Não é à toa que o presidente José Eduardo dos Santos é o cabeça de lista do MPLA.

Para simplificar, pode concluir-se, pois, que as actuais eleições se destinam a escolher o partido que governará Angola nos próximos quatro anos.

Ora, sabendo-se isso, qual é a melhor opção para Angola, de acordo com a conjuntura e o contexto presentemente vividos no país?

Na minha opinião, é o MPLA. Não o digo apenas por ser do MPLA. Há dias, um auto-declarado membro (talvez seja melhor dizer simpatizante, pois não lhe conheço nenhuma militância orgânica) do MPLA declarou que vai votar na FpD e, por certo, nada lhe irá acontecer pessoalmente. Como diz o povo, com a sua enorme sabedoria, "o MPLA é grande".

A melhor opção para Angola, neste momento, é o MPLA, por se tratar do melhor partido do mundo? Não. É apenas, presentemente, o melhor partido angolano. Estamos em Angola e não em qualquer outro país. Entre as 14 opções disponíveis, o MPLA é a única força realmente nacional, com um projecto de país moderno, onde todos se poderão rever, e que, além de tudo, é experiente e viável.

Como nunca é demais insistir, o seu principal adversário, em que pese todo o verniz, mantém-se fiel ao seu projecto histórico de características violentas e excludentes, inspiradas na mitologia jaga. Lamento-o por vários quadros e militantes dessa formação que conheço e considero disponíveis para partilhar uma visão aberta de Angola. Mas se não forem capazes de mudar realmente a organização (ou então, como outros já o fizeram, de se demarcar da mesma), correm o risco de, a médio prazo, afundar-se com ela.

Quanto aos outros partidos concorrentes, são todos eleitoralmente inviáveis. Isso inclui a FpD, com a qual me sinto mais próximo, do ponto de vista cultural, mas que se revelou um fiasco completo, em termos político-eleitorais.

O MPLA já resolveu todos os problemas do país? Obviamente que não. Mas só a má-fé, o ressentimento cego ou, no mínimo, a dificuldade - própria de alguns intelectuais, na sua relação formal com as ideias - de "entender e viver a tempo" pode ignorar duas coisas: o impacto da guerra, em especial a guerra pós-eleitoral desencadeada pela UNITA em 1992, na situação geral do país; os enormes avanços realizados pelo governo do MPLA, em várias frentes, desde que este último conseguiu pacificar o país, em 2002.

Na minha opinião, a prioridade política, neste momento, é derrotar claramente o projecto savimbista mantido pela actual direcção da UNITA, por detrás de toda a sua retórica. Isso está a ser compreendido por centenas de figuras do referido partido que, só neste mês de campanha, aderiram ou apelaram ao voto no MPLA. Em contrapartida, não se conhece uma única figura do MPLA que se tenha passado para a UNITA, o que diz tudo.

Por outro lado, neste momento, o comboio da reconstrução, do desenvolvimento e da modernização de Angola já começou a subir o morro. Pará-lo significa voltar para trás, talvez irremediavelmente. Com efeito, e a avaliar pelos resultados de 1992, a outra força eleitoralmente viável, além do MPLA, não só não mudou de natureza ideológica, como tem uma série de compromissos, em especial com os seus aliados externos, que poriam em causa, inevitavelmente, todo o trabalho que está em execução.

Em suma, a hora não é para experiências. No nosso contexto e na actual conjuntura do país, nacional e internacional, o voto certo é o voto no MPLA. Para isso, não é preciso ser do MPLA. Os próprios militantes ou simpatizantes da UNITA poderão fazê-lo. Como se sabe, o voto é secreto.

O que foi feito nos últimos seis anos - a começar pela mão fraterna que o governo estendeu à UNITA, quando esta foi militarmente derrotada, em 2002 - demonstra, para quem quiser ver, que o MPLA governa para todos os angolanos.

(...)

Resto dossier

Dossier Eleições em Angola

Sexta feira, 5 de Setembro, realizam-se eleições legislativas em Angola. Decorrem dezasseis anos depois das eleições que terminaram dramaticamente na continuação da brutal guerra entre o MPLA e a UNITA, num período de acentuado crescimento económico, onde as injustiças sociais e as limitações às liberdades continuam a ser gritantes.

Entrevista com Luiz Araújo

O esquerda.net entrevistou Luiz Araújo sobre as eleições de 5 de Setembro 2008 em Angola. Luiz Araújo é director da Associação cívica angolana SOS Habitat, que se tem destacado pela defesa dos direitos humanos em Angola.

O voto certo» é no MPLA

Em suma, a hora não é para experiências. No nosso contexto e na actual conjuntura do país, nacional e internacional, o voto certo é o voto no MPLA. Para isso, não é preciso ser do MPLA. Os próprios militantes ou simpatizantes da UNITA poderão fazê-lo. Como se sabe, o voto é secreto.

Silêncio, que se vai votar em Angola

Na próxima semana há eleições em Angola pela primeira vez em 16 anos. Esta é, sem dúvida, uma boa notícia. Mas, tirando esse facto, pouco se sabe sobre o que realmente se está a passar neste país africano. O silêncio dos média internacionais, e em particular dos portugueses, num período de campanha eleitoral, diz muito sobre as condições em que as eleições estão a ser preparadas.

11 razões para votar na FpD - Porquê a FpD…

"A minha opção por apoiar a FpD decorre da sensibilidade que ela possui para as questões sociais. Vejo na FpD a firme vontade de ver reduzido o nível de sofrimento do nosso povo. É ela que melhor interpreta a necessidade de se promover a igualdade do género, a busca de melhores oportunidades para a juventude, os direitos dos trabalhadores..."

14 partidos e coligações apresentam-se ao voto

O Tribunal Constitucional de Angola admitiu, para às eleições legislativas de 5 de Setembro, as candidaturas de dez partidos políticos e de quatro coligações.Abaixo, a lista completa e um pequeno resumo da sua história.

Angola: Eleições livres e justas em dúvida

A organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, a 13 de Agosto de 2008, tomou posição sobre o decurso das eleições em Angola, considerando que a intimidação de partidos da oposição e dos media e a interferência na comissão eleitoral ameaçam as perspectivas de uma votação livre e justa em 5 de Setembro. A HRW apelou ainda ao governo angolano para que garanta 4 questões essenciais e apresentou pontos fundamentais que os observadores internacionais devem ter em conta.

Não há eleições justas sem respeito pelas regras do Estado democrático de direito...

A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), associação angolana que se tem destacado na defesa dos direitos humanos no seu país, tomou posição pública a 18 de Agosto, alertando para situações graves e anómalas no processo eleitoral. Em comunicado, assinado pelo seu presidente Fernando Macedo, a AJPD denunciou, nomeadamente, "a propaganda permanente do Governo de Angola nos órgãos de comunicação social do Estado (RNA, TPA e Jornal de Angola)".

Uma lágrima pelo povo e pelo Estado de Angola

As autoridades "competentes", da Administração do Estado, dirigida pelo Governo de José Eduardo dos Santos, autorizaram a demolição do Mercado do Kinaxixe. Ao autorizá-la esse Governo destruiu património africano herdado da colonização europeia que nos co-engendrou como nação. Destruiu e deitou fora parte da memória colectiva da Cidade de Luanda e do País. Um moderno shoping center vai ser erguido no espaço do Mercado do Kinaxixe por gente detentora e ou cliente do poder.

A transição em Angola por Boaventura de Sousa Santos

Apesar do vertiginoso crescimento económico dos últimos anos, Angola continua entre os 10 países com mais baixo desenvolvimento humano. Calcula-se que as reservas do petróleo terminarão dentro de 20 anos. Angola não tem muito tempo para se tornar uma sociedade mais justa e mais livre.