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Os partidos e a crise do Estado das Autonomias

Aproximam-se as eleições e a agenda pública encontra-se cada vez mais marcada por temas de campanha que dependem da questão nacional. Desde a recuperação de competências na educação aos investimentos públicos em infra-estruturas, passando pelo conflito basco ou pelas políticas de migração, a luta pelo votante indeciso articula-se em torno de propostas partidárias ligadas ao modelo de Estado. Significativamente, graças ao marketing eleitoral, temas como a precariedade, a educação, o aborto ou a habitação estão a ser relegadas para segundo plano.

Texto de Raimundo Viejo Viñas no Periodico Diagonal

O desenvolvimento do debate configura um terreno de confrontação argumentativa em que a solução da questão nacional se está a converter na chave da mobilização emocional necessária para traduzir as preocupações sociais em votos. Sob esta perspectiva pode-se observar um panorama em que o PP se afirma como a variante nacional-católica do Estado nacional unitário: uniforme no plano cultural, ainda que moderadamente descentralizado no plano administrativo. Os nacionalismos sem Estado (mas com vontade de ter um) afirmam-se num amplo leque de alternativas que vão desde a blindagem de competências do Estado das Autonomias até às portas da secessão, sempre sobre a base de uma política de reconhecimento traduzida em assimetrias institucionais.

Para a esquerda com referência estatal, o federalismo continua a ser um assunto pendente. Por um lado, há quem defenda a descentralização e uma certa política de reconhecimento que se pode traduzir em assimetrias institucionais (minoria no Partido Socialista da Catalunha e maioria na Esquerda Unida - Iniciativa por Catalunha / Verdes); por outro lado, há quem defenda a descentralização, mas negue radicalmente as assimetrias institucionais (maioria do PSOE e minoria da IU-ICV). Merecem aqui especial menção as candidaturas de cidadãos do "nacionalismo negativo" espanhol, como a União, Progresso e Democracia ou o grupo catalão Cidadãos. Filhas da era Aznar, aspiram a valorizar algumas pequenas elites no epicentro do debate, activando um nacionalismo negativo espanhol que não se quer reconhecer na sua própria genealogia histórica e sabe que a Constituição de 1978 é suficiente para culminar a médio prazo a construção de "Espanha" como Estado-nação.

Por último, a esquerda abertzale continuará sob uma excepção visível com o encarcelamento dos seus militantes, a descontaminação das suas listas, etc. Como pano de fundo, vemos sectores do poder judicial, sem dúvida interessados em influenciar directamente o resultado eleitoral.

 

No País Basco, a esquerda abertzale, que não pôde concorrer às eleições e tinha obtido 150 mil votos na última consulta (com o Partido Comunista das Terras Vascas), lançou uma campanha de apelo à abstenção. Fortes dispositivos policiais previnem a possibilidade de atentados.

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Resto dossier

Dossier Eleições no Estado Espanhol

As eleições convocadas para 9 de Março parecem reforçar a hegemonia bipartidária no estado espanhol: de acordo com as sondagens, PSOE e PP deverão aumentar as suas votações, mantendo-se no governo os socialistas. Dificilmente a Esquerda Unida conseguirá manter o número de deputados e nenhuma outra força anti-capitalista parece emergir na esquerda espanhola.

A Igreja em campanha contra os direitos

O ultracatolicismo utiliza o marketing político e as técnicas de lobby para criar uma confrontação que lhe permite influenciar a agenda política, manter os seus privilégios e a estrutura confessional do Estado.

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Aproximam-se as eleições e a agenda pública encontra-se cada vez mais marcada por temas de campanha que dependem da questão nacional. Desde a recuperação de competências na educação aos investimentos públicos em infra-estruturas, passando pelo conflito basco ou pelas políticas de migração, a luta pelo votante indeciso articula-se em torno de propostas partidárias ligadas ao modelo de Estado. Significativamente, graças ao marketing eleitoral, temas como a precariedade, a educação, o aborto ou a habitação estão a ser relegadas para segundo plano.

Sondagens colocam Zapatero na frente (mas não digam aos espanhóis)

O primeiro ministro espanhol está prestes a conseguir a reeleição por uma estreita margem, de acordo com os resultados de uma sondagem publicada pelo The Times . A pesquisa, realizada pela empresa espanhola de sondagens Sigma Dos, mostra o Partido Socialista de José Luis Rodriguez Zapatero a vencer os seus rivais conservadores por 3,8 pontos percentuais. Esse resultado garante aos socialistas lugares suficientes no Parlamento para assegurar a governação mas deixa-os sem maioria absoluta.

O inefável juiz Garzón actua de novo

Uma sociedade sem um quadro jurídico que a ampare não pode subsistir em harmonia. A lei protege todos, também aos débeis e aos que, pela razão que seja, não protege.

E se os imigrantes pudessem votar?

Vivem aqui, trabalham aqui, pagam os seus impostos aqui, mas não podem votar. Os imigrantes regularizados são um importantíssimo colectivo que reivindica este direito, e era questão de tempo até que alguém se lembrasse de criar um "banco de votos" em que, voluntariamente, os espanhóis que se abstenham possam ceder o seu voto a um estrangeiro residente.

Umas eleições sem ilusões para a esquerda anti-capitalista

O governo social-liberal do PSOE dos últimos anos mostrou o que muita gente esperava, apesar dos modos simpáticos de Zapatero. Um governo que continuou a aplicar as medidas neoliberais, reduzindo salários já de si baixos, lutando contra os movimentos sociais e reprimindo as dissidências políticas que não cabem no sistema monárquico herdado da ditadura.

Continua o Carnaval, chegam as eleições

Tudo parece pronto para o grande dia. À chegada do AVE [comboio de alta velocidade] a Barcelona, seguir-se-á a entrega dos primeiros subsídios de habitação jovem, poucos dias antes das eleições. A máquina eleitoral dos dois partidos maioritários ocupou as ruas e os meios de comunicação. Se na sua origem a palavra slogan se referia aos gritos de guerra que os clãs escoceses utilizavam para se diferenciar, os actuais “gritos de guerra” servem apenas para reconhecer o clã político de que provêm.

As propostas de Zapatero e Rajoy

Os principais orgãos de comunicação social do estado espanhol têm centrado a cobertura informativa do processo eleitoral nos dois maiores partidos, dificultando a emergência de movimentos alternativos ao neo-liberalismo de Zapatero e Rajoy.