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Os fundos emergentes que ganham com a crise e geram paranóia

A crise financeira dos Estados Unidos converteu-se numa grande oportunidade para os Fundos soberanos (Sovereign Wealth Funds), fundos estatais através dos quais os países petrolíferos e asiáticos começaram a comprar bancos com problemas. Nos últimos meses, China, Singapura, Arábia Saudita, Emiratos Árabes, Kuwait e Qatar utilizaram este instrumento financeiro para ficar com acções de entidades líderes como Merrill Lynch, Citigroup, Morgan Stanley, Bear Stearns y UBS.

Artigo de Fernando Krakowiak, publicado no jornal argentino Página 12

Antes utilizavam os recursos provenientes do superavit comercial para comprar títulos do tesouro norte-americano, mas a baixa rentabilidade deste investimento levou-os a assumir maiores riscos para aumentar os seus ganhos. A mudança gera todo o tipo de paranóias nas potências centrais onde alguns vêem esta entrada como um risco para a segurança nacional.

Os fundos dos países emergentes não são novos tal como os temores que despertam. A revista "The Economist", que dedicou a capa do seu último número a analisar a "invasão" dos Fundos soberanos, assinala que o primeiro foi criado pelo Kuwait, em 1953, e serviu para esse país comprar em 1987 mais de 20 por cento da British Petroleum. Contudo, a então primeira-ministra Margaret Thatcher não tolerou essa situação e obrigou a firma a vender mais de metade dessas acções, deixando para outro momento a reivindicação do mercado livre. Agora o debate voltou, porque a subida do preço do petróleo e das matérias-primas outorgou aos países emergentes uma liquidez extraordinária que está a ser canalizada através dos fundos soberanos.

O fundo Abu Dhabi Investment Authority, controlado pelo xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, governador dos Emiratos Árabes, desembolsou em Dezembro 7500 milhões de dólares por acções convertíveis do Citigroup, com um rendimento de 11 por cento anual, que poderá trocar por 4,9 por cento das acções ordinárias da companhia a partir de 2010. Este é o maior fundo governamental, com activos de 875 mil milhões de dólares, que incluem acções em casinos e empresas de produtos electrónicos, entre outras.

O governo chinês também é protagonista nos países centrais. Comprou 10 por cento do capital do fundo dos Estados Unidos Blackstone por 3300 milhões de dólares através da sociedade estatal de investimentos, desembolsou 2200 milhões de euros pelo banco britânico Barclays com dinheiro do China Development Bank, destinou outros 5000 milhões para adquirir 9,9 por cento das acções de Bear Stearns.

Outro que jogou forte foi o governo de Singapura. Em Dezembro, investiu 4400 milhões de dólares através do fundo Temasek para entrar como accionista de Merrill Lynch, onde também entraram os grupos Korean Investment Corporation, Kuwait Investment Authority e o japonês Mizoho Corporate Bank. Além disso, Singapura desembolsou 6880 milhões no Citi, 6800 milhões na União de Bancos Suíços por intermédio do fundo GIC, neste último caso juntamente com um investidor saudita desconhecido, e contando com investimentos em três grandes bancos chineses: ICBC, China Construction Bank e Bank of China.

Os Estados Unidos já ofereceram resistência ao capital estrangeiro quando a companhia estatal China National Offshore Oil Corporation quis ficar com a petrolífera californiana Unolocal e quando a firma DP World, propriedade do governo do Dubai, tentou controlar alguns portos, como os de Nova Iorque e Nova Jersey, através da sua entrada em P&O's. Agora prometem que não ficarão de braços cruzados. Um ex-funcionário citado em The Economist sustenta que em Washington estão "muito alerta" e que o debate gerado acerca destes fundos é o prelúdio de uma acção contra eles.

Tradução de Carlos Santos

Fundos soberanos (sovereign wealth funds) são fundos controlados pelo Estado que ganharam um peso decisivo recentemente, existindo já em 25 países diferentes. O seu objectivo é semelhante ao da generalidade dos investidores particulares: o de maximizar a rendibilidade a longo prazo de uma carteira diversificada de investimentos, em função de um determinado nível de risco.

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