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Os tabus dos candidatos

Eis uma pequena lista de coisas que você não vai ouvir dos principais candidatos nesta temporada de primárias presidenciais. Chamem-lhes tabus dos candidatos.

Por Ralph Nader

* Não vamos ouvir falar de um apelo à repressão ao crime empresarial, à fraude e ao abuso que roubou biliões de dólares dos trabalhadores, dos investidores, dos pensionistas, dos contribuintes e dos consumidores. Entre as reformas que não serão sugeridas estão o investimento de recursos para processar os executivos vigaristas, e a adopção de leis para democratizar a gestão das corporações, de forma a que os accionistas tenham poder real. Os candidatos não vão clamar pela devolução de ganhos de origem duvidosa, pelo controlo dos pagamentos aos executivos, ou pela adopção de leis de liberdade de acesso à informação corporativa.

* Não vamos ouvir a proposta de que os trabalhadores recebam um salário para viver, em vez de um salário mínimo. Não haverá apoio à revogação da Lei Taft-Hartley, anti-sindical, de 1947, que impediu mais de 40 milhões de trabalhadores de formarem ou aderirem a sindicatos para melhorar os salários e os benefícios, acima dos níveis da Wal-Mart ou da McDonald's.

* Não vamos ouvir a proposta de sair da OMC e da ALCA. Os acordos de comércio renegociados deveriam ater-se às questões comerciais, ao mesmo tempo que assuntos do trabalho, do meio ambiente, dos direitos do consumidor deveriam ser salvaguardados em tratados separados, sem estarem subordinados aos ditames do comércio internacional.

* Não vamos ouvir a proposta de que o nosso sistema tributário seja substancialmente reformulado, de forma a que os trabalhadores possam ficar com uma parcela maior dos seus salários, ao mesmo tempo que se aumenta a carga fiscal sobre as coisas de que menos gostamos, como a poluição, o açambarcamento, as indústrias de produtos que provocam vício e tecnologias gulosas em consumo de energia. Nem vamos ouvir que as corporações deveriam ter de pagar uma carga fiscal justa; as contribuições fiscais das empresas em toda a arrecadação federal estão em declínio há 50 anos.

* Não vamos ouvir a proposta de um sistema de saúde público universal. Quase 60 anos depois de o presidente Truman o ter proposto, ainda precisamos de um seguro de saúde para todos, um programa com qualidade e custos controlados e uma ênfase na prevenção. Um sistema de saúde para todos vai salvar milhares de vidas ao mesmo tempo que manterá as escolhas dos pacientes em matéria de médicos e hospitais dentro de um sistema de saúde privado e competitivo.

* Não há motivos para acreditar que os candidatos vão enfrentar os interesses comerciais que lucram com a nossa actual situação energética. Precisamos de uma agenda de saúde ambiental que desafie estes interesses entrincheirados, através de novas e importantes iniciativas no âmbito da energia solar, da melhoria da eficiência do combustível de veículos, e de outras tecnologias energéticas limpas e sustentáveis. Nem haverá reconhecimento adequado de que os actuais combustíveis fósseis estão a produzir não só o aquecimento global, mas também o cancro, as doenças respiratórias, e as confusões geopolíticas. Finalmente, não haverá propostas para pôr fim ao racismo ambiental, que leva a mais água e ar contaminados, descargas de lixo tóxico nas periferias pobres.

* Os candidatos não vão ser a favor de uma redução do orçamento militar que devora metade das despesas públicas operacionais do governo federal, numa altura em que não há União Soviética ou outro estado importante inimigo no mundo. Estudos do General Accounting Office e avaliações internas ao Pentágono apoiam a opinião de muitos almirantes e generais reformados de que uma defesa gastadora enfraquece o nosso país e distorce as prioridades domésticas.

* Não vamos ouvir um toque de rebate a favor de uma reforma eleitoral. Ambos os partidos vergonhosamente envolveram-se na manipulação eleitoral, um processo que garante a reeleição dos seus candidatos à custa dos frustrados eleitores. Nem vai haver propostas sérias para que milhões de ex-condenados cumpridores da lei tenham permissão de votar.

Outras reformas eleitorais deveriam incluir a redução de barreiras aos candidatos, mesmo dia de recenseamento, um registo verificado em papel de eleitores que votaram eletronicamente, segunda volta para garantir que os vencedores têm a maioria dos votos e, mais importante, financiamento público total para garantir eleições limpas.

Não vamos ouvir muita coisa acerca de uma guerra fracassada contra as drogas que custa anualmente cerca de 50 mil milhões. E os principais candidatos não vão dizer que os toxicodependentes deviam ser tratados em vez de presos. Nem os observadores podem esperar por qualquer apelo a revogar as leis "três crimes e vais dentro" [estatutos de governos estaduais que exigem que os tribunais estaduais apliquem penas pesadas de prisão a pessoas que cometam o mesmo crime três vezes ou mais em diferentes ocasiões], que encheram as cadeias desnecessariamente, ou o fim das sentenças obrigatórias que incapacitam os juízes.

* Os candidatos vão ignorar os diversos movimentos pacifistas israelitas cujos membros desenvolveram acordos para uma solução de Dois Estados com os seus homólogos palestinianos e americanos. É tempo de substituir o teatro de marionetas por um verdadeiro espectáculo de paz de Washington para a segurança dos povos americano, palestiniano e israelita.

Não vamos ouvir os candidatos a enfrentar os interesses empresariais que estiveram por trás das alterações ao nosso sistema de justiça civil, que restringe ou fecha a sala de tribunal a indivíduos enganados e erradamente prejudicados, mas não às corporações. Onde está a campanha contra a fraude e a ofensa a pacientes inocentes, consumidores, trabalhadores? Devíamos facilitar que os consumidores pudessem organizar-se e defender-se contra as práticas nocivas no mercado.

Os eleitores deviam visitar os sites da maioria dos candidatos partidários. Ver o que eles dizem, e ver o que não dizem. Depois, mandar mails ou cartas a qualquer ou a todos os candidatos e perguntar-lhes por que evitam estas questões. O rompimento dos tabus não vai começar pelos candidatos. Talvez comece pelos os eleitores.

Ralph Nader é um advogado e activista político. Foi candidato à presidência por quatro vezes (em 1992, 1996, 2000 e 2004).

Tradução de Luis Leiria

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Resto dossier

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Primárias: como e para quê?

Os cidadãos dos EUA vão escolher um novo presidente no dia 4 de Novembro de 2008. Mas esta data é apenas o culminar de um longo processo eleitoral, que já começou. Em todos os Estados do país, os eleitores de cada um dos principais partidos - Democrata e Republicano - mas em alguns casos também eleitores independentes - elegem delegados afectos ao candidato da sua preferência. Veja como funciona este processo, e consulte também o calendário das primárias.

A campanha no YouTube

Os anúncios televisivos são uma componente importante nas primárias, e nenhum candidato negligencia este veículo para chegar aos eleitores. O Esquerda.net juntou um conjunto de vídeos das principais candidaturas dos dois partidos. Descubra as diferenças.

O dia em que os canais de TV ganharam a lotaria

O processo eleitoral é refém das redes de televisão, através do controlo que estas exercem sobre as ondas hertzianas.

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Primárias EUA: perfil dos principais candidatos

Há mais marés que estrategas, e a história dos vencedores das primárias americanas ainda está para ser escrita. O campo republicano conta já com 3 vencedores, e Giuliani poderá juntar-se a Mccain, Huckabee, e Romney após as primárias da Flórida. Depois da vitória inesperada de Hillary Clinton no New Hamsphire, contra as expectativas dos fazedores de opinião, a corrida polarizou-se (e azedou) entre esta e Barack Obama. Previsões à parte, importa desde já conhecer o perfil dos principais candidatos. Um deles será o próximo presidente dos EUA.