You are here

Um apelo de Gaza: acabem o cerco!

Um chocante relatório em primeira-mão acerca das condições de vida na Faixa de Gaza foi apresentado no dia 13 de Dezembro a um grupo de activistas pela paz israelitas. Eles reuniram-se na sede da organização Gush Shalom em Telavive para ouvir o testemunho do Dr. Eyad Sarraj, uma dos poucas pessoas que ainda consegue sair da "maior prisão da terra".

 

O Dr. Sarraj, conhecido psiquiatra e activista pelos direitos humanos, vive na Faixa. Veio a Telavive para discutir com activistas pela paz de Israel a organização de protestos e acções pessoa-a-pessoa. O que se segue é o relato dele.

A água local é imbebível. Israel não deixa entrar água engarrafada. Assim como não permite a importação de bombas de água. O preço dos filtros de água subiu de 150 NIS para 1000 NIS, não há peças de reposição para todos os filtros. Só pessoas de posses podem ainda pagar por eles. Contudo, deixam entrar cloro.

Israel impede todas as importações para a Faixa, excepto uma pequena lista de cerca de uma dúzia de produtos básicos. Antes, 900 caminhões circulavam diariamente para as importações e exportações da Faixa de Gaza, hoje estão reduzidos a 15. Por exemplo, o sabão não pode entrar.

Não há cimento. Quando há um buraco no tecto, não pode ser reparado. É impossível continuar a construção de um hospital infantil que tinha começado.

Um instrumento médico que se avaria não pode ser reparado, por falta de peças de reposição. Por exemplo: incubadoras para bebés.

As pessoas com doenças graves não podem ir ao hospital - nem em Israel, nem no Egipto ou na Jordânia. As poucas autorizações emitidas são frequentemente entregues depois de um atraso fatal. Em muitos casos, os pacientes são condenados a morrer.

Os estudantes não podem ir às universidades fora da Faixa de Gaza. Cidadãos estrangeiros que por acaso estavam em Gaza não podem sair se tiverem uma identidade palestiniana. Os palestinianos que têm contratos de trabalho no exterior não podem sair. Alguns palestinianos tiveram permissão de sair através de Israel para o Egipto, mas as autoridades egípcias não os deixaram entrar e tiveram de voltar a Gaza.

Praticamente todas as empresas fecharam por falta de matérias-primas. Assim, a fábrica de Coca-cola fechou.

Todos os preços na Faixa de Gaza subiram às alturas - cinco vezes e até dez vezes. A vida é actualmente mais cara em Gaza que em Telavive.

Como é que as pessoas sobrevivem? Os membros das famílias amplas ajudam outros membros. Pessoas de mais posses apoiam os parentes. A UNWRRA traz a maior parte da alimentação básica para os refugiados.

O Hamas não tem falta de dinheiro. Recolhem os impostos sobre o tabaco que é trazido através de túneis. Também têm lojas e outros pequenos negócios, assim o governo do Hamas consegue financiar as suas actividades e apoiar os seus.

O Dr. Sarraj propôs abrir imediatamente a fronteira com o Egipto, para que os habitantes da Faixa de Gaza possam circular livremente pela fronteira de Rafah e importar e exportar os seus bens - como faziam antes de 1967. Ele quer, evidentemente, que todas as outras travessias sejam abertas também.

O campo da paz de Israel é hoje o mais importante aliado do povo palestiniano, disse, apelando às forças de paz para que mostrem a sua face humana à população de Gaza.

Depois deste relato, os activistas da paz começaram a discutir formas práticas de realizar acções conjuntas com o povo de Gaza. Foram debatidas algumas iniciativas, que receberam a aprovação do convidado. Foram propostas a um comité de acção dos movimentos pacifistas para aplicação urgente.

(...)

Resto dossier

O Futuro da Palestina

Na semana em que o presidente dos EUA, George W. Bush, realiza a sua primeira visita ao Médio Oriente e garante que haverá um acordo de paz até o final do ano, o Esquerda.net preparou um dossier sobre as perspectivas actuais e o futuro da Palestina. O que se pode esperar depois de Annapolis? Como está a vida nos territórios ocupados e particularmente na Gaza cercada? E que solução para o território da Palestina histórica: dois Estados, ou um Estado?

Auto-estrada só para israelitas

Uma estrada de quarto faixas atravessa as colinas perto desta aldeia palestiniana, propiciando aos israelitas uma ligação rápida entre Jerusalém e a área de Telavive. Mas os condutores das aldeias que circundam a estrada não a podem usar, pois está vedada aos veículos palestinianos.

Um apelo de Gaza: acabem o cerco!

Um chocante relatório em primeira-mão acerca das condições de vida na Faixa de Gaza foi apresentado no dia 13 de Dezembro a um grupo de activistas pela paz israelitas. Eles reuniram-se na sede da organização Gush Shalom em Telavive para ouvir o testemunho do Dr. Eyad Sarraj, uma dos poucas pessoas que ainda consegue sair da "maior prisão da terra".

A culpa é sempre dos palestinianos

Desde a ocupação dos territórios palestinianos em 1967 até aos dias de hoje, os cidadãos palestinianos acusados de crimes de segurança ou de outro tipo são julgados no sistema de tribunais militares israelistas dos Territórios Ocupados. Estes tribunais julgaram mais de 150 mil palestinianos. Outro dado impressionante é que metade dos presos que povoam as prisões israelitas estão nessa condição por decisão de tribunais militares.

Marwan Barghouti: nada indica que Israel fale a sério sobre acordo

A rede de televisão Al Jazeera entrevistou, por carta, Marwan Barghouti, uma das mais respeitadas vozes da Fatah, a facção do presidente Mahmud Abbas. Barghouti está a cumprir cinco penas de prisão perpétua, mas é apontado como o Nelson Mandela da Palestina e o possível futuro presidente. Na sua opinião, não há nada que indique que Israel fale a sério sobre atingir-se um acordo no próximo ano. Leia mais para ver a reportagem em vídeo, legendada em português.

A democracia, uma ameaça existencial?

Um único Estado na Palestina histórica, baseado na igualdade, é a alternativa mais promissora a um já morto dogma dos dois Estados.

Declaração de Um Estado

A declaração seguinte foi aprovada pelos participantes de uma reunião realizada em Julho de 2007 em Madrid sobre a Solução de Um Estado, e a Conferência de Londres de Novembro de 2007. Ela considera que os esforços para concretizar uma solução de dois estados na Palestina histórica não conseguiram trazer paz e justiça para os povos palestiniano e israelita judeu, e defende uma solução democrática que ofereça uma paz justa, e portanto duradoura num único Estado, cujos princípios são detalhados em seguida.

Socorro! Um cessar-fogo!

O objectivo estratégico de Israel em Gaza é quebrar o Hamas. O método é simples, primitivo mesmo: reforçar o bloqueio por terra, mar e ar, até que a situação da Faixa se torne absolutamente intolerável. Mas mesmo os comandantes israelitas reconhecem que as forças do Hamas estão a consolidar-se. E se o exército israelita invadir Gaza para reconquistá-la, a população irá apoiar os combatentes.

As reivindicações palestinianas estiveram ausentes de Annapolis

Entrevista na rádio Democracy Now! da jornalista Amy Goodman ao palestiniano Mustafa Barghouti e ao israelita Daniel Levy sobre os resultados da Conferência de Annapolis, realizada a 28 de Novembro do ano passado.

Última chamada para uma Solução de Dois Estados?

O ponto de vista predominante em todo o mundo sobre a forma de resolver politicamente o conflito de dois nacionalismos em Israel/Palestina é a chamada solução de dois estados - isto é, a criação de dois estados, Israel e a Palestina, dentro das fronteiras do antigo Mandato britânico da Palestina. Na verdade, esta posição não tem nada de novo. Pode dizer-se que foi a posição prevalecente em todo o mundo durante a século XX.