You are here

Portugal na rota de recrutamento das empresas militares privadas

Portugal entrou já no "circuito de recrutamento das empresas militares privadas", noticiou a revista Visão de 2 de Agosto de 2007, num artigo assinado por Francisco Galope.
Nesse artigo dá-se a conhecer que uma empresa, a Academia Nacional de Segurança Privada (ANSP), se estava a preparar para fazer segurança a empresários norte-americanos e nigerianos na Zona Verde de Bagdade.

Salientava o artigo que a concretizar-se esta proposta de segurança no Iraque, feita através da pouco conhecida empresa norte-americana First Response, a equipa da ANSP teria de se deslocar aos EUA para treinos em Setembro. "Desta feita com fogo real e com as armas que as empresas de segurança e militares privadas estão autorizadas a usar no Iraque, as pistolas Glock 19 e a pistola-metralhadora MP5. O desafio Iraque durará quatro meses, com um salário de 10 mil euros por mês."

Esta hipótese de portugueses partirem para o Iraque ao serviço de empresas privadas de segurança, sub-contratadas por empresas norte-americanas, não é caso único. A conhecida Blackwater já terá tentado subcontratações semelhantes com a ANSP e também com a Milícia, uma outra empesa portuguesa do Norte do país. No entanto, os contratos com a Blackwater não se concretizaram, devido aos montantes que esta empresa queria pagar, bastante inferiores aos que anuncia para os EUA. Enquanto a Blackwater anuncia 450 a 650 dólares por dia a cada contratado, às potenciais subcontratadas portuguesas não queria dispender mais do que 100 dólares por dia.

Segundo o referido artigo, o gerente da Milícia, estimava que um militar português em missão no estrangeiro receberá cerca de 3500 euros mensais, pelo que segundo ele o mínimo compensatório para os contratados pelas empresas privadas deveria ser de, pelo menos, 4 mil euros para os "básicos" e 7 mil para especialistas. A Milícia teria capacidade para fornecer um contingente de 200 contratados por seis meses, seguido de outros 200 também por seis meses.

O artigo da Visão dá também conta de relatos de recrutamentos feitos em Portugal directamente por empresas britânicas e norte-americana. A Associação Nacional de Contratados do Exército alertou, entretanto, que "sem apoio à reintegração social, os militares que terminam os contratos se tornam alvos fáceis para as empresas de recrutamento de mercenários".

(...)

Resto dossier

Empresas de mercenários

Com o fim da guerra fria ressurgiram em força os mercenários, numa nova forma: as empresas militares privadas. A guerra de ocupação do Iraque deu-lhes uma maior dimensão, ao ponto de serem hoje a segunda maior força de ocupação, depois do exército norte-americano.

Portugal na rota de recrutamento das empresas militares privadas

Portugal entrou já no "circuito de recrutamento das empresas militares privadas", noticiou a revista Visão de 2 de Agosto de 2007, num artigo assinado por Francisco Galope.

A ressaca pró-guerra do escândalo Blackwater

O actual escândalo Blackwater deve ajudar-nos a perceber as dinâmicas que se instalam rotineiramente, quando os ocupantes - quer sejam mercenários privatizados ou soldados uniformizados - assentam a sua acção em violência massiva contra a população, que alegam estar a ajudar.

De Bengala a Bagdade: Três Séculos de empresas de guerreiros

Ao recrutar empresas militares privadas, os EUA viraram-se para uma indústria que tem as suas raízes na luta pelos recursos dos fracos Estados africanos. Ao fazê-lo, podem ter soltado forças que pouco têm a ganhar com um possível sucesso na construção do Estado iraquiano.

Uma prática velha como o mundo

As organizações militares privadas prosperaram particularmente nos períodos de transição sistémica quando, sob governos enfraquecidos, poderosas forças militares (muitas vezes superiores às forças locais) se encontravam disponíveis no mercado. Num contexto como esse, as sociedades transnacionais são, com frequência, os actores organizados de maneira mais eficaz.

Companhias militares privadas no YouTube

Veja o vídeo sobre o crescimento da Blackwater, a maior companhia de mercenários do mundo.

Os novos mercenários

Um dos traços distintivos dos Estados democráticos reside no controlo da violência militar dentro de um marco estabelecido e a restrição da sua influência no mundo da política e da sociedade civil. A privatização da violência levou ao domínio das companhias militares privadas, à sua regulamentação dos conflitos bélicos internacionais, impondo as suas estratégias e tácticas militares.

O grande negócio da guerra

Depois do fim da guerra fria, as práticas de outsourcing rapidamente se desenvolveram no seio das forças armadas americanas. Forma avançada de subcontratação implica a divisão dos riscos entre o Estado e a iniciativa privada, o outsourcing constitui uma aplicação do new public management (nova forma de gestão do Estado), conforme as políticas liberais de privatização.