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Política e violência: a extrema-direita em Portugal

Em Portugal falar de extrema-direita é recordar os casos mais mediáticos que trouxeram para a Praça Pública o crescimento deste fenómeno. O primeiro foi o assassinato em 1989 de José Carvalho, dirigente do Partido Socialista Revolucionário, à porta da sede do partido. O outro caso foi em 1995 quando um grupo de vários Skinheads de extrema-direita, comemoravam no Bairro Alto, em Lisboa, o Dia da Raça (denominação dada para o dia 10 de Junho – dia de Portugal, de Camões e das Comunidades). Confrontos, que se seguiram ao jantar organizado pelo Skinheads, culminaram no assassínio de Alcino Monteiro, morto à pancada. Vários skinheads de extrema-direita foram identificados, investigados, detidos e posteriormente condenados em Tribunal pelos factos ocorridos naquela noite. Muitos desses detidos são os actuais líderes do movimento skinhead neonazi. Dez anos depois, a internet passa a ser o meio privilegiado de recrutamento e difusão dos ideais de extrema-direita, como se pode observar através da Frente Nacional. Mas basta olhar para as notícias para perceber que nos últimos anos o movimento de extrema-direita optou por uma estratégia de “sair à rua”, com uma maior mediatização, através da organização de várias manifestações e lançamento de vários materiais. A candidatura a uma lista para a Associação de Estudantes de Letras de Lisboa, um cartaz polémico no Marques de Pombal, entre outras actividades foram algumas das notícias em torno destes movimentos, ao mesmo tempo que se registam vários incidentes violentos perpetuados por estes grupos. Outras das estratégias prende-se com o discurso da liberdade de expressão, procurando acabar com a imagem de um grupo que promove o ódio e a violência, para um grupo perseguido politicamente. Discurso incentivado por alguns cronistas, com particular destaque para Pacheco Pereira, visto como uma referência por quase todos os sites de skinheads.
 

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Resto dossier

Extrema-direita à portuguesa

O grupo neonazi Frente Nacional vai a julgamento responder à acusação de discriminação racial e dezenas de crimes de delito comum. Publicamos de novo o dossier que elaborámos em Outubro de 2007.

A acusação

Os crimes de que são acusados os 36 arguidos no processo vão desde a injúria, dano, instigação pública a um crime, introdução em local vedado ao público, sequestro, instigação racial, detenção de arma proibida, coacção agravada, ameaças e ofensas à integridade física qualificada. Todos eles detinham armas ilegais e todos são acusados do crime de discriminação racial, punível pelo artigo 240º do Código Penal português com pena até oito anos para quem participe em organizações com as características da Frente Nacional, liderada pelos hammerskins de Mário Machado.

Política e violência: a extrema-direita em Portugal

Em Portugal falar de extrema-direita é recordar os casos mais mediáticos que trouxeram para a Praça Pública o crescimento deste fenómeno. O primeiro foi o assassinato em 1989 de José Carvalho, dirigente do Partido Socialista Revolucionário, à porta da sede do partido. O outro caso foi em 1995 quando um grupo de vários Skinheads de extrema-direita, comemoravam no Bairro Alto, em Lisboa, o Dia da Raça (denominação dada para o dia 10 de Junho – dia de Portugal, de Camões e das Comunidades). Confrontos, que se seguiram ao jantar organizado pelo Skinheads, culminaram no assassínio de Alcino Monteiro, morto à pancada.

A extrema-direita ao assalto dos partidos legais

Aparentemente, o último ponto do artigo 46º da Constituição não podia ser mais claro: “Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”. Mas isso não impediu a legalização e a participação eleitoral da extrema-direita em Portugal nesta década. O verdadeiro adversário da sua entrada no espectro partidário português não foi o Tribunal Constitucional, foi a disposição legal que obriga à recolha de 5000 assinaturas de cidadãos eleitores.

As origens do movimento skinhead

Ao contrário do que à primeira vista possamos pensar, a origem do movimento skinhead é muito diversa e rica e pouco tem a ver com o que se passa hoje. Está relacionada com grupos de jovens que tinham em comum o gosto pela música e as vivências dos subúrbios em Inglaterra. Muitos desses jovens eram inclusive imigrantes provenientes da Jamaica.

Profanador do cemitério judaico participou no espancamento a seguir à vigília da “matança de Lisboa”

A notícia tem um mês e chocou o país: dois skinheads neo-nazis, membros da Frente Nacional, entraram à noite no cemitério judaico de Lisboa e deixaram um rasto de destruição, profanando 17 campas e pintando graffitis com suásticas e outra simbologia nazi na pedra dos túmulos. Chegaram mesmo a defecar em duas campas antes de serem apanhados em flagrante pela PSP, alertada por um transeunte que estranhou o barulho vindo do cemitério.

O que são os Hammerskins?

A Hammerskin Nation tem origem em Dallas no final dos anos 80 e depressa se expandiu pelo resto dos Estados Unidos, recrutando através da música que incita ao ódio racial. Hoje é considerado o grupo neo-nazi mais violento e melhor organizado nos Estados Unidos. Composto quase exclusivamente por homens, defendem a supremacia branca e consideram-se a “elite dos skinheads”. Em Portugal, o grupo é liderado por Mário Machado e oito dos arguidos no processo dos neo-nazis pertencem ao “capítulo” português.

Tráfico de armas, drogas e mulheres: O submundo da extrema-direita

Uma das linhas da investigação policial é o financiamento das actividades da extrema-direita em Portugal. Embora esteja fora do processo que vai a julgamento, os indícios recolhidos neste e noutros processos permitem perceber como era financiada a infra-estrutura do grupo de Mário Machado e Vasco Leitão. O negócio da segurança privada continua a ser uma das fontes de rendimento do grupo, com elementos recrutados, por exemplo, nas claques de futebol. O grupo 1143, que fazia parte da Juventude Leonina – onde Machado e outros dos acusados iniciaram o contacto com o movimento skinhead neo-nazi – é um viveiro de militantes da Frente Nacional, e oito dos seus membros foram constituídos arguidos neste processo.

O que defendem os skinheads racistas?

De acordo com os seus próprios escritos, o movimento skinhead assume-se como nacionalista, encarando a nação enquanto uma comunidade étnica e cultural e defendem a história e a cultura intransigentemente; racialista, uma vez que são as raças que criam as civilizações e as nações; “socialista” porque o mais importante é a comunidade étnica e como tal nenhuma classe se pode subjugar a outra; ecologista e até democrata: “entendemos que os nossos pontos de vistas só poderão ser postos em prática se forem compreendidos e aceites por grande parte da população”.

Defende-se o racismo em nome “do direito ao disparate” e quiçá da ciência

A OPINIÃO DE  MAMADOU BA, DO SOS RACISMO

"Os Josés Pachecos Pereiras, Josés Manuéis Fernandes, as Estheres Muczniks e todos os arautos do “politicamente incorrecto”, terão de fazer uma escolha clara: encarar o racismo, no seu sentido mais lato como uma ameaça aos valores da humanidade, como uma aberração que nenhum direito ao disparate pode levianamente banalizar e estratificar."