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A "nova esquerda" da China

A "nova esquerda" da China é uma coligação flexível de intelectuais, centrada em Beijing, que se tem tornado cada vez mais audível na sua preocupação sobre a direcção das reformas da China desde os anos 90 e que advoga medidas, desde a social democracia ao nacionalismo económico e ao maoismo. O grupo não está altamente organizado, as ligações aos decisores são ténues e tensas. (...) Apesar de tudo, é capaz de articular as preocupações de um largo espectro da população da China.

Texto de Enoch Caudwell [1], incluído no livro "Reforms that Make a Few Rich: China and the Path to Economic Globalization" publicado por IFG (International Forum on Globalization)

O que significa ser de esquerda na China? As ironias do termo proliferam. A palavra "esquerda" na China refere-se frequentemente à adopção de medidas extremas e não ao conteúdo concreto do próprio objectivo. Quando o novo regime da China sob a liderança de Deng Xiaoping foi consolidado no final dos anos 70, os erros das décadas anteriores foram rotulados como "erros de esquerda". Este mantém-se o ponto de vista ortodoxo na China. Por isso, ser rotulado como "esquerdista" é ser associado a grandes acontecimentos da história da China que são quase sempre pintados de forma negativa: o Grande Salto em Frente, a Revolução Cultural, as Comunas, etc.

Contudo, em anos recentes, um grupo a que se tem chamado "nova esquerda" emergiu na cena intelectual da China. A "nova esquerda" da China é uma coligação flexível de intelectuais centrada em Beijing que se tem tornado cada vez mais audível na sua preocupação sobre a direcção das reformas da China desde os anos 90 e que advoga medidas desde a social democracia ao nacionalismo económico e ao maoismo. O grupo não está altamente organizado e as ligações aos decisores são ténues e tensas. A "nova esquerda" não opera no interior do Partido, e é impedida de se organizar fora dele, portanto mantém-se em primeiro lugar como uma comunidade baseada na Internet. Apesar de tudo, é capaz de articular as preocupações de um largo espectro da população da China.

Origens

O termo "nova esquerda" não foi cunhado por ninguém do interior do grupo. Foi, ao invés disso, inicialmente um termo pejorativo lançado contra uma série de críticos das reformas pós-1978. Não é claro quando o termo foi primeiro introduzido, mas tinha começado a pegar no final dos anos 90. Apenas alguns dos que são rotulados como "nova esquerda" reconhecem de facto o termo. Os comentários de Wang Hui, editor da influente revista Dushu, ajudam a explicar a razão disto:

"As pessoas como eu sempre foram relutantes em aceitar este rótulo que nos foi colocado pelos nossos adversários. Parcialmente isto acontece porque não temos nenhuma vontade de ser associados com a Revolução Cultural, ou com o que pode ser chamado a "velha esquerda" da idade da reforma do partido comunista chinês. Mas também porque o termo "nova esquerda" é ocidental, com um conjunto muito claro de conotações - geracionais e politicas - na Europa e na América. O nosso contexto histórico é chinês não ocidental e é duvidoso que uma categoria importada tão explicitamente do ocidente possa ser útil na China de hoje."

Em geral, o rótulo "nova esquerda" é atribuído aos membros das novas gerações da China que começaram a questionar criticamente a direcção das reformas na China, e a colocar a culpa dos novos problemas da China nas próprias reformas.

A "nova esquerda" emergiu nos anos 90 no seguimento do maior impulso para as reformas de mercado proclamado pela "Viagem ao Sul" de Deng Xiaoping em 1992. A viagem de Deng recomeçou as reformas de mercado que tinham sido metidas na gaveta no seguimento de Tiananmen. Nos anos 90, o clima aberto e de investigação intelectual dos anos 80 foi reduzido às principais correntes intelectuais: o liberalismo (como no liberalismo clássico - pensemos no Partido Conservador Britânico) e o neo-autoritarismo (pensemos no Park Chung Hee da Coreia do Sul). As reformas dos anos 90 seguem de perto estas duas ideologias: a fragmentação da sociedade em inúmeros interesses económicos em competição e a continuada centralização do poder político por intermédio do Partido Comunista.

No final dos anos 90, a pré-reforma do sistema de planeamento explodiu a partir de dentro. As principais políticas económicas das reformas tinham sido a "descentralização" e a abertura ao capital estrangeiro. A maioria das decisões económicas já não era tomada nos gabinetes do governo central e as unidades económicas (independentemente de serem "estatais" ou "privadas") tinham uma margem de liberdade grande nas suas decisões. Isto foi conscientemente incentivado pelas autoridades da China com base na crença de que um sistema defeituoso de incentivos tinha grandes culpas da performance económica pobre antes das reformas. Incentivos adequados (lucros) poderiam reanimar a economia chinesa, assim prosseguia tal raciocínio.

A economia da China está agora indubitavelmente animada mas as reformas também conduziram à polarização social, à corrupção e ao convívio entre o hiper-consumismo e a pobreza. Talvez o ponto mais unificador da "nova esquerda" da China é a sua insistência de que estes problemas foram causados pelas próprias reformas, em vez de terem sido o falhanço de reformas não totalmente implementadas.

Temas

Alguns dos temas mais comuns que se podem encontrar nos escritores da "nova esquerda" incluem:

Rejeição da ortodoxia económica neoliberal

A teoria económica neo-clássica é agora a tendência dominante nas instituições de ensino superior e os meios de informação económicos e financeiros têm o maior grau de autonomia relativamente ao Estado, em comparação com qualquer outro meio de comunicação impresso na China. Como resultado disto, a teoria económica neo-clássica - um pilar de apoio para as reformas correntes - é comummente citada e frequentemente tratada como um facto científico estabelecido. Muitos membros da "nova esquerda" da China, incluindo Yang Fan, Zuo Dapei, Han Deqiang entre outros, fizeram campanha contra o que pensam ser a hegemonia ascendente da teoria económica neo-clássica e contra o neo-liberalismo em geral. Há pouco consenso sobre o que deveria substituir a teoria económica neo-clássica. A maior parte dos escritores da "nova esquerda" sobre temas económicos e políticos tem uma relação complexa com a teoria marxista e não advoga que esta se torne a ortodoxia, apesar das coligações entre a "nova esquerda" e os auto denominados marxistas serem cada vez mais comuns.

Crítica da apropriação dos bens estatais por mãos privadas

Em 1978, quase todos os bens da China estavam nas mãos do Estado. As estimativas actuais sobre a parte remanescente dos bens de Estado abundam, mas há poucas dúvidas de que o quinhão do Estado é agora minoritário. Esta transferência silenciosa de bens começou a atrair muito mais atenção depois da aceleração das reformas das Empresas Propriedade do Estado, em meados dos anos 90. As críticas não vieram apenas da "nova esquerda" da China. No ano passado (ou em 2003) o economista de Hong-Kong Larry Lang Hsien-ping começou a criticar algumas das mais conhecidas e emergentes empresas por terem sido compradas pelos seus próprios gerentes.

Muitos membros da "nova esquerda" da China tinham escrito sobre o problema durante anos mas tinham gerado pouco interesse na China. Eles aproveitaram o espaço aberto nos meios de comunicação maioritários pela intervenção de um economista de Hong-Kong, educado nos Estados Unidos, e começaram a criticar a corrupção e injustiça das privatizações dos bens estatais.

Os membros da "nova esquerda" tiveram uma exposição nos principais meios de comunicação como nunca antes tinham tido e a sua intervenção despoletou um debate alargado na Internet na China. Esta intervenção tocou num ponto sensível para o público, que olha para a apropriação de bens estatais como um dos piores abusos de poder. Através de uma miríade de métodos, a apropriação de bens estatais implica a transferência de propriedade dos bens produtivos do Estado para mãos privadas e frequentemente é acompanhada por despedimentos, lay-offs ou a eliminação de benefícios da segurança social. O tema está na ribalta do conflito na China urbana.

Os comentários esmagadoramente críticos na Internet, relativamente aos processos de compra de empresas pelos seus gestores em particular, e ao roubo de propriedades estatais em geral, pressionou o corpo administrativo dos bens estatais do governo para mudar a sua política, relativamente aos processos de compra pelos gestores de firmas estatais em 2004, pelo menos temporariamente.

Oposição às concessões da China para pertencer à OMC

As autoridades viam a entrada da China na OMC como a via para preservar e continuar o processo de reformas e para permitir à sua economia desenvolver-se de acordo com as suas vantagens comparativas. A crítica mais básica da "nova esquerda" era de que a candidatura à entrada na OMC era uma estratégia dos interesses burocráticos e dos investidores, para consolidar a sua posição, e era contra o interesse da maioria do povo chinês. Um dos argumentos específicos era de que o acordo iria impedir que a China protegesse e cuidasse do desenvolvimento das suas "indústrias nascentes". Se a porta do comércio externo e investimento fosse aberta tão cedo, as empresas existentes na China teriam poucas alternativas, senão forjar alianças com as empresas estrangeiras e despedir trabalhadores, argumentavam. As empresas domésticas de alta tecnologia teriam também graves dificuldades de desenvolvimento.

Havia ainda a preocupação de que a entrada na OMC levasse a uma enchente de produtos alimentares estrangeiros, criando uma pressão desvalorizadora nos agricultores da China, apressando a sua migração para as cidades e exacerbando a desigualdade entre o meio urbano e rural. A liberalização financeira que deveria acompanhar a entrada da China na OMC também era criticada pela "nova esquerda". O debate sobre a OMC ocorreu pouco depois da crise financeira asiática e muitos pensavam que era insensato liberalizar o sector financeiro da China em tal período de instabilidade.

Repensando a história contemporânea da China

As reformas pós-78 foram acompanhadas por uma avaliação negativa da maior parte da história da China pós-49. Quase todos os males da China eram culpa das décadas anteriores, em particular da Revolução Cultural. A "nova esquerda" defende que os problemas actuais são resultado das reformas e não problemas residuais, recalcitrantes, restantes do passado de "esquerda" da China. Deverá ser então pouco surpreendente que a "nova esquerda"tenha começado a reexaminar a história revolucionária da China sob um enfoque mais positivo.

Alguns no campo da "nova esquerda" procuraram inspiração e soluções alternativas para os problemas contemporâneos, olhando para as inovações organizacionais e institucionais ocorridas na China antes das reformas. Isto incluiu comunas rurais, o sistema de saúde pública da China, a Constituição Angang (um conjunto de princípios de gestão de empresas adoptado em 1960, que encorajava a participação dos trabalhadores na gestão), e mesmo as empresas municipais pós-reformas.

Muitos da "nova esquerda" tentaram também alterar as opiniões geralmente negativas sobre o desenvolvimento económico da era Mao. Apontam a subida dos níveis de vida, das taxas de literacia, a queda da mortalidade infantil, o crescimento industrial rápido etc. Alguns chegam ao ponto de alegar que foi Mao quem assentou os pilares do crescimento económico rápido da China depois de 1978.

O assunto histórico mais difícil com que a "nova esquerda" se confronta tem sido indubitavelmente a Revolução Cultural. Esta continua em larga medida um território histórico inexplorável e a maior parte da nova investigação só pode ser publicada na forma de samizdat[2]. Nenhuma outra interpretação de um acontecimento histórico (excepto Tiananmen) é tão apertadamente controlada pelas autoridades como a Revolução Cultural. Indivíduos da "nova esquerda" têm produzido, nos anos recentes, um conjunto grande de informação documental (principalmente entrevistas e memórias), que complicou a simplista e completamente negativa versão oficial da Revolução Cultural. Alguns defenderam mesmo que a reintegração da China no capitalismo global e a re-emergência de um grupo corrupto de oficiais/capitalistas justificou os medos e razões iniciais para Mao Zedong ter lançado a Revolução Cultural. Esta não é uma crença prevalecente (veja-se o comentário de Wang Hui em cima), mas dá uma ilustração da disparidade crescente de opiniões que se desenvolveu recentemente na China.

Finalmente, é merecedora de análise a reinterpretação de Wang Hui sobre as causas do movimento da Praça de Tiananmen em 1989. Wang tentou afastar os holofotes dos protestos estudantis e incidir nos protestos sociais altamente disseminados, que se desenvolveram no final dos anos 80. Estes protestos emergiram como resposta a uma série de politicas descentralizadas mercantis, de acordo com Wang, e seriam assim uma parte da resistência mundial às políticas neo-liberais.

Actividades da nova esquerda

As actividades públicas da "nova esquerda" mantêm-se restringidas exclusivamente à esfera intelectual. Apesar das reformas de mercado alargadas, o Partido Comunista da China detém apertadamente o monopólio da organização. Mesmo estratégias de mobilização de nível baixo como assinar petições podem levar à repressão. Há laços crescentes entre a "nova esquerda" e grupos que promovem cooperativas e trabalham para proteger os direitos dos migrantes urbanos, mas estes laços ainda agora se estão a começar a formar.

A esquerda mais alargada

A "nova esquerda" da China não é tudo o que resta da esquerda na China. Há alguns membros da "velha esquerda" espalhados aqui e ali. A "velha esquerda" são os remanescentes, principalmente do governo e dos quadros do partido, que permaneceram nos seus postos depois do começo das reformas e que continuaram a acreditar no carácter correcto de muitas das políticas de Mao Zedong (e na versão chinesa do marxismo). Institucionalmente, poderia parecer que a "velha esquerda" ainda vai muito bem na China, uma vez que o marxismo continua a ser um campo obrigatório de estudo, para todos os estudantes e não apenas nas escolas do partido. Mas a realidade é que a velha esquerda está a morrer, literal e figurativamente. Os principais jornais da "velha esquerda" - Zhenli de zhuiqiu (A Busca da Verdade) e Zhongliu (Corrente Principal) - foram fechados pelo Partido depois de publicarem artigos críticos da decisão de Jiang Zemin de dar o consentimento oficial à já muito espalhada entrada de empresários no Partido em 2002. Nada emergiu para tomar o seu lugar. Há também um pequeno número de comunidades rurais que atingiram a fama por se terem mantido fiéis aos princípios de desenvolvimento maoistas depois das reformas (Nanjiecun, Huaxicun, etc.), mas este modelo não foi adoptado por outras comunidades rurais.

[1] Enoch Caudwell é um académico independente que estuda a acumulação primitiva na China. Este texto está incluído no livro "Reforms that Make a Few Rich: China and the Path to Economic Globalization" ("Reformas que enriquecem apenas alguns: A China e o caminho para a Globalização Económica" de Dale Wen e outros).

[2] Samizdat - Cópia e distribuição clandestina de literatura proibida e de outros meios, no antigo bloco soviético.

(...)

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