You are here

Dossier China

Quando se realiza o 17º Congresso do PC da China, publicamos este dossier onde se procura dar a conhecer o pensamento de professores e investigadores chineses, pouco conhecidos em Portugal, que têm uma visão diferente da dominante no seu país.
Wang Hui analisa os acontecimentos de Junho de 1989 em Tiananmen e as origens do neoliberalismo na China, Huang Ping interroga: se o trabalho fosse globalizado, a "globalização" soaria tão atractiva? Dale Wen fala da crise ambiental, Han Deqiang dos custos sociais do neoliberalismo, Wen Tiejun do mundo rural e da urbanização desenfreada, Dingli Shen explica a política externa da China.
Publicamos ainda uma carta de 17 quadros a Hu Jintao e um conto de Xu Xing. Por fim, a análise de um académico norte-americano sobre a "nova esquerda" da China.

Dossier organizado por Carlos Santos.

(...)

Resto dossier

Dossier China

Quando se realiza o 17º Congresso do PC da China, publicamos este dossier onde se procura dar a conhecer o pensamento de professores e investigadores chineses, pouco conhecidos em Portugal, que têm uma visão diferente da dominante no seu país.

Questões de Género, Globalização e Trabalho no contexto da China, por Huang Ping

Se realmente existe uma tendência para a globalização, temos de perguntar-nos se este processo será inclusivo ou exclusivo. Será que inclui mais alguém para além da pequena elite dos líderes a nível social, cultural e religioso, os quais se podem dar ao luxo de assistir a uma conferência em Tóquio de manhã, um banquete em Roma à tarde e uma saltada a Paris após o jantar para assistir a uma ópera?
Se o trabalho fosse globalizado, a "globalização" soaria tão atraente?

A diplomacia pragmática, por Dingli Shen

A política externa chinesa orientou-se para (...) um pragmatismo que leva em conta principalmente os interesses vitais do país e reconhece a importância dos laços com os Estados Unidos. Isso confirmou-se na tomada de posição da China diante da guerra norte-americana no Iraque, e na busca por uma solução pacífica para o problema colocado pelo programa nuclear norte-coreano.

"Estimular milhões de camponeses a irem para as cidades não tem futuro", entrevista com Wen Tiejun

1 300 milhões de chineses não podem viver como em Nova Iorque ou em Madrid. É impossível.
... o problema mais grave nos últimos anos foi a perda de terra para a urbanização, sofrida pelos camponeses, convertendo muitos em camponeses sem terra, o que provocou revoltas e instabilidade.

As atribulações de um camponês, conto de Xu Xing

Conto do escritor chinês Xu Xing. Trata-se da história de um jovem camponês que, chegando à cidade, vê-se frente a frente com o mundo insólito do capitalismo selvagem.

Entrevista com Han Deqiang sobre os custos sociais do neoliberalismo na China

Han Deqiang é um conceituado economista da Escola de Economia e Gestão da Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Beijing, fazendo parte de um crescente número de académicos que criticam a estratégia de desenvolvimento neoliberal da China. Mas a sua crítica não é recente: desde há quase duas décadas que Han mantém esta atitude, tendo escrito muitos livros e artigos sobre a crise social que afectou camponeses e trabalhadores durante o novo regime económico chinês.

China necessita socialismo ecológico, entrevista com Dale Wen

O filipino Walden Bello, reconhecido activista contra o neoliberalismo e director da ONG "Focus on the Global South", entrevistou a ambientalista chinesa Dale Wen. Ela é autora da obra "China Copes with Globalization: a Mixed Review" (A China face à globalização: uma revisão mista) - considerada uma das melhores obras sobre os impactos ambientais e sociais da vertiginosa industrialização chinesa.

As origens do neoliberalismo na China, por Wang Hui

A repressão do movimento de 1989, na Praça Tiananmen, marcou uma viragem na história chinesa.
Esta mobilização abusivamente reduzida pelos comentadores a um protesto estudantil e liberal tocou camadas bem mais vastas da população, portadoras de uma dupla reivindicação, social e política. O esmagamento do movimento permitiu a aceleração da "transição" chinesa para a economia de mercado em condições autoritárias, com uma subida das desigualdades.

A "nova esquerda" da China

A "nova esquerda" da China é uma coligação flexível de intelectuais, centrada em Beijing, que se tem tornado cada vez mais audível na sua preocupação sobre a direcção das reformas da China desde os anos 90 e que advoga medidas, desde a social democracia ao nacionalismo económico e ao maoismo. O grupo não está altamente organizado, as ligações aos decisores são ténues e tensas. (...) Apesar de tudo, é capaz de articular as preocupações de um largo espectro da população da China.
Texto de Enoch Caudwell, incluído no livro "Reforms that Make a Few Rich: China and the Path to Economic Globalization" publicado por IFG (International Forum on Globalization)

Carta de 17 quadros a Hu Jintao

A nossa perspectiva acerca do forno de tijolo preto e outros incidentes e recomendações ao 17.º Congresso do Partido.

Deixem-nos citar um famoso poema de Mao de que todos nós gostamos muito: "Um cuco canta à meia-noite até sangrar; acredita que o seu canto pode trazer de volta o vento leste." Esperamos que os nossos respeitados líderes "agitem" o vento leste!