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Zeca Afonso, 20 anos depois

Zeca Afonso, o cantor da Revolução, morreu há 20 anos.
"Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for", escreveu ele já na fase final da sua vida.
Zeca continua presente na música popular portuguesa, que marcou como ninguém, e é recordado como homem que soube responder presente aos desafios do seu tempo.
Grândola, vila morena, o hino do 25 de Abril, é a sua canção mais conhecida, mas inúmeras músicas suas continuam a ser cantadas, a merecer novas interpretações e a constituir fonte de inspiração.

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, de seu nome completo, nasceu em Aveiro a 2 de Agosto de 1929.

Filho de uma família de classe média (o pai era juiz), estudou em Coimbra onde tomou contacto com o fado de Coimbra que passou a cantar. O seu primeiro disco, gravado em 1956, chama-se Fados de Coimbra.

A partir daí vai sempre compondo, e editando, as suas Baladas, que marcaram a mudança que impulsionou na música popular portuguesa.

Impressionado vivamente com as eleições de Humberto Delgado em 1958, faz uma constante e persistente oposição e denúncia do regime fascista. Professor de História é expulso do ensino oficial em 1967, devido à sua oposição ao regime salazarista.

Depois de expulso do ensino, vive das explicações que dá e passa a cantar mais frequentemente em colectividades populares, sobretudo na Margem Sul. Em 1968 edita o álbum Cantares do Andarilho e faz um contrato com a editora, com uma remuneração mensal e obrigatoriedade de editar um álbum por ano.

Em 1969 edita Contos Velhos Rumos Novos, em 1970 Traz outro amigo também, em 1971 Cantigas do Maio, em 1972 Eu vou ser como a toupeira e em 1973 Venham mais cinco.

A sua intervenção multiplica-se com a primavera marcelista, fazendo sessões políticas com canto em colectividades, apesar das perseguições de que é constantemente alvo. Em Abril de 1973 é preso, ficando 20 dias na prisão política de Caxias.

A 29 de Março de 1974 canta no Coliseu em Lisboa juntamente com Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros. A sessão termina com Grândola, Vila Morena. Militares do MFA, presentes na assistência, escolhem a senha da Revolução.

Após o 25 de Abril de 74, José Afonso envolve-se profundamente nas lutas populares da época e actua em inúmeras sessões de canto, juntamente com cantores e músicos como José Mário Branco, Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Júlio Pereira e outros. Em 1976 participa na campanha de Otelo à presidência e em 1985, já doente, apoia a candidatura presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo.

Em 1976 edita o álbum Com as minhas tamanquinhas, em 1978 Enquanto há força, em 1979 Fura-fura e em 1981 Fados de Coimbra e Outras Canções.

Em 29 de Janeiro de 1983, José Afonso, já doente, realiza um grande espectáculo no Coliseu, com a participação de outros artistas, a partir do qual é editado o duplo álbum, Ao vivo no Coliseu. Da sua autoria sairão ainda dois álbuns Como se fora seu filho, em 1983 e Galinhas do mato, em 1985.

Morreu a 23 de Fevereiro de 1987 em Setúbal, vitimado pela esclerose lateral amiotrófica, que o afectou grave e progressivamente a partir de 1982.

"Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os álibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta.", dirá de si próprio.

Mais dados biográficos no site da Associação José Afonso

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Resto dossier

Dossier Zeca Afonso

Esta semana o nosso dossier é sobre José Afonso, o "artista-militante" e o Homem.

Sérgio Godinho fala de Zeca Afonso

Quando se assinalam vinte anos sobre a morte de José Afonso, Esquerda ponto Rádio convidou Sérgio Godinho (clique no link para ouvir), companheiro de muitas viagens do Zeca, para nos falar do que este representa na música e na sociedade portuguesa. Revisitámos também algumas das músicas que traçam a riqueza da obra e do legado de José Afonso.

Associação José Afonso

A Associação José Afonso é uma associação cultural e cívica formada em torno da memória e do exemplo de Zeca Afonso, enquanto "artista-militante expoente de cultura aberta e universalizante, combatente de todas as causas verdadeiramente solidárias, como Homem, enfim".

Vídeo sobre "José Afonso 20 anos depois"

A RTP transmitiu na noite de 22 para 23 de Fevereiro um programa intitulado José Afonso 20 anos depois, apresentado por Mário Figueiredo, com debate e reportagem.
Desse programa reproduzimos entrevistas a jovens sobre José Afonso e também curtas opiniões de pessoas que com ele conviveram (Francisco Fanhais, Vasco Lourenço, Almeida Santos, Luís Filipe Costa, Eugénio Alves).
Do mesmo programa, um excerto da actuação do conjunto Diva no espectáculo Filhos da madrugada, que teve lugar em 1994. Neste concerto diversos conjuntos reinterpretaram músicas de Zeca Afonso (mais informação sobre o disco gravado neste concerto).

Concerto de 1983

Em 29 de Janeiro de 1983 realizou-se um espectáculo no Coliseu com José Afonso já doente, que foi gravado e editado no duplo álbum Ao vivo no Coliseu.
No concerto participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé.
Deste concerto reproduzimos duas músicas: Do choupal até à Lapa e Natal dos simples.

JOSÉ AFONSO NOS CANTOS DA CASA

Quando se perfazem vinte anos sobre a sua morte, a 23 de Fevereiro de 1987, Os Cantos da Casa dedicam por inteiro esta emissão àquele que foi o maior criador da música popular portuguesa do século XX.

Zeca na Galiza

osé Afonso foi um autor sempre solidário com as aspirações dos povos à libertação total. E a sua música e poemas foram divulgados em diversos países.
Na Galiza houve sempre uma ligação muito particular ao "artista-militante". Foi na Galiza, em Santiago de Compostela a 10 de Maio de 1972 que José Afonso cantou pela primeira vez num espectáculo a sua Grândola, vila morena.
Neste blogue galego (blogoteca.com) pode ouvir várias versões da Grândola, vila morena.

Homenagens a Zeca Afonso

Quando passam 20 anos da morte de Zeca Afonso vão realizar-se homenagens em vários pontos do país nos próximos dias, que se prolongarão pelos próximos meses.
A 23 e 24 de Fevereiro existirão espectáculos, concertos, sessões de teatro, debates e outras realizações em Guimarães, Lisboa, Figueira da Foz, Entroncamento, Guarda, Moita, Odivelas, Santo António dos Cavaleiros, Loulé e Coimbra. Divulgamos aqui essas acções de homenagem.

Zeca Afonso, 20 anos depois

Zeca Afonso, o cantor da Revolução, morreu há 20 anos.
"Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for", escreveu ele já na fase final da sua vida.
Zeca continua presente na música popular portuguesa, que marcou como ninguém, e é recordado como homem que soube responder presente aos desafios do seu tempo.
Grândola, vila morena, o hino do 25 de Abril, é a sua canção mais conhecida, mas inúmeras músicas suas continuam a ser cantadas, a merecer novas interpretações e a constituir fonte de inspiração.