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Não tem de ser assim

Os usurários só recuarão na subida dos juros perante a resistência, não lhes entregando as nossas vidas.

Nos últimos dias assistimos a um clamor sobre a inevitabilidade do recurso às medidas económicas e sociais impostas pelo FMI e pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Dizem-nos que não há alternativa, que tem de ser assim, que a degradação da nossa economia adquiriu um tal ritmo bola de neve que só nos resta isto: O FMI.

Mas não tinha de ser assim. Não era inevitável. Não foi uma fatalidade.

Só tem de ser assim porque esse é o resultado último da política anti-social e arrogante do PS, de mãos dadas com o PSD, que, em apenas um ano e meio rasgou os compromissos com que se apresentou aos eleitores.

Esta é na verdade a consequência de uma política feita contra as pessoas e de ruptura com as promessas feitas, ao passo que se favoreceram, de forma continuada, os lóbis e os interesses do sistema financeiro. A criação de 150 mil postos trabalho não passou de uma miragem. A realidade é que temos hoje cerca de 700 mil desempregados, e as previsões apontam para 12,4 de desemprego em 2012, superando recordes históricos. A promessa de não aumento dos impostos esboroou-se com o aumento do IVA. E perante o aumento da pobreza, o Governo meteu na gaveta a promessa de igualar as pensões mais baixas ao salário mínimo.

O Bloco apresentou sempre propostas alternativas. Medidas sérias e atempadas para enfrentar a decadência da economia portuguesa, como é o caso da renegociação dos contratos de Parcerias Público-Privadas celebradas pelo Estado, ou da reforma do sistema fiscal, com prioridade para o combate à evasão fiscal.

Em resposta às pressões dos bancos e às dificuldades de financiamento imediatas rejeitámos a cedência à chantagem e defendemos o apoio do BCE a Caixa Geral de Depósitos, no sentido de garantir a liquidez do financiamento do Estado.

Mas o Governo nunca hesitou entre o caminho da austeridade e o da responsabilidade. E agora, perante o precipício, deu o passo em frente.

Pagaremos na pele, e durante vários anos o preço dessa cegueira. Nos nossos salários, na diminuição das pensões, no aumento dos impostos, nos cortes dos apoios sociais. Mas os usurários só recuarão na subida dos juros perante a resistência, não lhes entregando as nossas vidas.

Não era inevitável que o FMI viesse. Não é inevitável hipotecar o futuro do país entregando-o a um sistema que já tem provas dadas em matéria de devastação de outras economias. Outras políticas são possíveis e poderão conduzir o país a um outro caminho.

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Jornalista
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