You are here

O meu FMI e o teu FMI

O PSD sabe que não tem nada para oferecer além da mesma miséria em que Sócrates nos meteu.

Passos Coelho parece ruído branco, elimina-se a ele próprio. Conseguiu contrariar-se em menos de 24 horas, ora contra o PEC4 e o aumento de impostos, ora a favor do aumento do IVA e do FMI. Nada de novo, nada de extraordinário, mas para quem quer ser primeiro-ministro não deixa de ser suspeito. Então mas ele quer ou não quer o lugar? O PSD sabe que não tem nada para oferecer além da mesma miséria em que Sócrates nos meteu. O PS passou o fim-de-semana em apoteose a fingir que não era governo com uma série ordenada de tontices que funciona por terror alheio. Tudo isto é um drama sem grande mistério mas nem por isso menos miserável. Tudo é claro e feito para vender. As personagens pertencem a estereótipos reconhecíveis por todos, o desenvolvimento da história, as traições, os insultos, a informação desviada, as mentiras, tudo acontece com um confrangedor encolher de ombros enquanto nos tentam convencer que os devemos levar a sério. E chegamos a uma campanha onde PS e PSD esgrimem exactamente o mesmo argumento: o meu FMI não é tão mau quanto o teu. É pouco e não serve para nada.

***

Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura demissionária, escreveu este fim-de-semana um artigo sobre o seu mandato à frente do Palácio da Ajuda. O artigo é confrangedor. É revelador o tom e a forma como foi capaz de reduzir todo o seu trabalho a mais um ataque a vozes discordantes, reduzi-los a divas ou pequenos interesses corporativos incapazes de partilhar o esforço de contenção orçamental. Ninguém vai esquecer que, após dez anos de redução orçamental, Canavilhas aceitou reduzir o orçamento da Cultura para níveis inferiores a 1998 e, que foi ela quem cortou contratos já assinados para depois apresentar novos programas para estrangeiro ver. Ninguém vai esquecer como foi tratado por uma ministra que encara a cultura como um exercício de ego. Gabriela Canavilhas foi um erro que ninguém vai esquecer.

Sobre o/a autor(a)

(...)