You are here

Novo aeroporto e TGV

Uma questão importante sobre o novo aeroporto, diz respeito à articulação que deve ter com a linha de Alta Velocidade (AV) prevista para a ligação Lisboa-Madrid.  A "solução OTA" é, deste ponto de vista, a que menos vantagem colhe numa perspectiva de ligação ao futuro hinterland do NAIL. Alguns técnicos argumentam que a OTA, por se situar no eixo mais densamente povoado de Portugal continental, é a solução que apresenta mais vantagens se for articulada com a linha de AV Lisboa-Porto. Esquecendo por um momento que a linha de AV Lisboa-Porto seria indiscutível (o que, em nossa opinião, é fortemente questionável), o facto é que, em relação à actual Portela, a "solução OTA" não é, do ponto do potencial de geração de tráfego de passageiros, factor que acrescente algo de significativo em relação à actual Portela.
Se, pelo contrário, o NAIL se situar no enfiamento da linha Lisboa-Madrid em AV, então será razoável admitir que o potencial de atracção do novo NAIL poderá chegar até bem dentro de Espanha (para além de Badajoz), o que tornaria o NAIL um pólo de atracção para muitas deslocações internacionais, para África ou para a América, com claras vantagens de tempo face a Madrid (1 hora até o NAIL, face às 2 horas em relação a Madrid). Para isso, bastaria que o NAIL se localizasse na Península de Setúbal, junto da linha de AV antes da entrada em Lisboa, e até mesmo com ligação directa à própria Portela.

Considerando que se anuncia para o Poceirão a construção da grande plataforma logística da AML (definida como tal no Plano Portugal Logístico), localizar o NAIL nas suas imediações transformaria aquela localização como a que melhor permitiria integrar a rede de AV com o novo aeroporto, numa solução tipo "2 em 1", ou seja, plataforma logística inter-modal rodo-ferroviária+plataforma logística aérea, na confluência das principais ligações estratégicas rodo-ferroviárias-aéreas do Continente. Note-se, por fim, que uma tal localização parece ser totalmente compatível com a terceira travessia ferroviária do Tejo pelo corredor Barreiro-Chelas, com possível terminal na Portela, em ligação subterrânea.

Construir uma tal plataforma logística inter-modal na solução "Poceirão" terá impactes ambientais significativos? Sem dúvida que sim. Mas já vai ter impactes significativos mesmo sem aeroporto, embora se saiba que, juntando-lhe um aeroporto, a dimensão desses impactes será muito maior. Confrontar essa hipótese com outras alternativas (Faias, surge também como hipótese, e, nesse caso, devia também ser considerada aí a plataforma logística e a ligação à linha de AV), é indispensável que se faça.

Até agora, o tempo tem corrido a favor do surgimento de outras "candidaturas" para localizações alternativas ao NAIL. Estamos agora, perante o tempo da avaliação de todas as candidaturas, porque ainda se está a tempo de proceder a essa avaliação e a esse estudo comparado. Em nome do bom uso dos dinheiros públicos e da parcimónia com que estes devem ser utilizados, em país onde estes não abundam.

A talho de foice, já agora, duas outras avaliações deviam também ser obrigatoriamente realizadas: uma, é a de saber quanto é que o Estado (isto é, todos os contribuintes...) estão "dispostos" a perder (isto é, a deixar de receber) se a privatização da ANA for o modelo escolhido para o financiamento da construção do NAIL, já que se trata de uma das empresas públicas que mais contribui para o financiamento do défice público; a segunda, é que, seguindo o exemplo exigido para o processo de avaliação Custo-Benefício para a "solução OTA/Alternativas", a mesma metodologia deveria ser utilizada na avaliação das linhas de AV, consideradas pelo próprio governo como "indispensáveis": as ligações Lisboa-Porto, Porto-Vigo e Lisboa-Madrid.

Essa "indispensabilidade", a exequibilidade e as vantagens dessas ligações precisam de ser demonstradas. Se os estudos existem e as comprovam, então mostrem-se esses estudos; se não, então o Governo tem a obrigação de os mandar fazer rapidamente, como forma de dar crédito a uma decisão que, no seu conjunto, envolverá o dispêndio de dinheiros públicos três-quatro vezes superior ao que está previsto como subsidiação pública para a construção da OTA. Ou então toda esta conversa de "alternativas", de "avaliações", etc não passará de conversa fiada...

(...)

Resto dossier

OTA em debate

"Ota em debate" é o dossier desta semana, que está aberto à participação dos nossos leitores e leitoras. Assim, apelamos a que nos enviem opiniões, apresentações, comentários (para o e-mail: otaemdebate@esquerda.net) que publicaremos (1), numa área específica do portal esquerda.net, a partir de terça-feira desta semana.

Ota: PS rejeita estudo de alternativas

O Partido Socialista recusou as propostas do Bloco de Esquerda e do PSD, que visavam a constituição de uma comissão para avaliar alternativas à localização e financiamento do novo aeroporto de Lisboa. Helena Pinto referiu-se às alternativas na margem sul, criticou a intenção de privatizar a ANA e questionou directamente o governo e o Partido Socialista: "Qual é o medo de debater esta questão abertamente? Qual é o medo que a Assembleia da República acompanhe o desenvolvimento daquela que será a maior obra pública dos próximos anos?"

OTA, um Aeroporto para quê?

Comunicado conjunto das associações ambientalistas Quercus e Alambi, divulgado a 12 de Março de 2004.
Desde o início que os movimentos ligados à defesa do ambiente se têm mostrado bastante reticentes em relação à construção de um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa na Ota. Os estudos de incidência ambiental determinam claramente a impossibilidade de uma decisão ponderada sem estudos complementares e sem que se houvesse realizado um Estudo de Impacte Ambiental. E que a limitação de conhecimento do projecto impeditiva de qualquer tomada de posição definitiva, indicava que nada seria assumido sem a intervenção séria e abalizada dos agentes interessados.

Novo aeroporto e TGV

Uma questão importante sobre o novo aeroporto, diz respeito à articulação que deve ter com a linha de Alta Velocidade (AV) prevista para a ligação Lisboa-Madrid.  A "solução OTA" é, deste ponto de vista, a que menos vantagem colhe numa perspectiva de ligação ao futuro hinterland do NAIL.

Novo Aeroporto Internacional de Lisboa

No momento actual de debate público sobre a "solução" que está no terreno, levantam-se algumas questões a cuja resposta se admite que possam servir de orientação para as escolhas a fazer.
A primeira, porventura básica, é a de saber se é justificável um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL) e para um prazo de dez anos, que se anuncia como absolutamente necessário.

OTA a perder velocidade

O entusiasmo em defesa da solução OTA para o Novo Aeroporto Internacional de Lisboa está em perda acentuada de velocidade. Enquanto que o ministro Mário Lino se fez ouvir no actual debate afirmando que "só um milagre" o faria mudar de posição, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, já veio dizer que o Governo "não é autista" em relação às vozes que têm argumentado contra a solução-OTA. O "unanimismo" de outrora, que uniu PSD e PS na solução OTA, e que o actual governo PS adoptou como sua, parece começar a ceder face aos argumentos que têm surgido em favor da necessidade de se estudar a sério todas as soluções para um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL), antes de se tomar a decisão definitiva.

Links

Existem muitos sites e blogues com informação e comentários sobre o novo aeroporto, nomeadamente os seguintes:
O site oficial do novo aeroporto (naer.pt), que tem uma área de estudos do NAER
O site da organização ambiental de Alenquer, Alambi
O site maquinistas.org
A secção transportes do site da Sociedade de geografia de Lisboa

Dor antes das dez semanas é invenção do Não

No último programa Prós e Contras o país foi surpreendido por uma novidade absoluta: afinal, «o feto sente dor antes das dez semanas». Na manhã seguinte os Médicos Pela Escolha desmentiram essa afirmação, que vai contra todas as evidência da ciência. Jorge Sequeiros, Presidente do Colégio de Genética Médica e Membro do Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida, explica neste artigo a falácia (mais uma) dos defensores do Não.