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OTA, um Aeroporto para quê?

Comunicado conjunto das associações ambientalistas Quercus e Alambi, divulgado a 12 de Março de 2004.
Desde o início que os movimentos ligados à defesa do ambiente se têm mostrado bastante reticentes em relação à construção de um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa na Ota. Os estudos de incidência ambiental determinam claramente a impossibilidade de uma decisão ponderada sem estudos complementares e sem que se houvesse realizado um Estudo de Impacte Ambiental. E que a limitação de conhecimento do projecto impeditiva de qualquer tomada de posição definitiva, indicava que nada seria assumido sem a intervenção séria e abalizada dos agentes interessados.

As Determinações dos estudos prévios e a sua subversão

Resulta claro dos vários documentos que não só a construção desta infra-estrutura acarreta enormes impactes ambientais e se revela muito mais onerosa como será de difícil construção, dada a tipologia do solo e o biótopo de zona húmida aí existente. Também as dificuldades de aproximação às pistas exigem a realização de um estudo de navegabilidade aérea que nunca veio a ser realizado.

De então para cá, temos vindo a assistir ao subverter destas indicações comportando-se as autarquias e os agentes económicos como se a decisão de concretização deste Aeroporto estivesse definitivamente confirmada. Esta assunção antecipada aumentou enormemente a pressão sobre o uso do solo, provocando desequilíbrios territoriais notórios dificilmente sustentáveis.

A realidade impõe-se

Estas realidades acabaram por condicionar o Projecto na qual o Grupo Aéroports de Paris foi substituído pelo pela Parsons-FCG Consortium, responsável pela definição do âmbito do Estudo de Impacte Ambiental propriamente dito.

Ainda assim, os resultados deste estudo são bastante claros quanto às dificuldades encontradas para solucionar as questões ligadas às escorrências de água, e possibilidades de inundação da pista Este da Aerogare, com todas as suas estruturas relacionadas, tais como os estacionamentos e a linha férrea, a aproximação de aeronaves e a tipologia das mesmas, propondo-se mesmo que só raramente poderia ser escalado por aviões da categoria F, invalidando assim, na prática, a sua vertente de plataforma transatlântica.

As faraónicas soluções de drenagem, de desvio das ribeiras da Ota e Alvarinho (com o recurso a uma barragem) e até o eventual terraplenar de um monte para garantir a funcionalidade da estrutura, mesmo com elevadas deficiências de funcionamento (é afirmado que a pista com maior qualidade de utilização é também a que mais incorre em risco de inundação), demonstram cabalmente que esta obra é completamente desajustada à localização pretendida, escamoteando-se ainda assim que a construção de um açude cria condições ecológicas favoráveis à proliferação de aves junto à pista Oeste.

As deficiências de estudo das acessibilidades não são menos relevantes. Dos pontos fortes apresentados como sustentáculo deste empreendimento, tais como a ligação preferencial a Madrid e ao Porto via TGV, ou a facilidade de acesso quer pela A1 ou pela A10, apenas a ligação pela Auto-estrada Lisboa-Porto se mantêm, pois com as recentes decisões relativas ao traçado da A10 e à rede de TGV, que era de qualquer forma extremamente falaciosa devido às velocidades comerciais da Alta Velocidade, todos os argumentos que sustentavam a construção do Novo Aeroporto de Lisboa na Ota se esvaziaram.

Existem melhores soluções

Vazio de argumentos que lhe garantiam, se não operacionalidade, pelo menos acessibilidade, o Novo Aeroporto de Lisboa na Ota aparece à luz da razão como um enorme elefante branco. Um projecto mal justificado, sugadouro de dinheiros públicos, dificilmente rentabilizavel face a outras soluções mais baratas, com melhor operacionalidade, ainda que mais pequenas, com possibilidade de serem geridas numa óptica concorrencial com a ANA, tal como a já existente pista de Alverca.

Lisboa, 12 de Março de 2004

Quercus - Associação Nacional para a Conservação da Natureza

Alambi - Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer

(...)

Resto dossier

OTA em debate

"Ota em debate" é o dossier desta semana, que está aberto à participação dos nossos leitores e leitoras. Assim, apelamos a que nos enviem opiniões, apresentações, comentários (para o e-mail: otaemdebate@esquerda.net) que publicaremos (1), numa área específica do portal esquerda.net, a partir de terça-feira desta semana.

OTA a perder velocidade

O entusiasmo em defesa da solução OTA para o Novo Aeroporto Internacional de Lisboa está em perda acentuada de velocidade. Enquanto que o ministro Mário Lino se fez ouvir no actual debate afirmando que "só um milagre" o faria mudar de posição, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, já veio dizer que o Governo "não é autista" em relação às vozes que têm argumentado contra a solução-OTA. O "unanimismo" de outrora, que uniu PSD e PS na solução OTA, e que o actual governo PS adoptou como sua, parece começar a ceder face aos argumentos que têm surgido em favor da necessidade de se estudar a sério todas as soluções para um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL), antes de se tomar a decisão definitiva.

Links

Existem muitos sites e blogues com informação e comentários sobre o novo aeroporto, nomeadamente os seguintes:
O site oficial do novo aeroporto (naer.pt), que tem uma área de estudos do NAER
O site da organização ambiental de Alenquer, Alambi
O site maquinistas.org
A secção transportes do site da Sociedade de geografia de Lisboa

Ota: PS rejeita estudo de alternativas

O Partido Socialista recusou as propostas do Bloco de Esquerda e do PSD, que visavam a constituição de uma comissão para avaliar alternativas à localização e financiamento do novo aeroporto de Lisboa. Helena Pinto referiu-se às alternativas na margem sul, criticou a intenção de privatizar a ANA e questionou directamente o governo e o Partido Socialista: "Qual é o medo de debater esta questão abertamente? Qual é o medo que a Assembleia da República acompanhe o desenvolvimento daquela que será a maior obra pública dos próximos anos?"

OTA, um Aeroporto para quê?

Comunicado conjunto das associações ambientalistas Quercus e Alambi, divulgado a 12 de Março de 2004.
Desde o início que os movimentos ligados à defesa do ambiente se têm mostrado bastante reticentes em relação à construção de um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa na Ota. Os estudos de incidência ambiental determinam claramente a impossibilidade de uma decisão ponderada sem estudos complementares e sem que se houvesse realizado um Estudo de Impacte Ambiental. E que a limitação de conhecimento do projecto impeditiva de qualquer tomada de posição definitiva, indicava que nada seria assumido sem a intervenção séria e abalizada dos agentes interessados.

Novo aeroporto e TGV

Uma questão importante sobre o novo aeroporto, diz respeito à articulação que deve ter com a linha de Alta Velocidade (AV) prevista para a ligação Lisboa-Madrid.  A "solução OTA" é, deste ponto de vista, a que menos vantagem colhe numa perspectiva de ligação ao futuro hinterland do NAIL.

Novo Aeroporto Internacional de Lisboa

No momento actual de debate público sobre a "solução" que está no terreno, levantam-se algumas questões a cuja resposta se admite que possam servir de orientação para as escolhas a fazer.
A primeira, porventura básica, é a de saber se é justificável um Novo Aeroporto Internacional de Lisboa (NAIL) e para um prazo de dez anos, que se anuncia como absolutamente necessário.

Dor antes das dez semanas é invenção do Não

No último programa Prós e Contras o país foi surpreendido por uma novidade absoluta: afinal, «o feto sente dor antes das dez semanas». Na manhã seguinte os Médicos Pela Escolha desmentiram essa afirmação, que vai contra todas as evidência da ciência. Jorge Sequeiros, Presidente do Colégio de Genética Médica e Membro do Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida, explica neste artigo a falácia (mais uma) dos defensores do Não.