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Até o fim do ano, o Iraque custará mais aos EUA que II Guerra

No momento em que a Guerra do Iraque entra no seu quinto ano, os Estados Unidos fazem as contas: a intervenção já devorou perto de US$ 500 mil milhões de dólares e o gasto total pode ultrapassar US$ 1 bilião. Nem a Guerra da Coreia e nem a do Vietname custaram tanto. Mas é sobretudo o tipo de financiamento que inquieta os economistas.

 

A conta revela-se bem mais salgada do que previu a administração de George W. Bush. É verdade que hoje a quantia não representa mais que 1% do PIB (Produto Interno Bruto) americano, contra 9% na Coreia (1950-53) e 14% no Vietname (1964-75). Ocorre que no Iraque, como no Afeganistão, a guerra é financiada por emendas ao orçamento federal – um sistema menos controlado pelo Congresso e habitualmente reservado para situações excepcionais, como o furacão Katrina.

No caso da Coreia, esse sistema foi abandonado depois de um ano de conflito; e no Vietname desde 1966. Desejosos de reestabelecer a normalidade, os parlamentares republicanos e democratas que se ocupam de questões orçamentárias solicitaram a Bush, desde Dezembro, que integre as despesas iraquianas ao orçamento federal regular. O Executivo fê-lo para 2008, aproveitando para pedir uma verba extra de US$ 100 mil milhões para 2007.

Pentágono custa "só" 4% do PIB

Outra diferença em relação ao passado, segundo Robert Hormats, executivo do banco de investimentos Goldman Sachs e autor do livro intitulado The price of liberty : paying for America’s wars (O preço da liberdade: pagando pelas guerras americanas), é que Washington já não exige pesados esforços dos cidadãos para custear o esforço bélico. "Nesta guerra não houve desvalorização, nem mudança da política fiscal", observa Hormats.

Em vez disso, é a dívida que explode. No fim do ano, o Iraque terá custado aos EUA mais do que a II Guerra Mundial, a mais cara até hoje (US$ 2 biliões de dólares, corrigida a inflação). O secretário da Defesa, Robert Gates, tenta porém relativizar o dado, sublinhando que o orçamento militar para 2008 representa apenas 4% do PIB do país.

Para o antigo senador democrata do Nebraska Bob Kerrey, isso mostra sobretudo a força actual da economia americana. "Demonstramos uma fantástica capacidade de realizar um programa muito, muito custoso", observa ele; mas como se financiará o programa social para idosos, cujo peso explodirá nos próximos anos, e eventuais crises futuras da segurança social?

O preço dos feridos de guerra

Além disso, os gastos não vão cessar com a partida das tropas hoje no Iraque, sublinha Linda Bilmes, da Kennedy School of Government, na Universidade de Harvard. Ela estima que o custo total dos programas de assistência aos veteranos do Afeganistão e do Iraque é de US$ 350 mil milhões para os primeiros e US$ 700 mil milhões para os últimos, levando-se em conta que as hipóteses de sobrevivência dos soldados feridos são hoje maiores do que outrora. "É um outro aspecto do conflito, que o Pentágono e o governo não planearam e nem previram no orçamento".

Linda Blimes contabilizou, junto com o Prémio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, o custo real da Guerra do Iraque em mais de US$ 2 biliões, incluindo as despesas passadas e futuras, mas também o impacto económico, por exemplo sobre os preços do petróleo.

O contra-cálculo dos pró-guerra

"Mas qual seria o preço da passividade?", indaga Steven Davis, professor de comércio na Universidade de Chicago. Junto com dois colegas, ele calculou em cerca de US$ 14,5 mil milhões por ano o preço para manter o dispositivo de sobrevoos das zonas de exclusão e as inspecções de desarmamento no terreno, ao longo de dez anos. Ou seja, um décimo da Guerra do Iraque.

O montante pode levar em conta outras hipóteses: e se Saddam Hussein tivesse provocado intervenções militares dos EUA? E se Washington de qualquer forma tivesse que derrubá-lo? E se ele favorecesse acções terroristas contra os interesses americanos? Com todos estes "se", a equipe da Universidade de Chicago calcula que o custo seria de US$ 40 mil milhões a 700 mil milhões.

Tradução do Vermelho de artigo publicado originalmente em Al-Oufok

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Resto dossier

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A nova lei do petróleo do Iraque

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