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Efeitos das alterações climáticas: Secas severas em Portugal

As regiões mediterrânicas são as mais vulneráveis às alterações climáticas na Europa.
Nos últimos 30 anos a temperatura em Portugal tem aumentado a um ritmo de 0.4 a 0.5ºC por década. A amplitude térmica diária tem vindo a decrescer, acompanhadas por um aumento da frequência de secas severas e redução da duração da estação chuvosa, particularmente nas regiões do Sul do país, prevendo-se um aumento substancial do risco de incêndios.

As regiões mediterrânicas serão as mais vulneráveis às alterações climáticas. Caso se cumpram as piores previsões, em 2080, entre 14 a 38% da população destes países viverá em lugares com escassez de água, que serão agravadas pelo regadio e o turismo. Uma das zonas mais afectadas será a Península Ibérica, devido a uma redução da precipitação e, fundamentalmente, à sua redução ao longo das estações (estudo do Instituto de Investigação do Impacto Climático de Postdam).

O turismo também será afectado na bacia mediterrânica, estimando-se que se a tendência de consumo de combustíveis se mantiver, em 2050, Portugal e outros, terão de reconverter a sua industria turística pois as temperaturas no Verão serão demasiado altas e incompatíveis com o actual modelo de férias. Todos os anos, 116 milhões de turistas da Europa do Norte descem à costa europeia da bacia mediterrânica.

Efeitos em Portugal:

As características naturais do país tornam-no vulnerável às alterações climáticas. Por um lado, porque tem uma enorme linha de costa, onde se concentra a maior parte da população; por outro, porque se encontra na transição de dois sistemas climáticos (Atlântico e Mediterrâneo). A variabilidade do clima terá impacto na agricultura, turismo e industria, e pode envolver mesmo a deslocação de um número significativo de pessoas.

Nos últimos 30 anos a temperatura tem aumentado a um ritmo de 0.4 a 0.5ºC por década, o que resultou em mais de 1.2 a 1.5ºC desde os anos 70. A este ritmo a temperatura média em Portugal aumentará 5ºC durante o próximo século.

Cerca de 1500 portugueses poderão morrer devido ao calor em 2020, 3 vezes mais do que no período entre 1980 e 1998, revela um estudo da OMS.

Segundo dados do Instituto de Meteorologia, em Portugal, no período de 1980-2000, houve um acréscimo de temperatura da água do mar na ordem dos 0.05ºC/ano.

A amplitude térmica diária tem vindo a decrescer, acompanhadas por um aumento da frequência de secas severas (atravessando o país em 2005 o quarto período de seca desde 1991) e redução da duração da estação chuvosa, particularmente nas regiões do Sul do país, prevendo-se um aumento substancial do risco meteorológico de incêndio. Por exemplo, a precipitação média no mês de Março é actualmente cerca de 27% inferior à que ocorria no início do séc. XX, sendo a temperatura atmosférica anual 0.74ºC superior.

As previsões para Portugal apontam para uma subida do nível médio do mar entre 25 a 110 cm até 2100: se assim for, 67% do litoral estará em risco de erosão. Até ao final do século, poderá atingir valores na ordem do meio metro. Os impactos mais relevantes serão o risco de inundação, a deslocação de zonas húmidas e a aceleração da erosão da zona costeira. Zonas lagunares, como as de Aveiro a da Ria Formosa, ou ainda de Óbidos e Albufeira, e zonas estuarinas, como as do Tejo e Sado, tenderão a desaparecer ou a estreitar-se muito, com perdas de terrenos agrícolas bem como inundações de zonas baixas vizinhas. Um estudo da Universidade da Cantábria revela que o aumento do nível médio do mar poderá roubar até 15 metros de areia às praias portuguesas e espanholas: a ponta de Sagres e a faixa costeira entre Aveiro e Lisboa, que poderá ter os areais reduzidos entre 14 e 16 metros, serão as zonas mais afectadas; na costa alentejana os areais poderão perder 8 a 12 metros, tal como a faixa acima de Aveiro.

A precipitação anual projectada para o período de 2080-2100 decresce praticamente em todo o país, principalmente no Alentejo e durante a primavera. A precipitação acumulada em dias de precipitação intensa tenderá a aumentar e a acumular-se nos meses de Inverno. Este padrão de alteração poderá aumentar significativamente o risco de episódios de cheias e das disponibilidades hídricas.

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Resto dossier

Dossier Alterações Climáticas: Aquecimento global, dados são alarmantes

O dossier desta semana do portal esquerda.net é sobre as alterações climáticas que afectam seriamente o planeta.

Quioto, resposta às alterações climáticas: Protocolo de Quioto, primeiro passo boicotado pelos EUA

O Protocolo de Quioto foi o primeiro passo da comunidade internacional para reconhecer e enfrentar o problema das alterações climáticas. A meta estabelecida de 5% é insuficiente. Mas sobretudo a recusa dos EUA, responsáveis por um quarto das emissões globais, a cumprirem os compromissos do protocolo, constitui o maior obstáculo a uma primeira resposta da comunidade internacional às alterações climáticas.

Quioto e os direitos de emissão: Mecanismos assentes no mercado são limitados

O Protocolo de Quioto estipula a aplicação de mecanismos assentes no mercado, baseados na transacção comercial de direitos de emissão entre países. A aplicação deste tipo de instrumentos é do interesse do capital privado e das corporações transnacionais. A limitação e os riscos destes instrumentos, baseados no mercado, sugerem a necessidade de políticas que combatam as alterações climáticas, por via da regulamentação e regulação.

União Europeia e alterações climáticas: União Europeia empenhada na redução da poluição

Ainda antes da assinatura do Protocolo de Quioto já tinham sido lançadas tentativas de respostas europeias para controlar as emissões de CO2, mas sem qualquer sucesso. A União Europeia empenhou-se em aplicar os compromissos do protocolo de Quioto e, entre 1990 e 2001, reduziu as emissões de gases de efeito de estufa em 2.3%, mas a maioria dos estados está longe de cumprir as metas. Os objectivos acordados pelos primeiros-ministros europeus em Março de 2005 apontam que em 2050 a União Europeia terá de poluir menos 60 a 80% do que em 1990. O estabelecimento destas intenções mostra o empenho da U.E. nesta matéria: mesmo antes de Quioto fixar compromissos, a Europa dá já um sinal da direcção que quer seguir.

Efeitos das alterações climáticas: Secas severas em Portugal

As regiões mediterrânicas são as mais vulneráveis às alterações climáticas na Europa.
Nos últimos 30 anos a temperatura em Portugal tem aumentado a um ritmo de 0.4 a 0.5ºC por década. A amplitude térmica diária tem vindo a decrescer, acompanhadas por um aumento da frequência de secas severas e redução da duração da estação chuvosa, particularmente nas regiões do Sul do país, prevendo-se um aumento substancial do risco de incêndios.

Alterações climáticas, efeitos: 2005 foi o ano mais quente

Desde 1861, os cinco anos mais quentes foram 2005, 1998, 2003 e 2004, por esta ordem. Os efeitos globais das alterações climáticas são variados e de consequências terríveis para a humanidade. As cheias são o desastre natural mais comum na Europa que, entre 1995 e 2004, sofreu 20 grandes inundações que mataram quase mil pessoas. Os prejuízos económicos associados aos desastres naturais atingiram o valor recorde de 160 milhões de euros em 2005, quase duplicando o anterior máximo de 1998. Três dos 10 maiores furacões de sempre aconteceram em 2005.
 Efeitos globais das alterações climáticas

Causas das alterações climáticas: Alterações climáticas são resultado de causas humanas

Até um pouco depois de meados do século XX, a natureza foi considerada como uma fonte inesgotável de vida e de recursos, totalmente controlável e manipulável pela Humanidade. Foi tomada como um simples factor de produção submetida aos desígnios da produção económica, assumindo uma dimensão utilitarista. As alterações climáticas a que vimos assistindo têm causas humanas, que põem em questão o modo de produção.

Protocolo de Quioto: Portugal, o pior desempenho da União Europeia

Portugal assumiu o compromisso de aumentar até 27% as suas emissões no período de 2008-2012, no entanto esse valor foi há muito ultrapassado. Na 11ª Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas a Comissão Europeia apresentou um relatório que prevê para Portugal vários cenários: em qualquer dos casos é o pior desempenho da União Europeia a 25. As medidas ficam aquém do necessário e muitas ficam até por implementar. Artigo de Rita Calvário.