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Comunicação social alemã analisa causas do levantamento no Egipto

Segundo a comunicação social alemã existem dois factores determinantes para o levantamento. Um primeiro, que está relacionado com a estrutura da sociedade egípcia; e um segundo, com a corrupção nos círculos do poder.
Foto de Erik, Flickr.

Os meios de comunicação social na Alemanha têm dedicado bastante atenção ao esclarecimento das causas que levam à situação vivida actualmente no Egipto. O consenso que se vai formando é de que existem dois factores determinantes. Um primeiro, que está relacionado com a estrutura da sociedade egípcia; e um segundo, com a corrupção nos círculos do poder. A este propósito valerá a pena destacar aqui duas fontes de notícia.

Num programa de televisão, emitido pelo canal de informação política “Phoenix”, no passado dia 31 de Janeiro, o publicista e especialista em assuntos islâmicos Michael Lüders apontou, entre outros, os seguintes factos: a população egípcia é muito jovem. 50% da população é composta por pessoas com menos de 20 anos de idade, e, se consideramos o universo das pessoas com menos de 30 anos de idade, então são 75% do total da população. Porém, a esmagadora maioria destes jovens não têm qualquer perspectiva de futuro, se não pertencerem à família certa.

Pertencer à família certa no Egipto significa pertencer à classe alta, que representa 25% da população. Dentro destes 25% incluiu-se um pequeno estrato de 5%, que são os círculos do poder e suas clientelas, onde está instalado o centro da corrupção, e os restantes 20% são a alta burguesia. Se um jovem não pertence a estes 25% da população,- e como é fácil de compreender, a esmagadora maioria dos jovens não pertence - então, por mais dotado que seja e por mais que se esforce, não tem qualquer possibilidade de melhorar o seu nível de vida e o seu estatuto social. Aliás, neste estrato desfavorecido, que é a enorme maioria da população, as pessoas são obrigadas, para poderem sustentar as suas famílias, a terem dois e três empregos diários, e não só os mais pobres dos pobres, ou os que tiveram menos acesso à educação. Lüders destaca que é uma situação geral, que se estende a todos dentro deste estrato, exemplificando inclusivamente com os próprios docentes do ensino superior.

De acordo agora com uma notícia do jornal diário Süddeutsche Zeitung, a família Mubarak tem desviado, ao longo dos anos, verbas gigantescas dos cofres do Estado para contas pessoais. Referindo-se a fontes argelinas e sírias, o Süddeutsche Zeitung informa que a família Mubarak possui uma fortuna no valor de 40 mil milhões de dólares, (note-se, não 40 milhões, mas sim 40 mil milhões de dólares), entre os quais constam imóveis no Egipto e no estrangeiro e activos bancários, principalmente nos Estados Unidos da América e na Suíça. O próprio Mubarak terá obtido grandes ganhos nas comissões encarregadas de encomendas de armamento, bem como no desenvolvimento do turismo em Scharm-el-Scheich, no Sinai, e em Hurghada, no Mar Vermelho. Só a fortuna do filho Gamal é calculada em 17 mil milhões de dólares, toda escondida em bancos na Suíça, na Alemanha, nos Estados Unidos da América e na Grã-Bretanha.  

Segundo a comunicação social alemã, são estas, portanto, as duas principais causas do levantamento, causas já latentes e acumuladas há muito, e que agora, impulsionadas pela revolta na Tunísia, irromperam à superfície da sociedade no Egipto. Por um lado, o facto de a enorme maioria da população não poder, nem querer, continuar a viver nas condições económicas e sociais em que vive, e, portanto, não estar na disposição de continuar a tolerar uma forma de governo que a arrasta para a pobreza e a priva do futuro. Por outro lado, fazer pressão para que o presidente, pessoalmente, abandone imediatamente o poder, em resultado do conhecimento que o povo egípcio tem relativamente ao abuso dos cofres do Estado.


Fontes: “Pulverfass Nordafrika-Wohin treibt die Arabische Welt?”, tema do Programa, Unter den Linden“, emitido em 31.01.2011 pelo canal “Phoenix”. “Ägypten - Familie Mubarak hat vorgesorgt“, porRudolph Chimelli,em Süddeutsche Zeitung, edição online de 01.01.2011,

http://sueddeutsche.dehttp://www.sueddeutsche.de/politik/aegypten-praesident-in-bedraengnis-familie-mubarak-hat-vorgesorgt-1.1054096

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário em Tübingen, Alemanha
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