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O PS e as presidenciais

A candidatura de Manuel Alegre saiu derrotada. Mas que ninguém tenha dúvidas: a impopularidade do Governo e das suas medidas de austeridade são a principal componente desse fracasso.

O Bloco de Esquerda empenhou-se com entusiasmo na campanha de Manuel Alegre. Afinal, as principais bandeiras do candidato constituíram desde sempre um ponto de convergência com o nosso ideário: defesa acérrima dos serviços públicos, combate à privatização da segurança social e a sectores estratégicos da economia (como os transportes e os CTT), empenho no serviço social de saúde, elogio da escola pública. Em suma: um compromisso forte com a dimensão mais avançada da nossa Constituição.

A candidatura saiu derrotada. Mas que ninguém tenha dúvidas: a impopularidade do Governo e das suas medidas de austeridade são a principal componente desse fracasso. O Bloco fez o que devia e podia, sem sectarismos e procurando sempre, na plataforma da candidatura, o máximo consenso. Não se lhe podia pedir um exercício de hipocrisia, isto é, que mandasse ao tecto os princípios e pactuasse com as políticas de radicalismo liberal do PS instalado dominado pelos Lelos, Vitalinos e Vitorinos. Fomos leais, mas nunca seríamos cúmplices do que sempre combatemos.

Existe, aliás, um ganho por detrás da derrota. Encontramos nesta plataforma muitos activistas que querem combater activamente a entrada do FMI em Portugal, zelando pela segurança laboral e lutando contra um ajustamento orçamental assente na regressão civilizacional. Queremos manter esse ânimo e essa convergência, através de iniciativas concretas, embora sabendo, sem que isso constitua surpresa, que o PS hegemónico estará onde sempre esteve: do outro lado da justiça social.

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo, professor universitário, Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia. Dirigente do Bloco de Esquerda.
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