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Mais de 600 mil desempregados disputam mercado de trabalho em 2011

Portugal chegará a 2011 com mais de 600 mil desempregados, o nível mais alto em cerca de 30 anos, mas os economistas estimam que a trajectória de subida do desemprego ainda demore mais algum tempo a passar.
Segundo dados do INE, publicados em Novembro, existem pelo menos 609.400 pessoas no desemprego. Foto Paulete Matos

Depois de um ano difícil, com os sinais de recuperação da economia ainda fracos (o PIB avançou 0,3 por cento no terceiro trimestre face ao anterior), e sendo o mercado de trabalho habitualmente o último a recuperar de um período de crise, as perspectivas para 2011 não são ainda optimistas, avançou o jornal I. As condições são de guerra e inscritas num “salve-se quem puder”. As oportunidades são parcas para os muitos milhares que precisam delas e propícias à proliferação do trabalho precário.

De acordo com os últimos valores divulgados pelo INE, a taxa de desemprego em Portugal atingiu os históricos 10,9 por cento no terceiro trimestre de 2010, agravando-se dos 9,8 por cento observados em igual período do ano passado.

Este valor retomou o ciclo de subidas da taxa de desemprego em Portugal iniciado há dois anos (no segundo trimestre 2008), com o mercado laboral a sofrer os efeitos da crise económica que se alastrou por toda a Europa.Também o número de empregados diminuiu 1,1% quando comparado com 2009.

No final de Dezembro, a taxa de desemprego no Norte bateu um novo máximo histórico (relativa ao terceiro trimestre do ano), fixando-se em 13,2 por cento, revelou o relatório de conjuntura da pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens subiu para 23,4% no terceiro trimestre do ano, o que se traduz em 99 mil cidadãos e cidadãs com menos de 25 anos sem trabalho. Aliás, sabe-se que um em cada cinco jovens não terá trabalho em 2012. O futuro incerto de que a geração 500€ sempre se queixou é agora mais previsível, mas isso não é uma boa notícia. O desemprego penalizará sobretudo os mais jovens, com a percentagem de desempregados entre os 15 e os 24 anos a manter-se acima dos 17% até 2012.

De acordo com a informação mensal publicada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no final de Outubro encontravam-se inscritos nos Centros de Emprego do Continente e das Regiões Autónomas 550.846 desempregados - mais 33.320 indivíduos do que um ano antes. Dados mais recentes ainda não estão disponíveis.

O IEFP revelou outros dados que indicam que a crise para quem procura trabalho está definitivamente instalada: quanto ao tempo de permanência dos desempregados nos ficheiros, os inscritos há menos de um ano (58,4 por cento do total de desempregados) diminuíram sete por cento, enquanto os desempregados de longa duração (41,9 por cento) assinalaram um acréscimo de 33,2 por cento (para 230.791 pessoas).

Em Outubro, 42,5% dos 550.846 desempregados inscritos nos centros de emprego não recebiam qualquer prestação de apoio social. Se for tido em conta o número de desempregados avançado pelo INE (609,4 mil), esta percentagem ascende a mais de 48%.

O agravamento do desemprego tem sido o cenário mais provável traçado pelos economistas para o próximo ano, mas, se de um lado, há quem acredite no congelamento do mercado de trabalho, há também quem preveja uma subida da taxa de desemprego, embora a um ritmo menor.

O próprio Governo admite uma deterioração do mercado laboral, ao estimar que no conjunto de 2010 a taxa de desemprego se situe nos 10,6 por cento e em 2011 piore para os 10,8 por cento.

Em declarações à Lusa, o especialista em mercado de trabalho, Pedro Adão Silva, antecipou para 2011 um mercado de trabalho "congelado" em que o número de pessoas com protecção de desemprego deverá diminuir.

"O ritmo de destruição do emprego vai desacelerar e portanto não vamos ter um grande crescimento do desemprego, mas também não vamos ter nenhuma criação de emprego", disse.
 

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