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Barack Obama anuncia oficialmente o fim da Guerra do Iraque

Mas 50 mil soldados norte-americanos continuam num país devastado, com uma taxa de desemprego de 25% a 50%, doenças epidémicas sem controlo e 53% da população urbana a viver em bairros de lata.
Obama acabou por confessar que a guerra do Afeganistão "não tem fim à vista"

No dia 31 de Agosto, o presidente dos EUA, Barack Obama, discursou à nação, a partir da Casa Branca, para anunciar oficialmente o fim da Guerra do Iraque, sete anos e meio depois do seu início.

Obama anunciou o fim do envolvimento de tropas norte-americanas em combate no Iraque sem poder proclamar vitória. Numa intervenção dedicada, em princípio, à situação iraquiana, Barack Obama acabou por confessar que a guerra do Afeganistão "não tem fim à vista", pelo que se preparava para deixar as operações no terreno nas mãos do exército afegão, o que poderia acontecer dentro de um ano – uma previsão já abandonada.

No entanto, cerca de 50 mil soldados norte-americanos continuam no Iraque com o objectivo de assegurar a formação do exército iraquiano e "combater a al-Qaida", formulação vaga que o presidente não pormenorizou.

Até ao final de 2010, segundo as estimativas do site Antiwar.com, 4.429 soldados americanos morreram na guerra, 32.937 ficaram feridos, segundo dados oficiais, mas a estimativa extra-oficial é de mais de 100 mil. Os soldados mortos de tropas de outros países da coligação foram 318.

Um estudo da revista Military Medicinemostra que 62% dos soldados que voltaram precisam de tratamento psicológico; 6% mostram síndrome de stress pós-traumático e 27% passaram a abusar do álcool. Além disso, muitos veteranos regressam e não encontram emprego.

Numa altura em que 72 por cento dos norte-americanos – segundo as sondagens – contestavam as operações militares em que o país continuava envolvido, o presidente declarou que iria trocar o esforço militar no Iraque pela dedicação à recuperação da economia no país.

Ora o Iraque, depois de sete anos e meio de guerra, é um país devastado, com uma taxa de desemprego que se situa entre os 25% e os 50%, doenças epidémicas sem controlo e 53% da população urbana a viver em bairros de lata – 11 milhões de pessoas no total, mais do dobro que em 2003, quando a invasão começou. Mais de 1,3 milhão de iraquianos terão morrido em consequência directa ou indirecta da guerra.

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